Mailing Lust Especial #451
 
 
Este ano foi mesmo verdade, aliás, foi mais verdade do que noutros anos: os doze meses foram pouco tempo para fazer tudo o que gostaríamos de ter feito. É a eterna frustração de estar vivo mas também o eterno fascínio, não conseguir fazer tudo e poder esperar fazê-lo no futuro. Se é certo que a água tende a rarear, isso já é um facto preocupante com o Tempo. Vivemos na utopia permanente de que "no final desta semana é que é"
mas nunca é : (
Vivemos, também, num meio em progressiva desagregação. Foram várias as falências, desaparecimentos e recuos no meio musical físico que nos afectaram directamente. À nossa volta abre-se cada vez mais espaço, por baixo de nós também. Como na generalidade do país (do mundo?) trabalharam-se mais e mais horas para os mesmos ou inferiores resultados. Mas foi outro ano excepcionalmente rico em termos de música, a verdadeira alma do negócio, e também excepcionalmente frustrante pela incapacidade de traduzir em vendas a música em que se acredita, porque, claro como a água, estamos na periferia do mercado e os objectos encarecem a cada passo que dão para chegar cá, onde o pouco que se produz não consegue de forma alguma ser atractivo para um consumo sustentável. Para muitos, uma loja física de discos é uma peça obsoleta na engrenagem, uma manutenção retrógada de um tipo de consumo em processo não de extinção mas de avanço para uma exclusividade que se teme inevitavelmente elitista, até pelos preços: o chamado "regresso do vinil" suscitou reedições mais luxuosas e, como tal, muito caras. Fomos abordados várias vezes para comentar esse regresso, encolhendo os ombros porque, para nós, o vinil existe da mesma forma desde que abrimos em 2001. A Flur cumpriu 7 anos e no aniversário desejámos coisas que não vamos dizer: algumas são feias e outras tão bonitas que se calhar são irreais, iam rir-se de nós.
Este é o último texto a ser escrito para o resumo do ano, e as palavras mais importantes que queremos transmitir são estas: muito obrigado a todos os que nos visitaram, telefonaram, escreveram, regatearam, concordaram e não concordaram, compraram e apoiaram, acreditem que em 2008 vocês foram ainda mais a razão da nossa existência.
O Lux e a rádio Oxigénio deixaram-nos espalhar informação por mais pessoas, a sua ajuda foi preciosa. O restaurante Bica do Sapato emprestou-nos a magnífica esplanada para a sessão Slight Delay em Outubro. E obrigado ao Tiago, Alcides e Joana, que trouxeram bolinhos, vinho e champanhe. É o que se leva desta vida : )
 
Flur
Santa Apolónia, 31 de Dezembro de 2008
ÁLBUNS
Ano fragmentado nas escolhas,
nenhum Panda Bear para carregar as almas de todos para aquele lugar bonito.
Ainda assim, quando comparámos listas, Gala Drop foi unânime.
Para uns de nós primeiro, para outros top 5,
mas com sistema infalível de pontuações o resultado fez plena justiça
ao nosso sentimento de que aqui está um disco perto de casa mas que alcança muito muito longe.
No tempo e no espaço.
Gala Drop procura o ilimitado, no amor que tem a todas as músicas.
Sentimos isso, fez-nos muito felizes ao ouvir o disco e retribuímos da maneira tosca que os seres humanos têm: premiando.
Todos os outros discos ficaram inevitavelmente abaixo,
mas este ano não conseguimos falar apenas de dez.
São vinte os discos que achámos mais importantes em 2008.
Não são todos os que existem, não ouvimos tudo o que se fez.
Este é apenas o nosso universo.
Obrigado por prestarem atenção.
 
 
 
 
1   GALA DROP "s/t" (Gala Drop)
Lisboa no centro do mundo, mas Lisboa também como espaço de absorção de inúmeras referências culturais das últimas quatro décadas, projectada por duas das pessoas que mais ajudaram a colocar esta cidade num mapa qualquer (decidam vocês qual) nos últimos anos: Tiago Miranda (Os Loosers, Dezperados, Slight Delay, etc.) e Nelson Gomes (antigo programador da ZDB, hoje Filho Único). A completar o trio, Afonso Simões (Fish & Sheep, Phoebus, Curia, etc.), um dos músicos mais talentosos da sua geração. Juntos gravaram o melhor álbum português das últimas duas décadas (Guilherme Gonçalves substituiu, entretanto, Tiago Miranda). O exagero pode ser levado para onde se quiser, por quem quiser. Mas é isso que se sente com "Gala Drop", disco do presente onde linguagens do passado, de todos os cantos do mundo, história e cultura se fundem para marcar um tempo, uma geração, par a par com géneros, modas, gostos que a era da informação nos concede. É para isto que se faz música.
 
2   GANG GANG DANCE "Saint Dymphna" (Warp)
Esperámos muito por "Saint Dymphna" e o pouco que nos foi chegando era de chorar por mais. "House Jam" (canção do ano) foi de um teasing abusivo para quem suspirava pelo sucessor do genial "God's Money". Os Gang Gang Dance consolidaram a adaptação do seu som, da sua experimentação e da colagem, ao formato canção. É música de dança improvável, há muita coisa a acontecer para reagir mas também para nos deixar a pensar. É um disco de géneros, mas sem género. É a obra que melhor concretiza o caminho tomado hoje pelas bandas de Nova Iorque (Black Dice, Excepter e Gang Gang Dance) que mais contribuíram para a destruição e reinvenção do formato rock na canção de hoje.
 
3   HIGH PLACES "High Places" (Thrill Jockey)
Nada resta para inventar na música (dizem), mas ainda ninguém tinha tido o descaramento de imitar os Young Marble Giants (pelo menos tão bem). Este álbum homónimo é um seguimento natural da compilação de EPs lançada meses antes e confirma o estatuto de reis do minimalismo na pop-rock actual. Os High Places fizeram sentir que faltava algo nas nossas vidas, preenchido pelo vocabulário primitivo e repetitivo de Mary Pearson e Robert Barber. É obra soar tão bem hoje como da primeira vez, tão bonito e honesto.
 
4   BEACH HOUSE "Devotion" (Bella Union)
Falámos de "Devotion" em Março e parece que nunca nos abandonou desde então. Porque fomos gostando cada vez mais dele e porque o nosso affair culminou quando nos encontrámos todos - nós, vocês e eles - no Maxime e Passos Manuel, em Novembro. Ou seja, um longo ano de confessa paixão crescente pela voz sussurante e encantadora de Victora Legrand (grande nome, já agora) e pela delicada e hipnotizante companhia sonora de Alex Scally. Chamem-lhe shoegaze em surdina ou banda sonora perfeita para piscarmos o olho a alguém e fazermos o move perfeito. Como o álbum exactamente acima deste, terão havido poucos discos tão coesos durante 2008.
 
 
 
 
5   QUIET VILLAGE "Silent Movie" (!K7)
Tudo aquilo que Matt Edwards e Joel Martin prometiam com os maxis na Whatever We Want. Quase todas essas faixas estão aqui incluídas, mas o disco tem uma visão panorâmica que se sobrepõe à sensação de já as termos ouvido antes. "Silent Movie" é feito com excertos de muita música, é uma espécie de enorme re-edit de um passado musical abrangente, cuja estratificação por géneros deixa de fazer sentido. Música de filme, de bar, salão, campo (raramente de cidade), praia, de estrada e de alpendre. A todos se adapta e a todos quer mimar com os seus segredos ao ouvido.
 
