Segunda-feira, 11 Fevereiro, 2019

THE STRANGER Bleaklow 2LP

€ 25,50 2LP (2014 remastered reissue) History Always Favours The Winners

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Editado originalmente em 2008, numa fase de transição na carreira de Leyland Kirby, “Bleaklow” é um dos seus mais enigmáticos discos. Até para quem ouviu a entrada mais recente no universo de The Stranger (“Watching Dead Empires In Decay”), este disco que conhece agora a sua primeira edição em vinil é um de drones ofegantes e violentíssimos, sem os cenários idílicos e decadentes de outros universos de Kirby da última década ou sem a costela mais focada no beat como o último disco de The Stranger. “Bleaklow” é, de certa forma, o disco mais alemão da sua carreira, ouvimos muitas influências do universo das reedições da Bureau B (principalmente dos discos dos anos 1980) e uma ligação singela à Warp (que de certa forma existiu em parte da sua carreira, nem que fosse em modo guerrilha). Há um lado kosmische algo Vangelis neste disco, com o factor surpresa no virar de cada página. Apesar do tom negro, cada tema difere do anterior vertiginosamente. É feito de uma inconsistência invulgar em Kirby, mas que funciona no som algo disfuncional e desconfortável que aqui apresenta. É menos imediato que muitos dos seus discos, quase como se não tivesse uma história para contar e tivéssemos nós que descobrir a sua história, mas é um dos que melhor gratifica o ouvinte. Vale a pena deixarmo-nos levar por esta pérola.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Terça-feira, 6 Novembro, 2018

URSULA BOGNER Recordings 1969-1988 LP

€ 13,50 CD Faitiche

€ 17,50 LP (remastered 2018) Faitiche

Editado originalmente há dez anos, “Recordings 1969-1988” foi uma brincadeira de Jan Jelinek numa altura em que se jogava muito com as descobertas de nomes desconhecidos / ou por descobrir da história da electrónica. A história de Ursula Bogner era de que Jelinek havia conhecido o seu filho – Sebastian Bogner – e que este o teria introduzido à música da mãe, que montou um estúdio em casa e que viveu sempre alheada da cena electrónica alemão, mas fascinada por ela e pela música concreta. A história convenceu durante um tempo, principalmente porque o início das reedições de library começavam a surgir e o som de Bogner juntava-se bem no grupo da BBC Radiophonic Workshop, principalmente ao trabalho de Daphne Oram e Delia Derbyshire que começava a ser redescoberto – e melhor trabalhado – na altura. Não demorou a descobrir que Bogner era Jelinek vestido de mulher e que o magnífico mundo de “Recordings 1969-1988” e, anos depois, de “Sonne = Blackbox” era uma farsa. Mas uma boa farsa, a música ficou, e ainda hoje este álbum de apresentação de Jelinek enquanto Bogner é uma assombrosa viagem por música electrónica simples, adornada pelo básico e pela descoberta do som puro dos sintetizadores. De certa forma, é composição musical arquivista de prime-time, com o problema de que é falsa. O maior golpe de Jelinek não foi ter-nos enganado, mas convencer-nos de que esta música valia a pena ouvir e de que era urgente há dez anos. Há dez anos e agora, “Recordings 1969-1988” continua a ser um dos seus discos mais preciosos e um complemento essencial à reedição recente de “Loop-finding-jazz-records”. Música de descoberta do passado que nunca existiu, o velho é afinal novo. Uma cartada de génio de Jelinek, uma “compilação” de sons assombrosos, especiais, que, na sua reedição, se faz acompanhar por quatro temas que, entretanto, foram saindo em 7”. Se escapou em 2008 – esgotou muito rapidamente -, este é o momento para encontrar / descobrir / redescobrir a magia orgânica-analógica de Bogner.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Quarta-feira, 2 Novembro, 2016

ZOMBY Where Were U In ’92? LP

€ 19,50 LP (2016 reissue) Cult Music

[audio:http://www.flur.pt/mp3/DCLXVI001LP-1.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DCLXVI001LP-2.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DCLXVI001LP-3.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DCLXVI001LP-4.mp3,http://www.flur.pt/mp3/DCLXVI001LP-5.mp3]

Agora regressou mesmo o fantasma de Natais Rave Passados (e “passados”, aqui, tem mais que um significado): Zomby começa este álbum logo em velocidade de cruzeiro, nada de introduções a preparar terreno. Aliás, o título “Fuck Mixing, Let’s Dance” explica-se por si. A sequência das 14 faixas é non-stop mas em vez de misturas seguidas de uma para outra temos cortes abruptos sem intervalos de silêncio. Bonito. “Where Were U In ’92?” representa um reencontro do dubstep com as suas raízes de forma mais explícita. Se o dub se ouve aqui afundado em samples ou linhas de baixo, a componente rave ou ‘ardkore é celebrada na nossa cara. Sirenes, breaks, samples de “Blade Runner”, linhas de baixo com uma tonelada, piano house, uma autêntica festa. Como se Burial desligasse a máquina de fumo e de repente ficasse tudo exposto: as roupas fluor, pessoas até nem muito bonitas, camisolas de futebol, lightsticks e sorrisos exagerados. Parece desagradável? Só para quem dançou pela última vez antes de 1988. Dinâmico, consciente das suas raízes e muito em tom com a mistura cut and paste de hoje, uma espécie de Girl Talk sem os hits reconhecíveis. Energy Flash!.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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Quinta-feira, 15 Janeiro, 2009

OSBORNE: favoritos de 2008



todd-osborn

Arthur Russell “Love Is Overtaking Me” (Audika)
Jim Radway & The Fe Me Time Allstars “Dub I” (Pressure Sounds)
Flying Lotus “Los Angeles” (Warp)
Terry Riley “The Last Camel in Paris (Live)” (Elision Fields)
John Baker “John Baker Tapes Vol. 1 & 2” (Trunk)
Q-Tip “The Renaissance” (Universal Motown)
Skream “Skreamizm Vol. 5” (Tempa)
Omar Souleyman “Highway To Hassake” (Sublime Frequencies)

Osborne (Todd Osborn) editou em 2008 um álbum homónimo na Spectral Sound. Nele está incluído um dos temas house mais felizes do ano: “Ruling”.
A sua lista chegou-nos apenas agora e já foi adicionada com orgulho à página de 2008 elaborada a partir de contribuições que pedimos a vocês, que nos acompanham, a músicos, DJs, jornalistas, promotores e outros agentes que divulgam e fazem música em Portugal e no estrangeiro. Podem consultar listas e textos de Simon Bookish, Vladislav Delay, Andy Blake (Dissident), Hieroglyphic Being, Reggie Dokes, Rings, Johannes Volk, Kiran Sande (revista FACT), Slight Delay, Nelson Gomes (Gala Drop), Bernardo Devlin, Photonz, D.I.S.C.O.Texas e outros convidados de cá e de lá.
Aqui.


