Quarta-feira, 7 Novembro, 2018

DEMDIKE STARE Passion 2LP

€ 25,50 2LP Modern Love

Nos dois álbuns de Burial, “Burial” e “Untrue”, a música electrónica/dança encontrou um cenário futurista que servia as necessidades de um novo século, lançando as bases para a construção e desconstrução que surgiria na década seguinte – até hoje – da música de dança britânica dos anos 1990s. Construir sobre o mesmo, sendo o mesmo um passado que uma geração lembra com saudosismo – ou só está na memória – e que para outra nem sequer fez parte do seu passado, por isso é fruto de fantasia, imaginário. Burial não foi o início e, sim, o catalisador de um processo que dá voltas e voltas a sim mesmo, constrói, desconstrói, e parece regozijar com a ausência de uma cena fresca: como se a rejeição do “já foi tudo feito” fosse trabalhar no mesmo – não se confunda isto com revivalismo, é totalmente diferente. Nesse mundo pós-Burial os Demdike Stare têm sido dos activistas mais viris deste repensar da música de dança, principalmente a partir da série “Testpressing”: antes, curiosamente, pareciam imaginar música do passado que nunca existiu. Ei-los agora, novo álbum, “Passion”, a atacar várias frentes, sem o maravilhamento de outro tempo, ou o ocultismo, mas entregues a uma atitude punk-electrónica de destruição do jungle, d’n’b ou do dancehall. Se até aqui passaram algum tempo a reconstruir os 1990s à sua maneira – “Testpressing” e “Wonderland” –, em “Passion” adivinham o futuro um pouco como Burial fez com os seus dois álbuns. Não há apocalipse, falsa tensão pré-milenar (o que teria a sua graça), mas uma forma funcional de conjugar esses estilos em música que tem tanto de vanguardista como funcional. O que tem o seu quê de bonito: durante uma década anda-se às voltas de soluções de como recriar um estilo que esteve confinado a um tempo, estilo de vida, tornando-o cerebral, quase inacessível à medida que os “testes” avançavam, e agora aparece a solução-translúcida. “Passion”, com o seu frenesim e urgência, é o tesouro que todos andavam à procura. A música dos Demdike Stare já não é passado ou futuro: é fantasia.

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Quarta-feira, 7 Novembro, 2018

ELIZA McCARTHY & MICA LEVI Slow Dark Green Murky Waterfall LP

€ 17,95 LP Slip

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Nenhuma compositora – vamos chamá-la assim – conseguiu ao longo da última década afirmar-se de uma forma tão justificada na pop, electrónica e música clássica/contemporânea como Mica Levi. Começa a ser injusto separar as águas e é necessário assumir Mica Levi como um todo, seja a criar beats para Tirzah, a deslumbrar na pop-pastel como Micachu ou, ainda como Micachu, a adoçar a electrónica quebrada em “Feeling Romantic Feeling Tropical Feeling Ill” ou assinar duas das mais brilhantes bandas-sonoras desta década, “Under The Skin” e “Jackie”. “Jackie” foi uma das ocasiões em que trabalhou com a pianista Eliza McCarthy no passado recente, juntando agora seis composições conjuntas e originais neste “Slow Dark Green Murky Waterfall”. Se na pop Mica Levi sabe encerrar as suas criações em deleites de 3 minutos, quando compõe de uma forma mais clássica é exímia a criar música sem fim, com melodias que derivam facilmente para a fantasia e nos sugam para o espaço que cria: aqui é caloroso, pacífico, flutuante. O diálogo entre as duas é afinado, resolvido para não deixar pontas soltas e para criar diálogo para a peça seguinte: todas elas muito curtas e com uma sensação de infinidade natural. Drama e riso, por vezes a música das duas é um filme mudo para acontecer. Lindíssimo.