6   NICK CAVE & THE BAD SEEDS "Dig!!! Lazarus Dig!!!" (Mute)
Sempre tivemos o maior respeito por Nick Cave - a relação vem de muito, muito longe - mas "Dig!!! Lazarus Dig!!! fez com que fossemos surpreendidos pelo soberbo punch, violentamente criativo, repleto de ideias e histórias. A começar com o próprio papel de Cave, que aqui só nos faz lembrar a personagem de Daniel Day-Lewis em "There Will Be Blood", apesar de ter sido noutro western que acabou por fazer a sua aparição - "The Assassination Of Jesse James By The Coward Robert Ford". Isto só pode significar que a sua música cada vez mais sugere imagens e enredos, e isso significa que Cave está no controlo das operações com o nervo que recentemente pensámos extinto.
 
7   RINGS "Black Habit" (Paw Tracks)
Anteriormente First Nation, as Raincoats de Brooklyn séc. XXI chamam-se agora Rings e mantêm aquilo que nos fascinou em "First Nation". "Black Habit" é rebeldia madura, o "Odyshape" de uma década que criou o seu próprio pós-punk e não lhe conseguiu dar um nome para mais tarde recordar. Contudo, nada disto é pós-punk, e sim um registo de sensibilidade e sensualidade femininas, caloroso, sedutor, atípico e corajoso. É o charme da ausência, da estranheza, da liberdade e dos sonhos que estas três raparigas conseguem recriar e transpor para as suas canções. E não houve nenhuma outra em 2008 como "Teepee".
 
8   BONNIE 'PRINCE' BILLY "Lie Down In The Light" (Domino)
Passou ao lado porque é normal que canse ver Will Oldham associado a tantos discos. E se a desculpa é haver tanta coisa para ouvir, a resposta é que o lugar para os grandes oradores da canção americana estará sempre garantido. É, para nós, o seu melhor disco desde "Master & Everyone", já longe do negrume de outros dias, agora a sua música não é marcada pela ausência, mas por uma jovialidade que seria difícil de encontrar há uns anos. Não há muita gente que mude tanto e se mantenha intacta. Génio.
 
 
 
 
9   BERNARDO DEVLIN "Ágio" (Nau)
A questão é extremamente simples: que disco português vocês ouviram, assim, na vossa vida? Mas a resposta é ainda mais simples: nenhum. Não é, obviamente, a raridade que valoriza "Ágio". São as suas canções únicas, despojadas e na nossa cara, sem artifícios, sem decorações, apenas com a voz performativa de Devlin e os seus impressionantes arranjos semi-acústicos e semi-electrónicos que nos hipnotizam e espantam a cada revisitação. Parece um disco perdido no tempo, mas também parece um disco para uma ideia de futuro. A vantagem é podermos ouvi-lo agora mesmo. Não é para todos, é verdade; é para quem quer.
 
10   DEERHUNTER "Microcastle / Weird Era Cont." (4AD)
Bradford Cox não só conquistou o lugar de perturbadinho da música independente norte-americana como tornou muito difícil o papel da figura que se lhe seguir. Além disso, foi responsável por dois dos melhores lançamentos que vimos sair neste ano, a solo como Atlas Sound ("Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel") e este "Microcastle" com a banda que o popularizou, os Deerhunter. Obra incrível, marcante, a assinar shoegaze em nome próprio. Coisa rara nos dias que correm.
 
11   THE LAST SHADOW PUPPETS "The Age Of The Understatement" (Domino)
A ideia de um disco de época não é exactamente empolgante, mas "The Age Of The Understatement", embora soando como um grande disco de 1968, é desconcertante de tão perfeito nas melodias vocais atribuídas à maioria das canções que compõem o álbum. Metade Arctic Monkeys (Alex Turner) e metade Rascals (Miles Kane), é um glorioso hino a um certo classicismo orquestral na pop de 60s (obviamente Scott Walker). Oiçam estas canções quase todas perfeitas, reparem como se canta para uma rapariga de quem se gosta. "Standing Next To Me" é a canção power pop do ano.
 
12   RICARDO VILLALOBOS "Vasco" (Perlon)
Enquanto os indicadores apontam agora para longe da ideia de minimal praticada por uma legião de produtores na segunda metade desta década, Ricardo Villalobos mantém-se ocupado, em campeonato próprio, a aprimorar a sua noção de tempo e espaço. É de ciência que se trata, embora uma ciência que também é emocional na forma como desperta suspiros de adesão. Quatro faixas longas, e perdoem o cliché mas mais uma vez temos de ouvir faixas longas de Villalobos porque não é música de mudanças súbitas, muito menos de crescendos. "Vasco" parece acontecer inteiramente dentro de uma bolha imaculada onde nada consegue falhar, mesmo que provoque o erro.
 
 
13   MGMT "Oracular Spectacular" (Sony/BMG)
Hit atrás de hit, é difícil nomear as canções de que gostámos em "Oracular Spectacular". Pop por excelência, coração apontado para o psicadelismo e explosões dos Flaming Lips, mas cabeça virada para os flashes e imediatismo orelhudo que colocou estas canções em tudo o que era sítio e "actual". É o efeito maior do que a vida durante quinze minutos, o disco que levaríamos para uma ilha deserta durante aquele mês e meio em que não conseguimos parar de o ouvir.
 
14   SIMON BOOKISH "Everything/Everything" (Tomlab)
Simon Bookish segue a longa tradição da pop intelectual, ávida de referências literárias (e neste caso também científicas) para complementar a sua óbvia necessidade de ser popular (ou não se chamaria pop). A visão particular de Simon Bookish faz-se a partir de uma concentração pomposa de Divine Comedy, Pulp, Final Fantasy e Felix Kubin, resultando em canções clássicas, energéticas e espertas, à espera de uma mera distracção para conquistarem o mundo. Termina com "Colophon", que diz "If I died tomorrow, what difference the tie I used?"
 
15   EXCEPTER "Debt Dept." (Paw Tracks)
Num ano em que "Saint Dymphna" dos Gang Gang Dance despertou muita gente para o lado pop de uma geração de músicos vindos de Nova Iorque que cresceu ao longo desta década, "Debt Dept." foi uma espécie de preâmbulo de todo esse acontecimento. Disco "comercial", o possível para uma das bandas mais inventivas deste século e que nunca nos deixou ficar mal. O êxtase de outros dias foi substituído pela batida e uma pérfida piscadela de olho à música popular.
 
16   FENNESZ "Black Sea" (Touch)
Parece estranho que Fennesz, que tantos discos teve com o seu nome nos últimos anos, só apareça nas listas quando faz um álbum a solo. Correndo o risco de sermos injustos, o seu mundo ganha cores e relevos impressionantes quando está sozinho e expõe tudo aquilo que sabe fazer tão bem. Em "Black Sea" há um equilíbrio estonteante entre o doce e o amargo, e nem mesmo todo o lado noise e experimental do seu vento electrónico parece afastar a atracção que Fennesz consegue impor em tanta gente. Foi lindo ver "Black Sea" como um dos discos mais vendidos na Flur (lista a divulgar para a semana), mas mais lindo ainda é ouvi-lo e ficar com vontade de repetir a audição.
 
 
17   NEWWORLDAQUARIUM "The Dead Bears" (Delsin)
Com edição em vinil em 2007, CD apenas em 08, "The Dead Bears" estendeu o seu poder narcótico por mais um ano. Quente e coeso como Burnt Friedman na fase Nonplace Urban Field (oiçam "Nike Air" de 1996), este é um álbum que recicla habilmente várias heranças associadas à música de dança para as reintroduzir no loop contemporâneo. Há aqui sobretudo muito da cultura de re-edits que alimentou a primeira vaga de house e muito do ambientalismo pós-techno que sonorizou salas de chill-out há 15 anos.
 