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Quarta-feira, 31 Dezembro, 2008

Flur: favoritos 2008 ÁLBUNS


Este ano foi mesmo verdade, aliás, foi mais verdade do que noutros anos: os doze meses foram pouco tempo para fazer tudo o que gostaríamos de ter feito. É a eterna frustração de estar vivo mas também o eterno fascínio, não conseguir fazer tudo e poder esperar fazê-lo no futuro. Se é certo que a água tende a rarear, isso já é um facto preocupante com o Tempo. Vivemos na utopia permanente de que “no final desta semana é que é”
mas nunca é : (
Vivemos, também, num meio em progressiva desagregação. Foram várias as falências, desaparecimentos e recuos no meio musical físico que nos afectaram directamente. À nossa volta abre-se cada vez mais espaço, por baixo de nós também. Como na generalidade do país (do mundo?) trabalharam-se mais e mais horas para os mesmos ou inferiores resultados. Mas foi outro ano excepcionalmente rico em termos de música, a verdadeira alma do negócio, e também excepcionalmente frustrante pela incapacidade de traduzir em vendas a música em que se acredita, porque, claro como a água, estamos na periferia do mercado e os objectos encarecem a cada passo que dão para chegar cá, onde o pouco que se produz não consegue de forma alguma ser atractivo para um consumo sustentável. Para muitos, uma loja física de discos é uma peça obsoleta na engrenagem, uma manutenção retrógada de um tipo de consumo em processo não de extinção mas de avanço para uma exclusividade que se teme inevitavelmente elitista, até pelos preços: o chamado “regresso do vinil” suscitou reedições mais luxuosas e, como tal, muito caras. Fomos abordados várias vezes para comentar esse regresso, encolhendo os ombros porque, para nós, o vinil existe da mesma forma desde que abrimos em 2001. A Flur cumpriu 7 anos e no aniversário desejámos coisas que não vamos dizer: algumas são feias e outras tão bonitas que se calhar são irreais, iam rir-se de nós.
Este é o último texto a ser escrito para o resumo do ano, e as palavras mais importantes que queremos transmitir são estas: muito obrigado a todos os que nos visitaram, telefonaram, escreveram, regatearam, concordaram e não concordaram, compraram e apoiaram, acreditem que em 2008 vocês foram ainda mais a razão da nossa existência.
O Lux e a rádio Oxigénio deixaram-nos espalhar informação por mais pessoas, a sua ajuda foi preciosa. O restaurante Bica do Sapato emprestou-nos a magnífica esplanada para a sessão Slight Delay em Outubro. E obrigado ao Tiago, Alcides e Joana, que trouxeram bolinhos, vinho e champanhe. É o que se leva desta vida : )


intro2008

20 álbuns que considerámos importantes em 2008.

Ano fragmentado nas escolhas, nenhum Panda Bear para carregar as almas de todos para aquele lugar bonito. Ainda assim, quando comparámos listas, Gala Drop foi unânime. Para uns de nós primeiro, para outros top 5, mas com sistema infalível de pontuações o resultado fez plena justiça ao nosso sentimento de que aqui está um disco perto de casa mas que alcança muito muito longe. No tempo e no espaço. Gala Drop procura o ilimitado, no amor que tem a todas as músicas. Sentimos isso, fez-nos muito felizes ao ouvir o disco e retribuímos da maneira tosca que os seres humanos têm: premiando.
Todos os outros discos ficaram inevitavelmente abaixo, mas este ano não conseguimos falar apenas de dez. São vinte os discos que achámos mais importantes em 2008. Não são todos os que existem, não ouvimos tudo o que se fez. Este é apenas o nosso universo. Obrigado por prestarem atenção.


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1 GALA DROP “s/t” (Gala Drop)
Lisboa no centro do mundo, mas Lisboa também como espaço de absorção de inúmeras referências culturais das últimas quatro décadas, projectada por duas das pessoas que mais ajudaram a colocar esta cidade num mapa qualquer (decidam vocês qual) nos últimos anos: Tiago Miranda (Os Loosers, Dezperados, Slight Delay, etc.) e Nelson Gomes (antigo programador da ZDB, hoje Filho Único). A completar o trio, Afonso Simões (Fish & Sheep, Phoebus, Curia, etc.), um dos músicos mais talentosos da sua geração. Juntos gravaram o melhor álbum português das últimas duas décadas (Guilherme Gonçalves substituiu, entretanto, Tiago Miranda). O exagero pode ser levado para onde se quiser, por quem quiser. Mas é isso que se sente com “Gala Drop”, disco do presente onde linguagens do passado, de todos os cantos do mundo, história e cultura se fundem para marcar um tempo, uma geração, par a par com géneros, modas, gostos que a era da informação nos concede. É para isto que se faz música.

2 GANG GANG DANCE “Saint Dymphna” (Warp)
Esperámos muito por “Saint Dymphna” e o pouco que nos foi chegando era de chorar por mais. “House Jam” (canção do ano) foi de um teasing abusivo para quem suspirava pelo sucessor do genial “God’s Money”. Os Gang Gang Dance consolidaram a adaptação do seu som, da sua experimentação e da colagem, ao formato canção. É música de dança improvável, há muita coisa a acontecer para reagir mas também para nos deixar a pensar. É um disco de géneros, mas sem género. É a obra que melhor concretiza o caminho tomado hoje pelas bandas de Nova Iorque (Black Dice, Excepter e Gang Gang Dance) que mais contribuíram para a destruição e reinvenção do formato rock na canção de hoje.

3 HIGH PLACES “High Places” (Thrill Jockey)
Nada resta para inventar na música (dizem), mas ainda ninguém tinha tido o descaramento de imitar os Young Marble Giants (pelo menos tão bem). Este álbum homónimo é um seguimento natural da compilação de EPs lançada meses antes e confirma o estatuto de reis do minimalismo na pop-rock actual. Os High Places fizeram sentir que faltava algo nas nossas vidas, preenchido pelo vocabulário primitivo e repetitivo de Mary Pearson e Robert Barber. É obra soar tão bem hoje como da primeira vez, tão bonito e honesto.

4 BEACH HOUSE “Devotion” (Bella Union)
Falámos de “Devotion” em Março e parece que nunca nos abandonou desde então. Porque fomos gostando cada vez mais dele e porque o nosso affair culminou quando nos encontrámos todos – nós, vocês e eles – no Maxime e Passos Manuel, em Novembro. Ou seja, um longo ano de confessa paixão crescente pela voz sussurante e encantadora de Victora Legrand (grande nome, já agora) e pela delicada e hipnotizante companhia sonora de Alex Scally. Chamem-lhe shoegaze em surdina ou banda sonora perfeita para piscarmos o olho a alguém e fazermos o move perfeito. Como o álbum exactamente acima deste, terão havido poucos discos tão coesos durante 2008.

5 QUIET VILLAGE “Silent Movie” (!K7)
Tudo aquilo que Matt Edwards e Joel Martin prometiam com os maxis na Whatever We Want. Quase todas essas faixas estão aqui incluídas, mas o disco tem uma visão panorâmica que se sobrepõe à sensação de já as termos ouvido antes. “Silent Movie” é feito com excertos de muita música, é uma espécie de enorme re-edit de um passado musical abrangente, cuja estratificação por géneros deixa de fazer sentido. Música de filme, de bar, salão, campo (raramente de cidade), praia, de estrada e de alpendre. A todos se adapta e a todos quer mimar com os seus segredos ao ouvido.