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Quarta-feira, 31 Outubro, 2018

MASSIVE ATTACK Mezzanine CD / 2CD / 2LP / 3LP

€ 7,50, CD Virgin

€ 30,95, 2LP (2014 reissue) Virgin

€ 12,50 (preço de pré-encomenda) 2CD (2018 reissue) Virgin

EM BREVE / SOON

€ 117,50 (preço de pré-encomenda) 3LP (2018 reissue) Virgin

EM BREVE / SOON

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Quarta-feira, 31 Outubro, 2018

STUFF. Old Dreams, New Planets CD / LP

€ 11,95 CD Gondwana

€ 20,50 LP Gondwana

Desde 2008, a Gondwana explora os intersticios do jazz e das músicas afiliadas no género, desde um formato mais tradicionalmente baseado em canções até abstracções de ciência rítmica como os Stuff (vamos poupar aqui o ponto final que termina o nome). Imaginemos Startled Insects acrescentados da filosofia Headz (Mo’ Wax) e talvez se chegue próximo deste combo baseado em Antuérpia, famoso pelos shows em palco e que é frequente compararem a Flying Lotus. Com todas as devidas distâncias, ouvimos também um pouco de Tortoise na fase “TNT”. “Old Dreams, New Planets” imagina um caminho de exploração em que o groove, de acordo com instruções iniciais, consegue auto-gerar-se. A ousadia não reside na intensidade e sim na matemática dos ritmos e do espaço entre notas, na livre associação de ambientes e velocidades, com recurso ocasional a padrões clássicos para que a descolagem não demasiado abrupta.

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Quarta-feira, 31 Outubro, 2018

IPEK GORGUN Ecce Homo CD

€ 13,50 CD Touch

“Ecce Homo”, como as palavras indicam, apresenta o Homem em ambas as capacidades de criador e destruidor, precisamente os atributos de um Deus. Gorgun, a gravar em Istambul, procura o sempre elusivo significado para a existência humana, questionando através do som, pesquisando enquanto cria, ao invés de colocar perguntas para as quais ninguém tem resposta. “Le Sacre II” replica, com deliberada falsidade, um mundo natural; “Knightscope K5″ parece desejar a fusão entre o profundamente artificial e essa ideia feita de natural. Traz para a mesa algumas lembranças da ondulação de Fennesz, mas por sobre a regularidade das ondas, ou ambientes, Ipek Gorgun coloca chamadas de atenção, sons que se destacam até pela mensagem que parecem conter. Quase nenhuma voz, neste álbum, mas a informação, ou mesmo o ensinamento que o autor procura transmitir, encontra-se inteiramente na organização dos sons. Chamando de novo “Knightscope K5″, é possível que a história que conta reflicta a constante subida e descida de ânimos na evolução humana, no fundo, duas palavras pelas quais se define o nosso percurso enquanto espécie: Guerra e Paz.

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Quarta-feira, 31 Outubro, 2018

DAVID SYLVIAN Dead Bees On A Cake (Expanded Edition) 2LP

€ 32,95 2LP (2018 reissue) Virgin

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Longo, muito longo (12 anos) período sem um álbum a solo, mas David Sylvian continuou a gravar (por exemplo com Robert Fripp e Hokger Czukay) e a envolver-se na criação artística de uma outra forma. As instalações que produziu com Russell Mills (1990) ou, mais tarde, Fripp (1994) cumpriam uma vocação que conduzia Sylvian a uma abordagem mais total da sua música, como um portal para o auto-conhecimento. Quando “Dead Bees On A Cake” saíu, em 1999, o músico perseguia uma via espiritual, deixava-se guiar num processo de auto-descoberta focado na libertação dos medos através da Iluminação. “Come find the meaning of the word inside of me”, logo na primeira canção do álbum, “I Surrender”. Sylvian mantém a mestria nos ambientes etéreos, suspensos, cristalizados em momentos incríveis de “Secrets Of The Beehive” (o álbum anterior, de 1987), incorporando a direcção que ele próprio confessou mais o interessar, desde então: atmosferas e texturas ganham terreno sobre elementos rítmicos. Com Marc Ribot, Steve Jansen, Ryuichi Sakamoto, Ingrid Chavez (a sua esposa de então) e Talvin Singh no núcleo duro das gravações, David Sylvian convocou ainda os espíritos de John Lee Hooker e John Cage, através de samples (em “Midnight Sun” e “Pollen Path”, respectivamente), chamou a América, onde fixou residência, mas também a Índia, onde procurava inspiração para as suas transformações íntimas. Álbum íntimo, como soam todos os seus. Quatro faixas que falharam a edição original, disponíveis nesta reedição pela primeira vez em vinil, feita para o Record Store Day 2018 (então em vinil branco, agora o tradicional preto).