18   FLEET FOXES "s/t" (Bella Union)
Álbum barroco para as massas, sem masoquismo ou excentricidade nefasta. "Fleet Foxes" é Neil Young em 2008 ou Brian Wilson a tripar noutra maré, mas também deve muito à folk inglesa de finais de sessenta e da década de setenta (Fairport Convention e Steeleye Span, por ex.). Cinco jovens de Seattle recuperaram um imaginário hippie "easy rider", coloriram-no e tornaram tudo tão infantil quanto onírico, num dos álbuns que maior consenso crítico reuniu em 2008.
 
19   NO AGE "Nouns" (Sub Pop)
"Weirdo Rippers" era uma recolha de trabalhos deste duo, distribuídos localmente ou de edição limitada, que num todo não formavam matéria consistente para um álbum. Passou ao lado, infelizmente, mas "Nouns", longa-duração à séria, chamou a atenção do mundo para si e revelou um lado mais pop de Randy e Dean, fundindo Beach Boys/Nirvana/Black Flag/Black Dice em canções imediatas e inesgotáveis. O concerto na Zé dos Bois confirmou esse estado de glória; 2008 foi um ano também deles, tal como 2007 já o havia sido.
 
20   ACTRESS "Hazyville" (Werk)
Quando parecia que o 2008 seria, graças a Zomby e ao seu testemunho ácido, um grande ano de regresso da Werk, eis que o seu patrão decide mostrar como se eleva a fasquia reanimando o nome de combate Actress e colocando "Hazyville" no mercado numa altura suficientemente tardia para se camuflar na paisagem e passar despercebido à maioria das pessoas. Connosco não resultou, pois seria criminoso ignorar 45 minutos de total hipnose sonora, feita como se Londres fosse o ponto intermédio entre a nova população techno de Detroit e o ritmo empoeirado de Berlim. Naturalmente que os ecos desta revelação se irão sentir por 2009 adentro, pois há quem fale em obra-prima por aqui.
 
 
SINGLES
Se Brooklyn foi - de novo - um incontestado centro criativo para muita música vital que se ouviu em 2008,
Detroit reaparece com um protagonismo que, neste capítulo,
talvez só tenha conhecido quando Juan Atkins, Kevin Saunderson e Derrick May praticamente funcionavam como uma só entidade.
Detroit foi Motown e Eminem, também, foi base de George Clinton,
e quase tudo isso se manifesta de alguma forma em música genial que incluimos na nossa complicada lista de melhores singles do ano.
Omar-S, Reggie Dokes e Theo Parrish mas também, em espírito, Tim Toh e Johannes Volk.
Podem reparar na fraca representação pop/rock,
talvez porque na maioria dos casos os singles acabam por ser faixas de álbuns,
o que não acontece por regra noutras áreas.
Quase todos os títulos abaixo são orfãos de álbuns.
Tudo explicado com algum detalhe nos textos respectivos.
Este foi um ano particularmente abençoado.
 
 
 
 
1   OMAR-S "Psychotic Photosynthesis" (FXHE)
1   OMAR-S "Psychotic Photosynthesis #2 (no drum mix)" (FXHE)
O #2 surge perto do final do ano e pulveriza a concorrência. Versão sem beats do maxi que saiu em Janeiro com o mesmo título, serenata dedicada aos Céus, uma produção da nova escola de Detroit, Omar-S a chegar a corações neutros, não-militantes de house. A versão com batida transporta a pista de dança para uma dimensão quase surreal de prazer no rodopio psicadélico dos seus tons. Para nós, sai da mesma matéria que gerou "E2-E4" (Manuel Göttsching), e mesmo que não confiem em nós, vejam as vezes que Omar-S aparece nas listas que publicamos mais abaixo. Supremo. E se for arrogante ainda melhor, porque tem o direito.
 
2   BJORN TORSKE "Kan Jeg Slippe?" (Sex Tags Mania)
Bjorn Torske representa o tipo de produtor que respeita totalmente os maxis como obras completas, não como meros excertos de algo maior. "Kan Jeg Slippe?" oscila entre Norte e Oeste de África, Nova Iorque e a nossa cabeça, um monumento ao poder hipnótico da música, banda sonora para uma realidade vodu, uma receita exótica para nos enfeitiçar com poções que deitam fumo negro (não fumo branco). A Noruega guarda ainda tesouros imensuráveis. Homens do Norte.
 
3   REGGIE DOKES "Rain Redemptive Love" (Philpot)
África em todo o lado, este ano, e inegavelmente no beat de "Love", primeira faixa do disco logo a trazer Tony Allen para tocar air drums no estúdio de Reggie. No outro lado, "Rain On Me" mistura piano, cordas e um sintetizador desregrado que ousa suplantar em atitude o som de Carl Craig, tudo demasiado perfeito para ser ignorado. Amor pelo universo e esperança no ser humano podem ser sentimentos fora de moda, mas Reggie Dokes não sabe disso. Ainda bem.
 
 
 
 
4   TIM TOH "Join The Resistance part I" (Philpot)
4   TIM TOH "Join The Resistance part II" (Philpot)
Duas partes de uma série de três, um dos manifestos mais revolucionários na renovação actual da house, quando um género passa a ser descrito apenas como Música. Parte I mais tribal e desnudada, com ritmos a chocarem com esqueletos de melodias, tudo em sacrifício ao groove. Mais romance na parte II mas sempre enroscado na batida que não deixa nunca esquecer que há um coração pulsante. Amigos, "Three", na parte II, concentra quase tudo o que queremos ouvir: balanço, espírito, açucar, loucura, paixão, Sol e tempestade, morte e redenção - é bonito de morrer e também tem África. Tim Toh fez isto aos 22 anos, outro dia.
 
5   THEO PARRISH "Love Triumphant" (Sound Signature)
Uma das jams mais cósmicas do ano quando nos escaparates não está marcado como Cósmico, é esse o destino dos que se desviam permanentemente do centro onde são colocados. "Love Triumphant" irradia uma luz intensa, e sob essa luz vemos com clareza que não é alguém da música de dança a tentar fazer jazz, não se trata da pobre mímica que é celebrada como "homenagem", não é electrónica a fazer de conta que é acústica, isto brota da terra directo lá para cima, sem tempo para se agarrar a nomes ou referências: jazz, minimalismo, kosmischer pitch, house, são os nomes que nós, pessoas comuns, temos de colocar nas coisas para podermos descrevê-las. "Spacebumps" completa o disco em típico modo Theo Parrish de stop-start e malhas de Rhodes. Fora de tudo.
 
6   THE JUAN MACLEAN "Happy House" (DFA)
O dance-punk da DFA, já com um historial impecável, excedeu-se em "Happy House", Sol e mais Sol e nova inspiração DFA em Siouxsie & The Banshees. Tudo magnífico, em harmonia, quase 13 minutos de felicidade (mais do que às vezes se consegue num dia) com a voz de Nancy Whang a dirigir uma cruzada em direcção ao escapismo boa onda que só house, disco e pop conseguem natural e honestamente. "Happy House" reúne o melhor dos três géneros, abre uma porta larga para toda a gente e, quando o plano abre mais para revelar o cenário completo, os corpos que dançam formam um smiley gigante. É assim tão bom.
 
 
 
 
7   JOHANNES VOLK "The Day We Met Again" (Lifeworld)
A Alemanha, ligada espiritualmente a Detroit desde a aliança da cidade norte-americana com o clube Tresor em Berlim, produz uma nova geração de nomes que unem os feixes de ambas as proveniências para os concentrar num único, mais poderoso, apontado ao Cosmos. Tim Toh, de forma já descrita, e Johannes Volk em groove de total felicidade e comunhão. Imaginem samba, Jeff Mills, jazz astral, som atonal e Atom Heart da fase B.A.S.S. (que já era isso tudo em 1995) com licks de guitarra, rapidamente (bem acima das 120 BPM) em movimento de progressão. Se fosse mau seria quase histérico, mas deste modo são flores a multiplicarem-se num campo. Genial e aguerrido e, em ano Wall-E, a faixa do meio chama-se "Robot Love".
 