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6 NICK CAVE & THE BAD SEEDS “Dig!!! Lazarus Dig!!!” (Mute)
Sempre tivemos o maior respeito por Nick Cave – a relação vem de muito, muito longe – mas “Dig!!! Lazarus Dig!!! fez com que fossemos surpreendidos pelo soberbo punch, violentamente criativo, repleto de ideias e histórias. A começar com o próprio papel de Cave, que aqui só nos faz lembrar a personagem de Daniel Day-Lewis em “There Will Be Blood”, apesar de ter sido noutro western que acabou por fazer a sua aparição – “The Assassination Of Jesse James By The Coward Robert Ford”. Isto só pode significar que a sua música cada vez mais sugere imagens e enredos, e isso significa que Cave está no controlo das operações com o nervo que recentemente pensámos extinto.

7 RINGS “Black Habit” (Paw Tracks)
Anteriormente First Nation, as Raincoats de Brooklyn séc. XXI chamam-se agora Rings e mantêm aquilo que nos fascinou em “First Nation”. “Black Habit” é rebeldia madura, o “Odyshape” de uma década que criou o seu próprio pós-punk e não lhe conseguiu dar um nome para mais tarde recordar. Contudo, nada disto é pós-punk, e sim um registo de sensibilidade e sensualidade femininas, caloroso, sedutor, atípico e corajoso. É o charme da ausência, da estranheza, da liberdade e dos sonhos que estas três raparigas conseguem recriar e transpor para as suas canções. E não houve nenhuma outra em 2008 como “Teepee”.

8 BONNIE ‘PRINCE’ BILLY “Lie Down In The Light” (Domino)
Passou ao lado porque é normal que canse ver Will Oldham associado a tantos discos. E se a desculpa é haver tanta coisa para ouvir, a resposta é que o lugar para os grandes oradores da canção americana estará sempre garantido. É, para nós, o seu melhor disco desde “Master & Everyone”, já longe do negrume de outros dias, agora a sua música não é marcada pela ausência, mas por uma jovialidade que seria difícil de encontrar há uns anos. Não há muita gente que mude tanto e se mantenha intacta. Génio.

9 BERNARDO DEVLIN “Ágio” (Nau)
A questão é extremamente simples: que disco português vocês ouviram, assim, na vossa vida? Mas a resposta é ainda mais simples: nenhum. Não é, obviamente, a raridade que valoriza “Ágio”. São as suas canções únicas, despojadas e na nossa cara, sem artifícios, sem decorações, apenas com a voz performativa de Devlin e os seus impressionantes arranjos semi-acústicos e semi-electrónicos que nos hipnotizam e espantam a cada revisitação. Parece um disco perdido no tempo, mas também parece um disco para uma ideia de futuro. A vantagem é podermos ouvi-lo agora mesmo. Não é para todos, é verdade; é para quem quer.

10 DEERHUNTER “Microcastle / Weird Era Cont.” (4AD)
Bradford Cox não só conquistou o lugar de perturbadinho da música independente norte-americana como tornou muito difícil o papel da figura que se lhe seguir. Além disso, foi responsável por dois dos melhores lançamentos que vimos sair neste ano, a solo como Atlas Sound (“Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel”) e este “Microcastle” com a banda que o popularizou, os Deerhunter. Obra incrível, marcante, a assinar shoegaze em nome próprio. Coisa rara nos dias que correm.

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11 THE LAST SHADOW PUPPETS “The Age Of The Understatement” (Domino)
A ideia de um disco de época não é exactamente empolgante, mas “The Age Of The Understatement”, embora soando como um grande disco de 1968, é desconcertante de tão perfeito nas melodias vocais atribuídas à maioria das canções que compõem o álbum. Metade Arctic Monkeys (Alex Turner) e metade Rascals (Miles Kane), é um glorioso hino a um certo classicismo orquestral na pop de 60s (obviamente Scott Walker). Oiçam estas canções quase todas perfeitas, reparem como se canta para uma rapariga de quem se gosta. “Standing Next To Me” é a canção power pop do ano.

12 RICARDO VILLALOBOS “Vasco” (Perlon)
Enquanto os indicadores apontam agora para longe da ideia de minimal praticada por uma legião de produtores na segunda metade desta década, Ricardo Villalobos mantém-se ocupado, em campeonato próprio, a aprimorar a sua noção de tempo e espaço. É de ciência que se trata, embora uma ciência que também é emocional na forma como desperta suspiros de adesão. Quatro faixas longas, e perdoem o cliché mas mais uma vez temos de ouvir faixas longas de Villalobos porque não é música de mudanças súbitas, muito menos de crescendos. “Vasco” parece acontecer inteiramente dentro de uma bolha imaculada onde nada consegue falhar, mesmo que provoque o erro.

13 MGMT “Oracular Spectacular” (Sony/BMG)
Hit atrás de hit, é difícil nomear as canções de que gostámos em “Oracular Spectacular”. Pop por excelência, coração apontado para o psicadelismo e explosões dos Flaming Lips, mas cabeça virada para os flashes e imediatismo orelhudo que colocou estas canções em tudo o que era sítio e “actual”. É o efeito maior do que a vida durante quinze minutos, o disco que levaríamos para uma ilha deserta durante aquele mês e meio em que não conseguimos parar de o ouvir.

14 SIMON BOOKISH “Everything/Everything” (Tomlab)
Simon Bookish segue a longa tradição da pop intelectual, ávida de referências literárias (e neste caso também científicas) para complementar a sua óbvia necessidade de ser popular (ou não se chamaria pop). A visão particular de Simon Bookish faz-se a partir de uma concentração pomposa de Divine Comedy, Pulp, Final Fantasy e Felix Kubin, resultando em canções clássicas, energéticas e espertas, à espera de uma mera distracção para conquistarem o mundo. Termina com “Colophon”, que diz “If I died tomorrow, what difference the tie I used?”

15 EXCEPTER “Debt Dept.” (Paw Tracks)
Num ano em que “Saint Dymphna” dos Gang Gang Dance despertou muita gente para o lado pop de uma geração de músicos vindos de Nova Iorque que cresceu ao longo desta década, “Debt Dept.” foi uma espécie de preâmbulo de todo esse acontecimento. Disco “comercial”, o possível para uma das bandas mais inventivas deste século e que nunca nos deixou ficar mal. O êxtase de outros dias foi substituído pela batida e uma pérfida piscadela de olho à música popular.

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16 FENNESZ “Black Sea” (Touch)
Parece estranho que Fennesz, que tantos discos teve com o seu nome nos últimos anos, só apareça nas listas quando faz um álbum a solo. Correndo o risco de sermos injustos, o seu mundo ganha cores e relevos impressionantes quando está sozinho e expõe tudo aquilo que sabe fazer tão bem. Em “Black Sea” há um equilíbrio estonteante entre o doce e o amargo, e nem mesmo todo o lado noise e experimental do seu vento electrónico parece afastar a atracção que Fennesz consegue impor em tanta gente. Foi lindo ver “Black Sea” como um dos discos mais vendidos na Flur (lista a divulgar para a semana), mas mais lindo ainda é ouvi-lo e ficar com vontade de repetir a audição.