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Segunda-feira, 29 Outubro, 2018

BUHNNUN Buhnnun CDR

€ 6,95 CDR Rotten // Fresh

“Solid-state” soa como uma queda permanente dentro da Máquina, aquela imagem do genérico de “Mad Men” mas com placas de circuitos e fios em vez de edifícios. A tensão vai-se construíndo. O fetichismo digital avança com referências a universos baralhados de vozes sintetizadas, blips e processamento pesado, apostado na descontextualização a partir da qual se cria arte a partir da arte. “We are individuals too” é repetido em “Do You Know buhnnun?”. As máquinas promovidas a nossos pares, por nós mesmos. Muito terreno foi desbravado nos 90s e as paisagens agora à nossa disposição beneficiam de alguns marcos deixados para orientação. No entanto, a explosão sonora – melhor dito, a implosão – produzida por volta do milénio dentro de laptops que anulavam ou reescreviam todas as regras musicais até então, permite que, ainda hoje, novas realidades sónicas se apresentem. Rotten \\ Fresh podem ser um colectivo de amigos bem enraizado num espírito comunitário e numa geografia física comum, mas nas suas edições, cada um por si, rejeitam os pés assentes na terra. Qualquer delimitação geográfica deixa de fazer sentido. Ou seguimos, ou ficamos eternamente a beber copos e a pensar como seria. CDR limitado a 50 unidades.

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Segunda-feira, 29 Outubro, 2018

SIMAO SIMOES Strel CDR

€ 6,95 CDR Rotten // Fresh

“Strel”, com uns meses, personifica no autor Simão Simões a competição saudável na editora Rotten \\ Fresh. “Competição sem nenhuma competição lá, mas dentro de mim quando vejo um concerto de alguns de nós tenho que fazer one-up“, dizia ao Ípsilon em Junho passado. O colectivo, que nos honrou com um festival 100% seu, aqui na loja, no passado dia 27 de Outubro, alimenta-se de si próprio e aí a competição funde-se com entreajuda e uma vontade em realizar coisas em grupo. Simões traça uma linha desde Zeca Afonso aos Sunn O))), Slayer e os seus companheiros de editora, e em “Strel” talvez processe esse caminho através do que soa a desconstrução (desde logo rítmica) mas que escutamos como atenção ao detalhe, elaborado através do acaso, transformando caos digital em composições. Essas são delineadas através da espécie de “repetição evolutiva” que o erro digital pode suscitar (“?? ? luv ??*one*” faz-se canção da mesma forma que Discmen em 1999, em ambos os casos versões cruas do que Oval patentearam como glitch). As nove faixas em “Strel” destroem a linearidade, obrigam a mudanças bruscas no foco de atenção. “Good” faz baixar Venetian Snares até aqui. Neurofunk. CDR limitado a 80 unidades.

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Quarta-feira, 12 Setembro, 2018

SHINICHI ATOBE Heat 2LP

€ 24,95 2LP DDS / Demdike Stare

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Shinichi Atobe reapareceu há uns anos depois de ter apenas no seu currículo um 12” lançado em 2001 pela Chain Reaction, entretanto reeditado pela DDS. Desde 2014, altura em apareceu “Butterfly Effect”, que quase anualmente se é inundado por nova música de Shinichi Atobe, sem a certeza de que se foi feita agora ou gravada há umas décadas. Ou se existe mesmo um Shinichi Atobe. Verdade ou não, o mistério tem funcionado e apesar de já estarmos longe do maravilhamento causado com “Butterfly Effect” (que parecia um longa-duração de continuação de “Shin-Scope”), continuamos maravilhado com a solidez com que os discos de Atobe se apresentam. “Heat” é profundamente house, com uma espécie de certidão de clássico (podia ter sido gravado há décadas) e ideias fluídas e rápidas que acarretam a juventude de alguém que bebe das origens agora. Há algo de balsâmico em “Heat” – e na música de Atobe – que desafia a lógica. A primeira prensagem esgotou num instante, recebemos agora exemplares da segunda. Um clássico de 2018, um daqueles que vai para os livros.

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