8   MATHEW JONSON "Symphony For The Apocalypse: New Age Revolution" (Wagon Repair)
Num ano em que a Wagon Repair, com produção mais banal, acabou por sair um pouco dos radares, este maxi destaca-se claramente. MJ exercita a sua tendência analógica em duas faixas intensas que convocam Autechre e o Apocalipse. São dois épicos de pleno direito, sujos e carismáticos, a vender personalidade numa época digital de cada vez maior formatação genérica na cena techno. Muito respeito.
 
9   GHOST NOTE "Holy Jungle" (Golf Channel)
Com a Whatever We Want fora do nosso plano de 2008 (acreditem que tentámos tudo), foi a Golf Channel, também de Nova Iorque, quem permaneceu para nós como a editora a coleccionar, no que respeita a futuros clássicos do underground cósmico. "Holy Jungle" representou a magia negra nas pistas de dança, um kick forte, cordas dissonantes, guitarra com barba, coros e um ambiente soturno quebrado pelas sempre infalíveis palmas. Mark E entrega uma remistura em suspensão hipnótica.
 
10   SLIGHT DELAY "Sufi Surfer" (Rong)
A espantosa folha de serviço deste disco na Flur, desde que chegou em Setembro, contribuiu em grande medida para a inclusão numa lista em que a concorrência se multiplicou bastante: os re-edits. A par com Social Disco Club, Slight Delay (e a sua metade Tiago) espalharam ciência de corte em editoras de topo neste jogo: Mindless Boogie e Rong. Slight Delay passou a ser o maxi de re-edits mais vendido de sempre aqui na loja, percorreu o espectro de interessados em rock até house e o seu trunfo principal foi o re-edit de "Sunshine Baby" (Clout), um pedaço genial de reggae psicadélico editado em 1979 e que pudemos ver (e ouvir) Harvey a passar num clip algures no YouTube.
 
+   PHOTONZ "Shaboo" (Dissident)
Ano de impressionantes aquisições para o CV dos Photonz (Marco Rodrigues e Miguel Evaristo). Maxis na Dark & Lovely e Astro Lab (Pilooski), Republic Of Desire (Midnight Mike) e DOIS maxis na julgada inacessível Dissident, de Londres. "Shaboo" foi o primeiro, e também a primeira vez que ouvimos oficialmente os Photonz a fazer house com atenção ao detalhe clássico. Uma faixa com sons de Chicago e Ibiza e que respondeu na perfeição a uma das necessidades mais prementes nas pistas de dança em 2008: House. "Shaboo" é feliz, pouco complicado e quebra o gelo inicial na pista. Toda a gente devia ter um.
 
 
 
 
ANDRÉ SANTOS:
 
Adam Rudolph Go: Organic Orchestra "Thought Forms" (Ruby Red), Animal Collective "Water Curses" (Domino), Antonelli "Soulkiller" (Italic), Astral Social Club "Model Town In A Field Of Mud" (Textile), Atlas Sound "Let The Blind Lead Those Who Can Sea But Cannot Feel" (4AD), Beach House "Devotion" (Bella Union), Bjorn Torske "Kan Jeg Slippe?" (Sex Tags Mania), Bonnie 'Prince' Billy "Lie Down In The Light" (Domino), Boredoms "Super Roots Vol. 9" (Thrill Jockey), The Bug "London Zoo" (Ninja Tune), Curia "Curia" (Fire Museum), Deerhunter "Microcastle / Weird Era Cont." (4AD), Dennis Wilson "Pacific Ocean Blue" (Columbia), Dru "L'Aiguille" (Headlights), Eat Skull "Sick To Death" (Siltbreeze), Excepter "Debt Dept." (Paw Tracks), Fabulous Diamonds "Seven Songs" (Nervous Jerk), Fennesz "Black Sea" (Touch), Flying Lotus "Los Angeles" (Warp), Frango "Nada Miles" (Merzbau), Free Blood "The Singles" (Rong), Gala Drop "s/t" (Gala Drop), Gang Gang Dance "Saint Dymphna" (Warp), Gas "Nah Und Fern" (Kompakt), Girl Talk "Feed The Animals" (Illegal Art), Harmonize Most High "Babylon" (Ruby Red), Henrik Schwarz / Âme / Dixon "D.P.O.M.B." (Innervisions), High Places "03/07-09/07" (Thrill Jockey), High Places "High Places" (Thrill Jockey), James Pants "Welcome" (Stones Throw), Jamie Lidell "Jim" (Warp), John Maus "Love Is Real" (Upset! The Rhythm), Juan Maclean "Happy House" (DFA), Junior Byron "Dance To The Music" (Vanguard), Lil Wayne "Tha Carter III" (Cash Money), Megapuss "Surfing" (Vapor), Microphones "The Glow pt. 2" (K), Mission Of Burma "Signals, Calls & Marches" (Matador), Mission Of Burma "Vs." (Matador), Newworldaquarium "The Dead Bears" (Delsin), No Age "Nouns" (Sub Pop), Omar-S "Psychotic Photosynthesis" (FXHE), Omar-S "Psychotic Photosynthesis (No Drum Mix)" (FXHE), Photonz "Shaboo" (Dissident), Quiet Village "Silent Movie" (K7), Religious Knives "After Dark" (No Fun), Religious Knives "The Door" (Ecstatic Peace), Rhys Chatham "Guitar Trio Is My Life!" (Table Of The Elements), Rings "Black Habit" (Paw Tracks), Slight Delay "Sufi Surfer" (Rong), Taj Mahal Travellers "Live Stockholm July, 1971" (Drone Syndicate), Terry Riley "Last Camel In Paris" (Elision Fields), Theo Parrish "Love Triumphant / Space Bumps" (Sound Signature), Theo Parrish "Sound Sculptures Volume 1" (Sound Signature), Theo Parrish "Sound Signature Sounds" (Sound Signature), Times New Viking "Rip It Off" (Matador), Tim Toh "Join The Resistance Pt. I & II" (Philpot), Tom Carter & Christian Kiefer "From The Great American Songbook" (Preservation), Tropa Macaca "Fiteiras Suadas LP" (Qbico), TV On The Radio "Dear Science" (4AD), Vetiver "Thing Of The Past" (Fat Cat), Vivian Girls "Vivian Girls" (In The Red), Why? "Alopecia" (Tomlab), Yacht "Summer Song (DFA), V/A "Notwave" (Rong/DFA), V/A "Veros Artits Vol. 1 & 2" (Dissident)
 