17 NEWWORLDAQUARIUM “The Dead Bears” (Delsin)
Com edição em vinil em 2007, CD apenas em 08, “The Dead Bears” estendeu o seu poder narcótico por mais um ano. Quente e coeso como Burnt Friedman na fase Nonplace Urban Field (oiçam “Nike Air” de 1996), este é um álbum que recicla habilmente várias heranças associadas à música de dança para as reintroduzir no loop contemporâneo. Há aqui sobretudo muito da cultura de re-edits que alimentou a primeira vaga de house e muito do ambientalismo pós-techno que sonorizou salas de chill-out há 15 anos.

18 FLEET FOXES “s/t” (Bella Union)
Álbum barroco para as massas, sem masoquismo ou excentricidade nefasta. “Fleet Foxes” é Neil Young em 2008 ou Brian Wilson a tripar noutra maré, mas também deve muito à folk inglesa de finais de sessenta e da década de setenta (Fairport Convention e Steeleye Span, por ex.). Cinco jovens de Seattle recuperaram um imaginário hippie “easy rider”, coloriram-no e tornaram tudo tão infantil quanto onírico, num dos álbuns que maior consenso crítico reuniu em 2008.

19 NO AGE “Nouns” (Sub Pop)
“Weirdo Rippers” era uma recolha de trabalhos deste duo, distribuídos localmente ou de edição limitada, que num todo não formavam matéria consistente para um álbum. Passou ao lado, infelizmente, mas “Nouns”, longa-duração à séria, chamou a atenção do mundo para si e revelou um lado mais pop de Randy e Dean, fundindo Beach Boys/Nirvana/Black Flag/Black Dice em canções imediatas e inesgotáveis. O concerto na Zé dos Bois confirmou esse estado de glória; 2008 foi um ano também deles, tal como 2007 já o havia sido.

20 ACTRESS “Hazyville” (Werk)
Quando parecia que o 2008 seria, graças a Zomby e ao seu testemunho ácido, um grande ano de regresso da Werk, eis que o seu patrão decide mostrar como se eleva a fasquia reanimando o nome de combate Actress e colocando “Hazyville” no mercado numa altura suficientemente tardia para se camuflar na paisagem e passar despercebido à maioria das pessoas. Connosco não resultou, pois seria criminoso ignorar 45 minutos de total hipnose sonora, feita como se Londres fosse o ponto intermédio entre a nova população techno de Detroit e o ritmo empoeirado de Berlim. Naturalmente que os ecos desta revelação se irão sentir por 2009 adentro, pois há quem fale em obra-prima por aqui.

 


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Quarta-feira, 31 Dezembro, 2008

Flur: favoritos 2008 SINGLES


Este ano foi mesmo verdade, aliás, foi mais verdade do que noutros anos: os doze meses foram pouco tempo para fazer tudo o que gostaríamos de ter feito. É a eterna frustração de estar vivo mas também o eterno fascínio, não conseguir fazer tudo e poder esperar fazê-lo no futuro. Se é certo que a água tende a rarear, isso já é um facto preocupante com o Tempo. Vivemos na utopia permanente de que “no final desta semana é que é”
mas nunca é : (
Vivemos, também, num meio em progressiva desagregação. Foram várias as falências, desaparecimentos e recuos no meio musical físico que nos afectaram directamente. À nossa volta abre-se cada vez mais espaço, por baixo de nós também. Como na generalidade do país (do mundo?) trabalharam-se mais e mais horas para os mesmos ou inferiores resultados. Mas foi outro ano excepcionalmente rico em termos de música, a verdadeira alma do negócio, e também excepcionalmente frustrante pela incapacidade de traduzir em vendas a música em que se acredita, porque, claro como a água, estamos na periferia do mercado e os objectos encarecem a cada passo que dão para chegar cá, onde o pouco que se produz não consegue de forma alguma ser atractivo para um consumo sustentável. Para muitos, uma loja física de discos é uma peça obsoleta na engrenagem, uma manutenção retrógada de um tipo de consumo em processo não de extinção mas de avanço para uma exclusividade que se teme inevitavelmente elitista, até pelos preços: o chamado “regresso do vinil” suscitou reedições mais luxuosas e, como tal, muito caras. Fomos abordados várias vezes para comentar esse regresso, encolhendo os ombros porque, para nós, o vinil existe da mesma forma desde que abrimos em 2001. A Flur cumpriu 7 anos e no aniversário desejámos coisas que não vamos dizer: algumas são feias e outras tão bonitas que se calhar são irreais, iam rir-se de nós.
Este é o último texto a ser escrito para o resumo do ano, e as palavras mais importantes que queremos transmitir são estas: muito obrigado a todos os que nos visitaram, telefonaram, escreveram, regatearam, concordaram e não concordaram, compraram e apoiaram, acreditem que em 2008 vocês foram ainda mais a razão da nossa existência.
O Lux e a rádio Oxigénio deixaram-nos espalhar informação por mais pessoas, a sua ajuda foi preciosa. O restaurante Bica do Sapato emprestou-nos a magnífica esplanada para a sessão Slight Delay em Outubro. E obrigado ao Tiago, Alcides e Joana, que trouxeram bolinhos, vinho e champanhe. É o que se leva desta vida : )


intro2008

11 singles que considerámos importantes em 2008.

Se Brooklyn foi – de novo – um incontestado centro criativo para muita música vital que se ouviu em 2008, Detroit reaparece com um protagonismo que, neste capítulo, talvez só tenha conhecido quando Juan Atkins, Kevin Saunderson e Derrick May praticamente funcionavam como uma só entidade. Detroit foi Motown e Eminem, também, foi base de George Clinton, e quase tudo isso se manifesta de alguma forma em música genial que incluimos na nossa complicada lista de melhores singles do ano. Omar-S, Reggie Dokes e Theo Parrish mas também, em espírito, Tim Toh e Johannes Volk.
Podem reparar na fraca representação pop/rock, talvez porque na maioria dos casos os singles acabam por ser faixas de álbuns, o que não acontece por regra noutras áreas. Quase todos os títulos abaixo são orfãos de álbuns. Tudo explicado com algum detalhe nos textos respectivos. Este foi um ano particularmente abençoado.


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1 OMAR-S “Psychotic Photosynthesis” (FXHE)
1 OMAR-S “Psychotic Photosynthesis #2 (no drum mix)” (FXHE)
O #2 surge perto do final do ano e pulveriza a concorrência. Versão sem beats do maxi que saiu em Janeiro com o mesmo título, serenata dedicada aos Céus, uma produção da nova escola de Detroit, Omar-S a chegar a corações neutros, não-militantes de house. A versão com batida transporta a pista de dança para uma dimensão quase surreal de prazer no rodopio psicadélico dos seus tons. Para nós, sai da mesma matéria que gerou “E2-E4″ (Manuel Göttsching), e mesmo que não confiem em nós, vejam as vezes que Omar-S aparece nas listas que publicamos mais abaixo. Supremo. E se for arrogante ainda melhor, porque tem o direito.

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2 BJORN TORSKE “Kan Jeg Slippe?” (Sex Tags Mania)
Bjorn Torske representa o tipo de produtor que respeita totalmente os maxis como obras completas, não como meros excertos de algo maior. “Kan Jeg Slippe?” oscila entre Norte e Oeste de África, Nova Iorque e a nossa cabeça, um monumento ao poder hipnótico da música, banda sonora para uma realidade vodu, uma receita exótica para nos enfeitiçar com poções que deitam fumo negro (não fumo branco). A Noruega guarda ainda tesouros imensuráveis. Homens do Norte.

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3 REGGIE DOKES “Rain Redemptive Love” (Philpot)
África em todo o lado, este ano, e inegavelmente no beat de “Love”, primeira faixa do disco logo a trazer Tony Allen para tocar air drums no estúdio de Reggie. No outro lado, “Rain On Me” mistura piano, cordas e um sintetizador desregrado que ousa suplantar em atitude o som de Carl Craig, tudo demasiado perfeito para ser ignorado. Amor pelo universo e esperança no ser humano podem ser sentimentos fora de moda, mas Reggie Dokes não sabe disso. Ainda bem.

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4 TIM TOH “Join The Resistance part I” (Philpot)
4 TIM TOH “Join The Resistance part II” (Philpot)
Duas partes de uma série de três, um dos manifestos mais revolucionários na renovação actual da house, quando um género passa a ser descrito apenas como Música. Parte I mais tribal e desnudada, com ritmos a chocarem com esqueletos de melodias, tudo em sacrifício ao groove. Mais romance na parte II mas sempre enroscado na batida que não deixa nunca esquecer que há um coração pulsante. Amigos, “Three”, na parte II, concentra quase tudo o que queremos ouvir: balanço, espírito, açucar, loucura, paixão, Sol e tempestade, morte e redenção – é bonito de morrer e também tem África. Tim Toh fez isto aos 22 anos, outro dia.

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5 THEO PARRISH “Love Triumphant” (Sound Signature)
Uma das jams mais cósmicas do ano quando nos escaparates não está marcado como Cósmico, é esse o destino dos que se desviam permanentemente do centro onde são colocados. “Love Triumphant” irradia uma luz intensa, e sob essa luz vemos com clareza que não é alguém da música de dança a tentar fazer jazz, não se trata da pobre mímica que é celebrada como “homenagem”, não é electrónica a fazer de conta que é acústica, isto brota da terra directo lá para cima, sem tempo para se agarrar a nomes ou referências: jazz, minimalismo, kosmischer pitch, house, são os nomes que nós, pessoas comuns, temos de colocar nas coisas para podermos descrevê-las. “Spacebumps” completa o disco em típico modo Theo Parrish de stop-start e malhas de Rhodes. Fora de tudo.

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6 THE JUAN MACLEAN “Happy House” (DFA)
O dance-punk da DFA, já com um historial impecável, excedeu-se em “Happy House”, Sol e mais Sol e nova inspiração DFA em Siouxsie & The Banshees. Tudo magnífico, em harmonia, quase 13 minutos de felicidade (mais do que às vezes se consegue num dia) com a voz de Nancy Whang a dirigir uma cruzada em direcção ao escapismo boa onda que só house, disco e pop conseguem natural e honestamente. “Happy House” reúne o melhor dos três géneros, abre uma porta larga para toda a gente e, quando o plano abre mais para revelar o cenário completo, os corpos que dançam formam um smiley gigante. É assim tão bom.

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7 JOHANNES VOLK “The Day We Met Again” (Lifeworld)
A Alemanha, ligada espiritualmente a Detroit desde a aliança da cidade norte-americana com o clube Tresor em Berlim, produz uma nova geração de nomes que unem os feixes de ambas as proveniências para os concentrar num único, mais poderoso, apontado ao Cosmos. Tim Toh, de forma já descrita, e Johannes Volk em groove de total felicidade e comunhão. Imaginem samba, Jeff Mills, jazz astral, som atonal e Atom Heart da fase B.A.S.S. (que já era isso tudo em 1995) com licks de guitarra, rapidamente (bem acima das 120 BPM) em movimento de progressão. Se fosse mau seria quase histérico, mas deste modo são flores a multiplicarem-se num campo. Genial e aguerrido e, em ano Wall-E, a faixa do meio chama-se “Robot Love”.

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8 MATHEW JONSON “Symphony For The Apocalypse: New Age Revolution” (Wagon Repair)
Num ano em que a Wagon Repair, com produção mais banal, acabou por sair um pouco dos radares, este maxi destaca-se claramente. MJ exercita a sua tendência analógica em duas faixas intensas que convocam Autechre e o Apocalipse. São dois épicos de pleno direito, sujos e carismáticos, a vender personalidade numa época digital de cada vez maior formatação genérica na cena techno. Muito respeito.

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9 GHOST NOTE “Holy Jungle” (Golf Channel)
Com a Whatever We Want fora do nosso plano de 2008 (acreditem que tentámos tudo), foi a Golf Channel, também de Nova Iorque, quem permaneceu para nós como a editora a coleccionar, no que respeita a futuros clássicos do underground cósmico. “Holy Jungle” representou a magia negra nas pistas de dança, um kick forte, cordas dissonantes, guitarra com barba, coros e um ambiente soturno quebrado pelas sempre infalíveis palmas. Mark E entrega uma remistura em suspensão hipnótica.

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10 SLIGHT DELAY EP (Rong)
A espantosa folha de serviço deste disco na Flur, desde que chegou em Setembro, contribuiu em grande medida para a inclusão numa lista em que a concorrência se multiplicou bastante: os re-edits. A par com Social Disco Club, Slight Delay (e a sua metade Tiago) espalharam ciência de corte em editoras de topo neste jogo: Mindless Boogie e Rong. Slight Delay passou a ser o maxi de re-edits mais vendido de sempre aqui na loja, percorreu o espectro de interessados em rock até house e o seu trunfo principal foi o re-edit de “Sunshine Baby” (Clout), um pedaço genial de reggae psicadélico editado em 1979 e que pudemos ver (e ouvir) Harvey a passar num clip algures no YouTube.

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+ PHOTONZ “Shaboo” (Dissident)
Ano de impressionantes aquisições para o CV dos Photonz (Marco Rodrigues e Miguel Evaristo). Maxis na Dark & Lovely e Astro Lab (Pilooski), Republic Of Desire (Midnight Mike) e DOIS maxis na julgada inacessível Dissident, de Londres. “Shaboo” foi o primeiro, e também a primeira vez que ouvimos oficialmente os Photonz a fazer house com atenção ao detalhe clássico. Uma faixa com sons de Chicago e Ibiza e que respondeu na perfeição a uma das necessidades mais prementes nas pistas de dança em 2008: House. “Shaboo” é feliz, pouco complicado e quebra o gelo inicial na pista. Toda a gente devia ter um.



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Terça-feira, 16 Dezembro, 2008

FACT:29 em stock

fact29

FACT:29
(December 2008/January 2009)
REVISTA – Grátis*

Último número de 2008 (76 páginas), naturalmente dedicado ao resumo do ano mas igualmente recheado de novas propostas para audição. Assim, para além das listas de 20 melhores álbuns e 100 melhores faixas de 2008, podemos ler sobre Jamie Hewlett (Monkey), Salem, La Roux, Tanlines, Crystal Fighters, Zomby (um dos discos do ano para o staff da revista), Roska e Factory Floor. Não faltam também as críticas a discos novos (destaque para Animal Collective, a primeira certeza para 2009). No final, listas do ano de nomes como No Age, Sinden, Simon Reynolds e DFA.

*Grátis na compra de qualquer disco na Flur.