+ O resto:
"30 Rock", "Alexandra", Animal Collective & Atlas Sound (Lux), "A Turma", Avenida #211 (mais a de Natal que a de Verão), Beach Boys, Beach House (Maxime), Beatles, Benfica TV e os comentários do José Carlos Soares, Blake Lively, Bonnie 'Prince' Billy (ZDB, as duas noites), Boris & Growing (LX Factory), "Burn After Reading", "Burnout: Paradise City", caixa Valerio Zurlini, Charlemagne Palestine (na Sé e no Espaço Oporto), cinema de manhã, "Cloverfield", Curia (Maxime), "The Darjeeling Limited", "The Dark Knight", "Dexter", “Doomsday”, dormir, escrever sobre cinema para a Time Out Lisboa, estação de comboios de Praga de madrugada (Casal Ventoso back in the day), "Fallout 3", Filho Único, "Final Fantasy VII: Crisis Core", Flash, Flur, “Forget Sarah Marshall” (e a piada com “Sopranos”, melhor de sempre!), "Frisky Dingo", Gala Drop, Aquaparque & Zonk (ZDB), "Generation Kill", "Gossip Girl", “GTA IV”, High Places & Zonk (ZDB), "Hunger", "I'm Not There", "In Bruges", "In The Valley Of Elah", Isabel, "It's Always Sunny In Philadelphia", "Juno", "Killer Of Sheep", "Kung Fu Panda", "The Larry Sanders Show", Lindsay Lohan na capa da New York Magazine, "Little Big Planet", "Lost", Magik Markers (Museu do Chiado), Márcio Matos, "Metal Gear Solid IV: Guns Of The Patriots", MDS e buddies MDS, "Mister Lonely", Negativland (LX Factory), "Nightwatching", No Age (ZDB), "No Country For Old Men", "PES 2009", Pingo Doce, "O Programa do Aleixo", "O Tal Canal" em DVD, Pedro Lourenço, Pedro Santos, Primavera em Amsterdão e Berlim, "Robot Chicken", Sic Alps (Caixa Económica Operária), Silver Apples (ZDB), "Son Of Rambow", "South Park", Spectrum (Museu do Chiado), "Sweeney Todd", termas em Budapeste, Tropa Macaca (ZDB), Viena, "The Wire", "Wall-E", ZDB, Zé Moura, Zonk, etc., etc.
 
 
 
 
JOSÉ ANTÓNIO MOURA:
 
Bjørn Torske "Kan Jeg Slippe?" (Sex Tags Mania), Contra Communem Opinionen "Tired Feet" (Mathematics), Gala Drop "s/t" (Gala Drop), Henrik Schwarz and Kuniyuki feat. Yoshihi "The Session" (Mule), Johannes Volk "The Day We Met Again" (Lifeworld), Kyle Hall "Worx Of Art" (Wild Oats), Last Shadow Puppets "Standing Next To Me", Loosers "Love Has Come Around" LP (Troglosound), Mathew Jonson "Symphony For The Apocalypse" (Wagon Repair), Matmos "Supreme Balloon", Omar-S "Psychotic Photosynthesis" + "Psychotic Photosynthesis (No Drum mix)" (FXHE), Professor Genius "À Jean Giraud" (Thisisnotanexit), Reggie Dokes "Rain Redemptive Love" (Philpot), Simon Bookish "Carbon", Theo Parrish "Love Triumphant" 12" (Sound Signature), Tim Toh "Join The Resistance Part I" + "Join The Resistance Part II" ambos 12" (Philpot), Zeitkratzer & Terre Thaemlitz "Down Home Kami-sakunobe"; Vários "Fabric 43: Metro Area".
 
 
+ Discos e canções anteriores a 2008:
Ann Peebles "I Didn't Take Your Man", Belle Epoque "Bamalama", Black Knight "Black Knight" 12", Bocca Juniors "Raise", Bombers "Bombers" LP, Cabaret Voltaire "Easy Life" (Robert Gordon mixes), Clout "Sunshine Baby" descoberta via Slight Delay; E.T. "Hurt Me With Your Love" 12", Hercules "7 Ways" 12", Electro Harmonix Work Band "I Am Not A Synthesizer", Hawkwind "Astounding Sounds, Amazing Music" + "Quarks, Strangeness & Charm" ambos LP, Illusion "Why Can't We Live Together" 12", Isaac Hayes "Hot Buttered Soul" LP, Jean Michel Jarre "Oxygene" LP, Jimmy Young "Times Are Tight" 12"; Keyman Edwards "Loves Got 2 Be Strong" 12", L.U.S.T. "2 Hot 2 Stop" 12", Lil' Louis "Nyce and Slo (low horn mix)", Neil Campbell "Sol Powr"CD; One on One Crew "Give It Up" + "Bassin'", Pink Military "Blood & Lipstick" 12", RHC "Fever Called Love" 12", Sarr Band "Mephisto", Severed Heads "Stretcher" 12", Skyhooks "Horror Movie", The Specials "Stereotype", St. Tropez "Morning Music" 12", Sun Ra "Angels And Demons At Play" LP; Toto Coelo "I Eat Cannibals" 12", Traks "Long Train Running" LP, Visual "Music Got Me" 12", Walker Brothers "Nite Flights" LP (as quatro canções de Scott Walker), Zsa Zsa Laboum "Something Scary" 12".
 
 
+ Documentários que falaram ao coração:
"1989: Summer Of Rave" (BBC2, 2006) - a acordar o raver dormente; da mesma forma, "We Call It Techno" DVD, respeito pelas cabeças perdidas nos '90s; ainda "The Cockettes", anos dourados de São Francisco em ácido; "Planet Earth" - a série de 1986, ciência como romance visual; "Scott Walker: 30 Century Man" - ideias fixas, génio e loucura; "Bob Dylan: No Direction Home".
 
 
+ Filmes e séries:
"Across 110th Street"; "Blade Runner" - pela enésima vez; "Cloverfield" - pica num filme de acção; "Clutch Cargo" DVD; "The Great Gatsby"; "There Will Be Blood"; "Swingtown"; "Tropa de Elite"; "007 Casino Royale" - outra e outra vez; "Aquele Querido Mês De Agosto"; "Superman" - a primeira série de animação (1941) compilada em DVD; "Le Mans"; "South Park" com TV dinners.
 
 
+ Revistas, BD, posters, desenhos:
EY! - explosão pop; The Face 1980-84; FACT, Faith, tudo do Pedro Lourenço, posters Zonk do Márcio Matos, Sock Monkey (Tony Millionaire), Suehiro Maruo, Zap Comix (Robert Crumb, etc.) - sick!; Wax Poetics; Jack Kirby - sempre novas coisas a juntar à colecção; Pomba nas capas da Kitsuné.
 
 
+ Música ao vivo:
Animal Collective no Lux; Battles não sei onde no YouTube - fantástico freakout analógico e tribal; Last Shadow Puppets unplugged no site deles - canções perfeitas; Negativland na LX Factory; dar uma palestra sobre música industrial na LX Factory; Nuno Rebelo + Vitor Joaquim + Hugo Olim no festival Madeira Dig; Magik Markers no Museu do Chiado; Manuel Mota no Maxime com Curia; Róisín Murphy no Alive e no Coliseu de Lisboa - sing it back.
 
 
+ Nomes e inspirações:
Alcides; Andy Blake; Andy Murray vence Rafael Nadal - US Open, 6 de Setembro, Bolo-rei Miguel Arsénio; Chartreuse - absinto dos Céus; D.I.S.C.O.TEXAS - todos uns queridos; Dissident; reedições da Eevo Lute; Filho Único (Nelson e Pedro) - dedicação e empenho como nunca se viu; Flash - mixtapes Flur na rádio Oxigénio; gente Flur: Pedro, Pedro, André e Márcio - dream team; Golf Channel e Phil South; Hibiscus; House; Innervisions; Irdial Discs; Isilda e os Cientistas; Jamal Moss; John Daly; Mark E; Megapuss; Metro Area - o set para o Fabric foi o orgasmo boogie do ano; Miguel Soares e Mark Hosler; gravar mixtapes; Nuno Bernardino; Philpot; Photonz (Marco e Miguel); Pop Dell'Arte na Mathematics - quais eram as hipóteses??; Portable - todos os temas com voz e a tentativa de conhecer o Márcio na Avenida; Prime Numbers; fazer re-edits com mini-disc; Religious Knives; massive de Setúbal - Bruno, Eduardo, Mário João, Simões; Techno - regresso às origens, anos 90, discos incríveis; Theo Parrish - não falhou em absolutamente nada em 2008; Tiago Miranda, à esquerda e à direita, sempre; Tim Toh; Whatever We Want; Zonk (+ Javenger Dourado e Photonz) - música incrível, todas as vezes, melhor ainda em 2009!
 