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Quinta-feira, 11 Dezembro, 2008

HIGH PLACES High Places CD

€ 12,95 CD Thrill Jockey

Há poucos meses atrás referimos que “03/07 – 09/07″ seria um dos registos do ano. A compilação dos singles dos High Places editados ao longo de 2007 chegava finalmente a todo um mundo pouco antes do seu primeiro longa-duração entrar no mercado. É com êxtase que o recebemos. Não nos cansamos de Brooklyn nem das suas bandas – só algumas, vá lá – e este duo provoca o efeito de soar a algo novo. Sim, é verdade que lembram Animal Collective, aqui e ali, mas também quem é que se lança numa aventura pop para aqueles lados e hoje não é comparado a eles? Também recordam ambientes da 4AD da mesma forma que os TV On The Radio o fazem, só que High Places parecem crianças a brincar na selva. E ainda Raymond Scott adaptado ao século XXI para crianças com um Magalhães em casa. Canções inocentes onde a inocência não é usada ao desbarato. Travo caseiro onde isso não é sinónimo de intensidade, introspecção, de bom rafeiro, mas de liberdade, qualquer tipo de liberdade. Nada é novo nos High Places, mas parece que sim. Faz-nos sentir frescos, bem-dispostos e com muitas expectativas para o concerto a realizar-se hoje na Zé dos Bois. Coloquem este primeiro álbum de High Places junto de “03/07 – 09/07″ na lista dos melhores do ano.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation

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Quarta-feira, 12 Novembro, 2008

SIMON BOOKISH Everything / Everything CD

€ 15,50 CD Tomlab

Imaginem Sparks, Divine Comedy e Pulp (pelo menos) concentrados num único excêntrico personagem. Simon Bookish faz justiça ao apelido que escolheu (espécie de “marrão” ou “rato de biblioteca”), as suas letras são um delírio de referências e jogos de palavras, num flow com total entrega e carisma, frequentemente acompanhado por trompete, clarinete ou equivalentes sintéticos. É tudo um pouco apocalíptico, lírico e festivo, romântico, primórdios do séc XX, pop desligada de um tempo certo. “Carbon” fala em Buckminster Fuller enquanto, a princípio, parece um hino de devoção gay (“Show me your sweet DNA”), “Victorinox” é, logo, um bom título, tal como “Synchrotron”, um dos mais Pulp no álbum mas também recorda o Felix Kubin mais burlesco. Já agora, “Colophon”, outro título no mesmo espírito, é todo Woodentops na voz, no resto é uma canção barroca com harpa que encerra o álbum com longos segundos de um uuuu feminino logo antes do fim da trasmissão. Estilo e substância num mesmo pacote, “Everything/Everything” não é só um título qualquer, indica uma vontade (que a capa também consegue transmitir) em dominar a matéria do universo.
(Novembro 2008)

[...] Uma da melhores surpresas de 2008. (…) A resposta para quem procura novos sabores para a canção pop. Disco da Semana: 5/5 in In’/DN (Nuno Galopim, 22/11/2008) – link

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Terça-feira, 14 Outubro, 2008

RICARDO VILLALOBOS Vasco CD

€ 16,50 € 12,50 CD Perlon

Cada novo disco de Ricardo Villalobos provoca simultaneamente uma sensação de óbvio reconhecimento e de surpresa por mostrar ainda zonas inexploradas. O seu som é, neste momento, tão característico que, mesmo quando a direcção é claramente dançável (neste disco não é), o som de Villalobos sobe mais alto que a maioria dos outros. Notável é o facto de, em consecutivos discos com temas extra-longos (“Vasco” tem duração de álbum mas apenas quatro faixas), ser possível seguir percursos que ainda não se conheciam. Sonoramente, compensa em absoluto dedicar tempo à audição, não se desiludam se escutarem este disco enquanto fazem outras coisas em casa ou se existir muita interferência exterior porque o que vão ouvir será apenas ritmo. É só na minúcia do detalhe que o génio de Ricardo Villalobos é perceptível, e aí desenvolve-se um mundo de pequenos nadas que, todos juntos, fazem um corpo perfeitamente autónomo e diferente de tudo o resto. Quase não é música mas ciência, microcirurgia, e uma coisa que Villalobos sempre consegue transmitir é que há um coração humano a dirigir todas as operações, por mais sintéticas que pareçam. Mais do mesmo é dizer muito.

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Segunda-feira, 18 Agosto, 2008

NICO MUHLY Mothertongue CD

€ 12,50 CD Bedroom Community

SSó pelo currículo, Nico Muhly tem um percurso que já chama a atenção. Bjork, Bonnie “Prince” Billy, Philip Glass e Antony são alguns dos nomes com quem já colaborou. “Mothertongue” é o segundo álbum e o se o primeiro (“Speaks Volumes”) não puxou pela atenção dos mais distraídos, este já lhe deu direito a imensos destaques, incluindo um profile na prestigiada New Yorker. Dividido em três partes (“Mothertongue”, “Wonders” e “The Only Tune”), “Mothertongue” é uma invulgar incursão na música contemporânea, porque a trata como música pop. Steve Reich, Terry Riley e Philip Glass são referências óbvias, Muhly evoca-os desfigurados em arranjos glaciares, num excesso de pormenores que no aglomerado transformam o espaço da sua música num local tanto aprazível quanto fantasmagórico. A produção, mais uma vez a cargo de Valgeir Sigurdsson, talvez remeta para o universo gélido da Islândia (pense-se em Sigur Rós) numa primeira abordagem, mas as próximas darão para ver que há algo de muito maior ali, não só distinto, com propriedade, mas, perdoe-se a redundância, mesmo Maior. Imaginem Colleen, em versão masculina, imaginem o mundo abstracto analógico dos Books, pensem na arte da colagem de Steve Reich, e amplifiquem tudo isto numa mente mais arrojada, ambiciosa, que faz da música contemporânea (e clássica, já agora) um instrumento pop todo-o-terreno. Uma das melhores surpresas do ano.

[...] Nico Muhly é, aos 26 anos, mais um nome a ter em conta no panorama da música contemporânea nova iorquina. «Mothertongue» é o seu disco mais interessante de sempre. 4/5 in In’/DN (Nuno Galopim, 02/08/08)

[...] Aos 27 anos, o compositor Nico Muhly é um dos criadores mais aplaudidos daquela parte incerta em que a música erudita contemporânea se mete com a música popular e fica difícil distinguir os corpos.(…) A suite “Mothertongue” sublinha os dotes de Muhly como cientista de estúdio. 4/6 in Time Out Lisboa (Jorge Manuel Lopes, 30/07/08)

[...] Através do tratamento de sons concretos, de manipulação minimal, dos detalhs digitais, e de “erros” convertidos em descobertas, assiste-se ao fervilhar de um pulsar orgânico fascinante. 4/5 in Blitz (Pedro Dias da Silva, 01/08/08)

[...] Álbum flexível, arrojado, entusiasmante. 4/5 in Público/Ípsilon (Vitor Belanciano, 01/08/08)

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Sábado, 28 Junho, 2008

DENNIS WILSON Pacific Ocean Blue 2CD

€ 19,95 2CD Columbia

Dennis Wilson, o irmão do meio de Carl e Brian, foi durante muito tempo considerado o menos talentoso dos três. Atrás da bateria, o seu cunho na banda só se começou a sentir fortemente em finais da década de sessenta. A sua carreira a solo ficou assinalada apenas por um álbum editado, este “Pacific Ocean Blue”, e um outro que ficou por editar, “Bambu”, que é um extra desta edição de luxo (há muito esperada), onde se incluem também algumas sessões nunca antes editadas, um óptimo booklet físico e um outro digital dentro do primeiro CD. “Pacific Ocean Blue” foi o primeiro álbum a solo a sair de um dos Beach Boys. Estava-se em 1977, cinco anos antes da morte de Dennis. Ele era o mais rebelde dos irmãos mas entrega aqui uma obra intensamente melancólica, longe do universo dos Beach Boys e muito pessoal. Álbum lendário, muito vincado pelo seu tempo, sem que isso lhe reduza o interesse trinta anos depois. Afinal, trata-se de pop perfeita, daquela que emanava dos irmãos Wilson com extrema facilidade e mesmo aqui, sem sol, ondas, motas, raparigas e a efusão da juventude, sente-se o fulgor, a imaginação, a atenção ao detalhe que lhe corria no sangue. Rock adulto, próximo de zonas que receamos abeirar, perdido no tempo, na história do rock e, logo, também perdido na memória, “Pacific Ocean Blue” foi este ano recuperado numa edição essencial, perfeita, completa, adequada a este passo a solo de Dennis Wilson.

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Segunda-feira, 23 Junho, 2008

BJORN TORSKE Kan Jeg Slippe? 12″

€ 8,95 12″ Sex Tags Mania

Se o seu álbum não satisfez porque não soava coeso e, mesmo na liberdade de opções, não transmitia nada de especial que não fosse quase sempre melhor dito por outros, nos maxis “NY Lugg”, “As’besto”, “Kokt Kveite” e agora em “Kan Jeg Slippe?” é sempre perfeito. Duas, três faixas que não falham nunca, uma tendência forte para o exotismo associado a outras paragens sem qualquer tentativa de ser étnico – se soa africano, por exemplo, soa africano como se vivesse na L.A. de “Blade Runner”. “Kan Jeg Slippe?” são mais dois temas de fúria psicadélica, hipnóticos, com um groove mesmo ao lado do que é normal nas pistas de dança. Disco mutante no sentido mais puro do termo, abre as portas da floresta densa especialmente no lado B “Vond Vane”: improvisação, Martin Denny e 23 Skidoo no outro lado do mundo.

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Segunda-feira, 23 Junho, 2008

FLEET FOXES Fleet Foxes 2CD

€ 16,50 2CD Bella Union  ENCOMENDAR

Filhos de Seattle, Fleet Foxes surpreenderam tudo e todos ao longo deste ano. A crítica foi unânime e garantiu lugares cimeiros em muitos tops de fim de ano. O som não é novo, mas eles fazem-nos acreditar que sim. Há muitas influências por aí, mas poucos ousam deambular pelo universo dos Fairport Convention, ou mesmo Steeleye Span, com tanta convicção. As suas canções têm aquela ruralidade ausente de grande parte da música folk actual: é folk de raízes, ou não, mas muito pouco rural/pagã. O mais estranho mesmo nisto tudo é serem de Seattle, aliás, dos Estados Unidos, e não uma banda dos confins do Reino Unido. Soam a uns Super Furry Animals assumidamente folk, versão século XXI, mas o que os afasta de tudo o resto, e os coloca num lugar especial, é que fazem isto com um cunho indie de uns Built To Spill, Shins (até contrataram Phil Ek para produzir o álbum, que já trabalhou com estas duas bandas), Band Of Horses e My Morning Jacket. O EP “Sun Giant” prometia imenso e “Fleet Foxes” é o registo que faltava para os afirmar como um dos grandes nomes do indie norte-americano de 2008.

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Sexta-feira, 13 Junho, 2008

GAS (WOLFGANG VOIGT) Nah Und Fern 4CD

€ 24,50 4CD Kompakt

Começando pelo fim, esta será, decerto, uma das grandes reedições do ano: uma caixa com os quatro álbuns de Gas, um dos múltiplos projectos de Wolfgang Voigt, e, vendo à distância de uma década, talvez um dos mais determinantes. Em 1995, alguns anos antes de Vladislav Delay entrar em campo e em sintonia com alguns avanços laboratoriais da Basic Channel, um maxi na Profan daria o ponto de partida para uma nova visão do techno, tão difusa e original que quase anulava os seus princípios básicos – o ritmo – para os fazer emergir numa enigmática nuvem ambiental, hipnótica e declaradamente hipercalórica. “Gas”, em 1996, traçava todos os caminhos a percorrer sem esconder nenhuma das intenções; “Zauberberg”, no ano seguinte, seria mais penetrante, abrindo o leque de tons e cores, aumentando o nível de rarefacção ruidosa; “Königsforst”, 1998, intensifica o ritmo cardíaco e destapa uma noção simulada de melodia por entre as trevas; “Pop” poria o ponto final a Gas em 2000, num cristalino e ultradefinido álbum, repleto de luz e detalhes, denotando uma maior predominância ambiental e pondo o ritmo quase em surdina. Há, claro, um longo labirinto implícito nestes quatro álbuns, que com novo layout formam claramente 4 peças de um puzzle incompleto e críptico. Em 1995, muitas das hipóteses seriam abertas como Mike Ink no álbum “Life’s A Gas”, mas só depois desta tetralogia ficou claro todo o alcance sonoro dos loops e do ambientalismo de Wolfgang Voigt. Basta escutar todas as ondas que replicaram Gas desde então.

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Sábado, 10 Maio, 2008

JAMES PANTS Welcome CD

€ 15,50 € 12,50 CD Stones Throw

De repente aparece um nome para isto: Freshbeat. Cruzamento de boogie, disco, rap, pós-punk, kraut, soul e electro, em “Welcome” tudo orquestrado por Pants, James. Toca guitarra, bateria, teclas e canta, nada de extraordinário no mundo moderno mas nem todos o conseguem fazer com credibilidsade old school como “Welcome” transmite em três tempos. A profusão de estilos compactados num único álbum não compromete de todo a fluidez nem a direcção estética da música e reforça a ideia de que no centro do hip hop enquanto cultura musical está uma curiosidade infinita por fragmentos de todo o universo. Ouvido treinado, sentido rítmico, reciclagem sábia e muitos anos a ouvir pop das charts. Peanut Butter Wolf acrescenta que Pants consome psicadelia dos 60s e electrónica dos 70s. Num registo quase nada hip hop, “Welcome” assemelha-se em espírito aos Majesticons de Mike Ladd, “Ka$h” talvez seja o melhor exemplo disso. Vai também buscar Gary Davis (Chocolate Star), lendário produtor disco-funk e mais tarde miami bass. É no entanto a loucura natural de um puto que devora música o que vemos em acção neste álbum, trabalho de amor, entusiasmo e talento natural numa editora em que essas características não faltam. Pants segue as pegadas de Madlib e Peanut Butter Wolf mas também deixa as suas em locais estratégicos onde se nota uma direcção diferente. Rock on!