 
 
 
MANUEL MOTA:
 
Ouvi mais discos de outros anos do que de 2008.
Por isso destaco concertos:
MV & EE with The Golden Road (Museu Do Chiado)
Charlemagne Palestine (Sé De Lisboa)
Flower & Corsano (Out.fest)
Sonny Simmonds & Bobby Few (ZDB)
Josephine Foster (ZDB)
 
+
Billie Holiday
"Walden" de Thoreau
Skip James
 
+ Mais:
Outra quase certeza da passagem ser paz no deserto em Ssetembro último (até já).
 
 
 
 
PEDRO LOURENÇO:
 
AMM "Trinity" (Matchless), Anthony Braxton, Milford Graves & William Parker "Beyond Quantum" (Tzadik), Barry Guy, Marilyn Crispel & Paul Lytton " Phases Of The Night" (Intakt), Beach House "Devotion" (Bella Union), Bernardo Devlin "Ágio" (Nau), Bill Dixon With Exploding Star Orchestra "s/t" (Thrill Jockey), Bonnie Prince Billy "Lie Down In The Light" (Domino), Brian Wilson "That Lucky Old Sun" (Capitol), Dru "L'Aiguille" (Headlights), Fennesz "Black Sea" (Touch), Gala Drop "s/t" (Gala Drop), Joe Morris & Barre Phillips "Elm City Duets" (Clean Feed), Megapuss "Surfing" (Vapor), Nick Cave & The Bad Seeds "Dig!!! Lazarus Dig!!!" (Mute), Plush "Fed" (Broken Horse), Rafael Toral "Space Elements" (Taiga/Staubgold), Silver Jews "Lookout Mountain Lookout Sea" (Drag City)
 
+ Outros tantos que andaram por perto:
Don Cherry "Brown Rice" (A&M) e "Mu" (BYG) (estranha e premonitória combinação); Cecil Taylor "Nefertiti, The Beautiful One Has Come" (Arista); tríptico Chico Buarque "Nº 4" (Polygram Brazil), "Construção" (Philips)  e "Meus Caros Amigos" (Polygram Brazil); Donald Fagen "The Nightfly" (Warner); Frank Sinatra & The Count Basie Orchestra "At The Sands" (Reprise); King Crimson "Red" (EG); Nana Vasconcelos "Saudades" (ECM); Such "The Issue At Hand" (Matchless).
 
 
 
 
PEDRO SANTOS:
 
Actress "Hazyville" (Werk), AGF "Dance Floor Drachen" (AGF Producktion), American Music Club "The Golden Age" (Cooking Vinyl), Atlas Sound "Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel" (4AD), Beach House "Devotion" (Bella Union), Bernardo Devlin "Ágio" (Nau), Bonnie 'Prince' Billy "Lie Down In The Light" (Domino), Boredoms "Super Roots 9" (Thrill Jockey), Clipse "Road To Till The Casket Drops - mixtape", Dru (David Maranha, Manuel Mota & Riccardo Dillon Wanke) "L'Aiguille" (Headlights), Dennis Wilson "Pacific Ocean Blue" (Sony BMG), Department Of Eagles "In Ear Park" (4AD), Dodos "Visiter" (Wichita), Duffy "Rockferry" (Polydor), Dusk+Blackdown "Margins Music" (Keysound), Erykah Badu "New Amerykah: Part One (4th World War)" (Motown), Fennesz "Black Sea" (Touch), Fleet Foxes "s/t" (Bella Union), Flying Lotus "Los Angeles" (Warp), Gala Drop "s/t" (Gala Drop), Gang Gang Dance "Saint Dymphna" (Warp), Gas "Nah Und Fern" (Kompakt), High Places "High Places" (Thrill Jockey), Kleerup "s/t" (EMI), Lukid "Foma" (Werk), Lykke Li "Youth Novels" (Warner), Megapuss "Surfing" (Vapor), MGMT "Oracular Spectacular" (Sony BMG), Micah P. Hinson And The Red Empire Orchestra "s/t" (Full Time Hobby), Murcof "The Versailles Sessions" (Leaf), Move D & Benjamin Brunn "Songs From The Beehive" (Smallville), Newworldaquarium "The Dead Bears" (Delsin), Nick Cave & The Bad Seeds "Dig!!! Lazarus Dig!!!" (Mute), Nico Muhly "Mothertongue" (Bedroom Community), No Age "Nouns" (Sub Pop), Omar-S "Psychotic Photosynthesis (No Drum mix)" (FXHE), Plush "Fed" (Broken Horse), Pole "1 2 3" (Scape), Portishead "Third" (Island), Q-Tip "The Renaissance" (Motown), Quiet Village "Silent Movie" (!K7), Ricardo Villalobos "Vasco" (Perlon), Rings "Black Habit" (Paw Tracks), She & Him "Volume One" (Double Six), Simon Bookish "Everything/Everything" (Tomlab), Tape "Luminarium" (Hapna), Vangelis "Blade Runner" (Universal), Vetiver "Thing From The Past" (Fat Cat), Wildbirds & Peacedrums "Heartcore" (Leaf), Zomby "Where Were U In '92?" (Werk)
 
 
 
 
MÁRCIO MATOS:
 
Japanther "Tut Tut", "Now Shake Ya Butt" (Wantage USA), Ambassador's Reception (Label), Richard Sen & Cazbee "Cat Dance", Prime Numbers (Label), V/A "Psychopark EP" (Deep Explorer), Jean-Pierre Massiera "Psychoses Freakoïd (1963-1978)" (Mucho Gusto), Optimo "Sleepwalk Mix" (Domino), V/A "Tropical Discotheque EP" (Sofritos Specials), Datashat "Shatnereffekt One" (Handsette), Stilove4music (Label), Gary Davis "The Professor Here" (Rong), Super Value (Label), Mindless Boogie (Label), Jamie 326 "The Basement Edits - Volume One" (Partehardy), Rahaan, Sound Signature repress, Health "Health" (Lovepump), "DFD Disco Edits" (Electric Minds), Mari Boine vs. Mungolian Jetset "It Ain't Necessarily Evil" (Luna Flicks), Bjørn Torske "Kan Jeg Slippe?" (Sex Tags Mania), V/A "Notwave" (Rong), Motor City Drum Ensemble, Megapuss "Surfing" (BEST 2008), Quiet Village "Silent Movie" (!K7), Moodymann "Det Riot 1967" (KDJ), Idjut Boys e +
 
+
ZONK!, D+, Family, P, Z, PL, André, Pedro S, Isilda, Dexter, RMA, João Silva, Photonz (Marco + Miguel), Filho Único (Nelson + Pedro), Nuno Bernardino, João chinês, o Sócio, Major a Passar Discos!, Tiago Miranda a Passar discos!, 2manyDJs, Loud-e Mixes, www.donnaslut.com, Motor City Drum Ensemble Resident Advisor podcast, Zonk! na Avenida 19 Dezembro.
 
2009:
Mais ZONK!!, discos e mais discos, filmes de terror com muito sangue e sexo! e + Edits e Mais bootlegs! e a Noisendo! Arranjar Tempest Trio... e + !
 
 
 
 
Também não houve muitas dúvidas nas listas que recebemos este ano (Portishead),
tal como em relação a 2007 (LCD Soundsystem).
"Third" marcou o regresso muito aguardado, mas também temido, do trio de Bristol,
que soube magnificamente apresentar uma progressão que volta a colocar Portishead no mapa para anos vindouros
(se não deixarem passar outros dez anos até ao próximo álbum).
Quiet Village e Vampire Weekend reuniram também consensos esperados,
sendo álbuns - digamos - integracionistas que exibem luz extensível a todos os humanos.
Por estas listas, percebemos que MGMT arrasaram corações com várias canções incríveis
mas não o suficiente para serem considerados matéria de álbum.
Esperávamos ver Gang Gang Dance mais acima,
talvez o próximo disco convença finalmente os indecisos.
Nico Muhly, Fennesz e Murcof foram os agentes infiltrados,
vindos de universos paralelos onde a música não é julgada por parâmetros ditos populares.
Nos singles, com excepção de MGMT, ninguém predomina.
Sendo 2008 um ano fantástico para singles e maxis,
é natural que as preferências se espalhem por mais títulos.
Quantidade e qualidade.
 
 
 
 
PORTISHEAD "Third" (Island)
QUIET VILLAGE "Silent Movie" (!K7)
VAMPIRE WEEKEND "s/t" (XL)
GALA DROP "s/t" (Gala Drop)
HERCULES AND LOVE AFFAIR "s/t" (DFA)
EXCEPTER "Debt Dept." (Paw Tracks)
GANG GANG DANCE "Saint Dymphna" (Warp)
TV ON THE RADIO "Dear Science" (4AD)
BON IVER "For Emma, Forever Ago" (4AD)
FENNESZ "Black Sea" (Touch)
NEWWORLDAQUARIUM "The Dead Bears" (Delsin)
SHED "Shedding The Past" (Ostgut Tonträger)
NICO MUHLY "Mothertongue" (Bedroom Community)
MURCOF "The Versailles Sessions" (Leaf)
BEACH HOUSE "Devotion" (Bella Union)
 
 
 
 
MGMT "Kids" (Somy BMG)
MATIAS AGUAYO "Minimal" (Kompakt)
THEO PARRISH "Love Triumphant / Space Bumps" (Sound Signature)
BJORN TORSKE "Kan Jeg Slippe?" (Sex Tags Mania)
CONTRA COMMUNEM OPINIONEM "Tired Feet" (Mathematics)
MATHEW JONSON "Symphony For The Apocalypse: New Age Revolution" (Wagon Repair)
HERCULES AND LOVE AFFAIR "Blind" (DFA)
CUT COPY "Lights & Music" (Modular)
MGMT "Time To Pretend" (Columbia)
VAMPIRE WEEKEND "A-Punk" (XL)
PHOTONZ "Shaboo" (Dissident)
THE JUAN MACLEAN "Happy House" (DFA)
LATE OF THE PIER "Space And the Woods" (Parlophone)
WILEY "Wearing My Rolex" (Asylum)
HENRIK SCHWARZ / ÂME / DIXON "D.P.O.M.B." (Innervisions)
 
 
 
 
Eles escrevem, promovem, escolhem, mostram e até                 apostamos que respiram música.
São os fazedores que espalham as notícias, revelam os discos, apresentam artistas ao vivo,
mantêm a roda viva com o seu entusiasmo e dedicação.
Sem eles estaríamos todos ligados directamente ao nosso umbigo.
Obrigado por partilharem as vossas escolhas, Eles.
 
 
 
 
ARTUR PEIXOTO:
 
Coldplay "Viva La Vida Or Death And All His Friends" (Parlophone)
MGMT "Oracular Spectacular" (Sony BMG)
Nick Cave & The Bad Seeds "Dig!!! Lazarus Dig!!!" (Mute)
The Raconteurs "Consolers of the Lonely" (XL)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
+
Canção do Ano: Jack White & Alicia Keys “Another Way to Die” (Sony BMG)
 
2008:
Festival Optimus Alive!08 (Oeiras)
Festival Paredes de Coura 08
Madonna (Parque da Bela Vista)
Justice (Reading, Inglaterra, Agosto)
The Cure (Pavilhão Atlântico, Março)
 
2009:
Que a Indústria Musical no geral se consiga reinventar e adaptar-se ao futuro, agora! Espero também que 2009 seja mais forte a nível de novidades interessantes. Não que 2008 tenha sido pobre, porque até nem foi, mas como disse, acho que são tempos de reinventar.
 
(promotora Everything Is New)
 
 
 
 
ARTUR SOARES DA SILVA:
 
Buraka Som Sistema “Black Diamond” (Enchufada)
Claro Intelecto “Metanarrative” (Modern Love)
Flying Lotus “Los Angeles” (Warp)
Gang Gang Dance “Saint Dymphna” (Warp)
MGMT “Oracular Spectacular” (Sony BMG)
 
2008:
"Zeitgeist: Addendum”: O filme mais adequado para se entender 2008.
Portuguese underground: Gala Drop, Octa Push, Mr Gasparov, Das Nevez…
A internacionalização de Vhils: o artista visual mais excitante do século XXI português.
Música luminosa de Studio e Windsurf.
Lançamento do "Boom Book": um livro com uma reflexão antropológica e cultural sobre entretenimento e subculturas associadas a música singular.
 
Penso que este link resume na íntegra o ano de 2008, o estado de superficialidade cultural e esterilidade civilizacional em que nos encontramos, ao qual a música não tem escapado.
Em termos nacionais, não há forma de escapar ao ano sem olhar para a política com um olhar mordaz.
 
2009:
Que abram mais locais para se ouvir música em Lisboa. Este estado monocultural de, por um lado, o Lux - na música de dança -, e, por outro, o Music Box - nas toadas rock e derivações à margem do 4/4 - estão a limitar a vitalidade musical da cidade. É necessário mais e com novas caras, novos hábitos e novos conceitos.
 
(revista Neo2; revistaDance Club; Boom Festival)
 
 
 
 
BRUNO BÈNARD-GUEDES:
 
AGF "Words Are Missing" (AGF Producktion)
Atomic/School Days "Distil" (Okka)
Bill Dixon with Exploding Star Orchestra "s/t" (Thrill Jockey)
Bonnie Prince Billy "Lie Down In The Light" (Domino)
Common "Universal Mind Control" (Geffen)
Erykah Badu "New Amerykah: Part One (4th World War)" (Motown)
Memorize The Sky "In Former Times" (Clean Feed)
Portishead "Third" (Island)
Q-Tip "The Renaissance" (Motown)
Randy Newman "Harps And Angels" (Nonesuch)
Raphael Saadiq "The Way I See It" (Columbia)
Rob Brown & Andrew Barker Duo "Live In Chicago" (Ruby Red)
Ryoji Ikeda "Test Pattern" (Raster-Noton)
Tom Zé "Estudando A Bossa" (Biscoito Fino)
Vandermark 5 "Beat Reader" (Atavistic)
 
+ Reedições:
Brew Moore "The Adventures Of Brew Moore - The Kerouac Connection" (Giant Steps)
Gilberto Gil "Frevo Rasgado" + "Cérebro Eletrônico" (Cherry Red)
Herbie Hancock, Thad Jones, Ron Carter, Jerome Richardson, Grady Tate & Jonathan Klein "Hear O Israel: A Prayer Ceremony In Jazz" (Trunk)
Pita "Get Out" (Mego)
 
+ Concertos:
4 Corners (Culturgest)
Alicia Keys (Pavilhão Atlântico)
Bonnie 'Prince' Billy (ZDB)
Leonard Cohen (Passeio Marítimo de Algés)
Lightning Bolt (parque de estacionamento do Largo de Camões)
Peter Brötzmann Chicago Tentet (Gulbenkian)
Portishead (Coliseu Dos Recreios)
Tom Brosseau (ZDB)
 
+ R.I.P.:
Dorival Caymmi + Stella Maris
Isaac Hayes
Teo Macero
Yma Sumac
 
(revista Op.)
 
 
 
 
CARLA ISIDORO:
 
Buraka Som Sistema "Black Diamond" (Enchufada)
Gala Drop "s/t" (Gala Drop)
Erykah Badu "New Amerykah: Part One (4th World War)" (Motown)
Herbie Hancock "River: The Joni Letters" (Verve)
The Last Shadow Puppets "The Age Of The Understatement" (Domino)
 
2008:
Nasceu a revista PARQ: Yes we can!
De La Soul (Arena Lounge, Casino de Lisboa): OMG!
Sebastien Tellier (Festival Eurovisão): OMG!
"The Darjeeling Limited": a melhor viagem de comboio de sempre.
Barack Obama venceu: YES WE CAN!
 