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Terça-feira, 22 Abril, 2008

RINGS Black Habit CD

€ 14,95 CD Paw Tracks

Rings retrata uma nova vida no trio anteriormente conhecido como First Nation. Mudança de nome por uma questão de identidade e de sentido de localização com o que agora criam. Nina Mehta, Abby Portner (irmã de Dave Portner dos Animal Collective) e Kate Rosko sentem que produzem música circular, ajudada pelo que ouvem nascer das suas três vozes em conjunto e dos instrumentos de que se fazem acompanhar: teclados, percussão e guitarra. Se na primeira vida se colocavam no universo feminino da Nova Iorque dos Gang Gang Dance, Animal Collective, Black Dice e Excepter, como Raincoats e Slits no pós-punk britânico, em “Black Habits” deslocam-se por completo dessa realidade embora este disco recorra a muitos argumentos de “Odyshape” (segundo álbum das Raincoats). Há aqui qualquer coisa pessoal a funcionar, mais do que o enquadramento numa cena, ou numa cidade, expõe-se a vivência e a prática destas três mulheres ao longo dos últimos dois anos. Não soam a nada que se faça à volta, embora seja fácil julgá-las como “Animal Collective no feminino” mas são mais um híbrido de festa na selva (género anúncio de UmBongo) com a paixão ácida dos Gang Gang Dance pelos anos oitenta. Música urbana que parece deslocada do seu espaço, com centro na folk mas ritmos influenciados pela pop, r&b e hip hop dos nossos dias. Kia Brekken, antigo elemento dos islandeses Múm, produz o segundo álbum deste trio e concilia a rebeldia inata da música com a singeleza e inocência da sua anterior banda. Ou talvez não o faça e isso seja mesmo habilidade natural das Rings (escondida no ruído de “First Nation”). “Black Habits” chega-nos limpo de impurezas da inexperiência, embora isso não signifique o aborrecimento da maturidade, mas tudo o que era bom e incrível nas First Nation chega-nos agora de forma evidente, transparente, nas Rings.

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Domingo, 17 Fevereiro, 2008

VAMPIRE WEEKEND Vampire Weekend CD

€ 14,50 CD XL  ENCOMENDAR

No campeonato de brancos indie que querem ser pretos, os Vampire Weekend ganharam o troféu de 2008. O homónimo álbum desta banda de Brooklyn é tão bom no que faz que bateu toda a concorrência em 2008. Há vestígios de imensas coisas, tantas, mesmo tantas, que recordar e praticar a arte de debitar nomes é a mesma coisa que mostrarmos a uma criança que sabemos a tabuada dos múltiplos de três. Ou seja, para quê fazê-lo se é assim tão óbvio? É esse um dos fascínios da pop actual: fechar os olhos. Fechar os olhos a muita coisa, ignorarmos – bem, não tanto, mas esquecer temporariamente – as referências e cairmos na música como um entretém. É bom? Não deve ser. Mas sabe estupidamente bem. Esse hedonismo ignorante é uma óptima razão para mantermo-nos vivos e não nos chatearmos com muita coisa. A parte boa é que não temos de estar de acordo com isto, nem nos reconhecermos, para cairmos no vício da pop criada a metro e saída dos putos nova-iorquinos que iam aos concertos de Animal Collective há seis anos atrás e que depois se puseram a sacar a discografia completa do David Byrne (e Talking Heads), do Arto Lindsay (e as duas dezenas de temas dos DNA) e ouviram muitas vezes “Graceland” de Paul Simon, ou pelo menos foi o que pareceu a quase toda a gente. Os dois primeiros singles, “Mansard Roof” e “A-Punk”, chamaram logo a atenção. E se muitas vezes os singles são apenas excelentes canções enfiadas num bolo que sabe muito mal, os de “Vampire Weekend” além de serem muito representativos (ainda há “Oxford Coma”), são apenas um acaso – o de serem singles – num conjunto de tão boas canções. Óptimo, tão raro, e por associação tão honesto.

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Sexta-feira, 15 Fevereiro, 2008

ANTONELLI Soulkiller CD

€ 14,95 € 12,50 CD Italic

Os quase 10 anos de existência da Italic e, em simultâneo, de discos de Antonelli (na época Antonelli Electr.), já não prometiam surpresas. Stefan Schwander, co-fundador da editora, explorou muitos recantos techno, house minimal e electro com maior ou menor consequência, construindo uma sólida reputação mas quase sempre na sombra de quem realmente provocava os avanços na música. “Soulkiller” é um avanço no som da Antonelli, e ao mesmo tempo um retrocesso, já que a inspiração e a base sonora se encontram nos primórdios da house americana e até, em “Arrival”, numa segunda geração baseada em Sheffield (LFO, sobretudo). O tema final, “The Name Of Ths Track Is Bobby Konders” não deixa dúvidas sobre as intenções de um álbum gravado com caixas-de-ritmo analógicas, sequenciadores e sintetizadores, tudo directo para fita! Mas outros heróis inspiram Antonelli: Terry Hall (Specials, Fun Boy Three) e Hamilton Bohannon alimentam a criatividade da música, mesmo que (e ainda bem) nela não exista nenhuma referência directa a esses nomes. Deep house com linhas de baixo antigas, contenção, explosões nos sítios certos, em cheio para quem gosta do som próximo das raízes, directo, a representar. Não há tentativas de futuro aqui. “Soulkiller” está já anotado como um dos álbuns house de 2008.

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Domingo, 10 Fevereiro, 2008

BRUNO PRONSATO Why Can’t We Be Like Us CD

€ 15,50 € 12,50 CD Hello? Repeat

Pronsato trabalha com o mesmo nível de detalhe de Kalabrese e um sentido orgânico de percussão que só conhecemos de Luciano mas especialmente Ricardo Villalobos. Próximo ainda do arranque minimalista/clicks & cuts da costa Oeste no início do século (Sutekh, Twerk e outros), Bruno Pronsato, de Seattle, trabalhou disperso por vários maxis, desde 2003 até agora, quando um álbum completo parece ser o formato em que melhor pode desenvolver a sua arte. Sem receio, ‘Arte’ é mesmo a palavra certa para classificar o que se ouve no álbum: uma sucessão infindável em aparência de pequenos nadas que se juntam em agrupamentos cada vez mais consequentes até chegar à cidade-Estado que é cada uma das faixas em “Why Can’t We Be Like Us”. As regras são mais ou menos conhecidas desde que a Mille Plateaux notoriamente publicou o manual clicks & cuts por volta do ano 2000, mas por muitos discos que se tenham escutado desde então, a sensação em 2008, depois de ouvir este álbum (e com vários discos de Villalobos já bem escutados), é que o manual funcionou afinal não como um conjunto de regras finitas mas como ADN a ser recombinado por criadores com suficiente imaginação para se distinguirem de… bom, todos os outros. Com este álbum, Bruno Pronsato atinge um nível de apuro impressionante, há jogadas de composição realmente inventadas por ele, e um prazer enorme em descobrir tudo dentro de auscultadores com o volume certo. As aparições fugazes de voz não tentam nunca fazer-se passar por tentativas de canção, e a superior utilização de sons acústicos (percussão, palmas, p ex) é o definitivo pormenor que transforma o disco em algo mais total do que a categoria de ‘música electrónica’. Ouvir para acreditar.


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