2009:
Kora Jazz Trio ao vivo
Amigo Sócrates, e se fosses ver se tá a chover?
 
(revista Parq)
 
 
 
 
DAVIDE PINHEIRO:
 
Buraka Som Sistema "Black Diamond" (Enchufada)
Portishead "Third" (Island)
Rui Reininho "Companhia Das Índias" (Sony)
Girl Talk "Feed The Animals" (Illegal Art)
Gala Drop "s/t" (Gala Drop)
 
2008:
Eleição de Barack Obama
O crash da Lehman Brothers
A bronca do BPN
Super Bock Em Stock e Optimus Alive!08
Starbucks em Lisboa
 
Ainda há paciência para listas? Eu já não tenho. Não que me recuse a revisitar memórias mais ou menos recentes mas porque a voragem dos tempos é castradora da reflexão. Vivemos em alta rotação. Parar para pensar? Difícil. Memórias de 2008…crise, crise, crise e mais crise. E ainda há a depressão económica. Depois querem que as pessoas se casem e tenham filhos. Já estou como o Rufus Wainwright: "todas as leis e correcções na Constituição que envolvam sexo e amor deviam ser banidas". No fundo, 2008 foi um ano bipolar, entre o sonho e o pesadelo. De um lado, Barack Obama. Do outro, a Lehman Brothers e o outro senhor da bolsa que roubou 40 milhões de dólares e achou tudo normal. E por cá…uma Lisboa cosmopolita, abrangente e plural, onde cabem Buraka Som Sistema, Camané, Deolinda, Gala Drop ou Tiago Guillul. Uma Lisboa que teve um Super Bock em Stock capaz de revitalizar uma Avenida da Liberdade deserta de ver gente e um Starbucks estratégico em Belém. Uma Lisboa cada vez mais internacional (sim, as férias escolares aka Erasmus ajudam). E um país cada vez mais assimétrico, onde mesmo assim a maioria dos sub-18 já consome mais Internet que televisão. Já que estamos cada vez mais sós, que a solidão traga espírito de iniciativa e proactividade.
 
2009:
Mais flores e menos caveiras.
 
(site Diário Digital; jornal Diário de Notícias)
 
 
 
 
FERNANDO NUNES:
 
Hercules And Love Affair "s/t" (DFA)
TV On The Radio "Dear Science" (4AD)
MGMT "Oracular Spectacular" (Sony BMG)
High Places "s/t" (Thrill Jockey)
Gang Gang Dance "Saint Dymphna" (Warp)
 
2008:
O décimo aniversário do Lux.
No Lux também: Dixon, Rub-n-Tug, Sebastian (Minilogue) e o concerto dos Animal Collective e Atlas Sound.
Ouvir o «Vond Vane» do Bjorn Torske no desfile do Filipe Faísca.
Wolfgang Tillmans no Hamburger Bahnhof (Berlim).
Ouvir «Lucy In The Sky With Diamonds» dos Beatles no Panorama Bar, Berlim, às 11 da manhã com o Sol a entrar pelas persianas. Braços no ar. Lágrimas nos olhos.
 
2009:
Ver uma ópera no Bregenz Festival .
 
(jornal Lux Frágil)
 
 
 
 
GONÇALO FROTA:
 
Deolinda "Canção ao Lado" (IPlay)
The Do "A Mouthful" (Wagram)
Elbow "The Seldom Seen Kid" (Polydor)
Rabih Abou-Khalil "Em Português" (Enja)
Foge Foge Bandido "O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu Que O Estraguei" (Turbina)
Atomic "Retrograde" (Jazzland)
 
2008:
"That Night Follows Day": crianças a mostrar aos adultos, utilizando um falso espelho, como é que vêem o mundo destes. Ou seja: a mais inteligente, paródica, incómoda e violenta forma de nos vermos postos em causa. (Peça de Tim Etchells, dos obrigatórios Forced Entertainment.)
Jurar a pés juntos que sempre que Beatriz Batarda subir a um palco lá estarei. "Rock’n’Roll" de Tom Stoppard e "De Homem Para Homem" de Manfred Karge a isso obrigaram. Tornou-se objectivo de vida, enquanto vértice mais visível e nítido da busca incessante por uma arte que continue a instalar um quase insuportável frio no estômago.
Passar duas horas na Culturgest a acreditar que não há figura maior que José Mário Branco na música portuguesa. A acreditar, a sabê-lo intimamente e a perceber que cada canção, por três minutos que tenha, é uma lição de vida que importa não ignorar ou esquecer. É-se melhor (não do que os outros, mas do que éramos antes) quanto mais se gosta da música e das palavras deste homem.
O concerto demolidor do Peter Brötzmann Chicago Tentet no Jazz em Agosto? Ou o prazer sempre gritante de rever Leonor Keil a dançar uma coreografia de Paulo Ribeiro, com o corpo mais animalesco, selvagem, sem regras e expressivo que habita este país?
O nascimento da Ema.
 
2009:
Que Tom Waits dê mais uns concertos europeus.
Que Graham Coxon ature os restantes Blur o suficiente para mais um álbum.
Que os Pop Dell’Arte voltem a editar.
Que o mundo não se afunde numa tremenda depressão colectiva. Antídoto: concertos de Gaiteiros de Lisboa e Primal Scream.
 
(jornal Sol)
 
 
 
 
HUGO REBELO:
 
Andy Stott "Massacre EP" (Modern Love)
Sten "The Essence" (Dial)
Sascha Funke "Mango" (Bpitch Control)
Gaiser "Blank Fade" (Minus)
Lee Jones "Electronic Frank" (Aus)
 
À noite: Lee Jones para abrir as hostes com o seu melódico mas não menos groovy “Electronic Frank”, seguido pela Essência perturbante de Sten. Gaiser entraria depois para aquecer o dancefloor e finalmente Sascha Funke fecharia apresentando o hipnotizante “Mango”…
After Hours: Andy Stott e o seu Deep Love Massacre!
Outros álbuns de 2008 a ouvir: Justus Köhncke "Safe And Sound" (Kompakt), Extrawelt "Schöne Neue Extrawelt" (Cocoon), Paul Kalkbrenner "Berlin Calling OST" (Bpitch Control), Ellen Allien "Sool" (Bpitch Control), Mike Shannon "Memory Tree" (Minus), Marek Bois "Boissche Untiefen" (Rrygular), Minilogue "Animals" (Cocoon).
Um DJ Set: Raresh
 
+ Editoras:
Cecille Numbers
Upon You
Einmaleins Musik
Oslo
Bpitch
 
Cecille Numbers liderada por Nick Curly foi a grande revelação onde nomes como Kreon & Lemos, Sis ou Robert Dietz mostraram todo o seu potencial. A editora Upon You e a Einmaleins consolidaram tudo aquilo que vinham prometendo em 2007 e lançaram, já neste ano, um conjunto de EPs muito acima da média, todos altamente aconselhados. A Oslo merece também destaque pela sua aposta em jovens talentos que retribuíram com EPs que fizeram as maravilhas de inúmeros dancefloors. Finalmente a Bpitch por todo o sucesso que continuou a ter este ano. Os álbuns de Sascha Funke, Ellen Allien e Paul Kalkbrenner são a melhor prova disso.
 
2009:
Kreon, Lemos, Villalobos e Raresh no Anti-Pop Music Festival.
 
 
 
 
 
ISILDA SANCHES:
 
Newworldaquarium "The Dead Bears" (Delsin)
Quiet Village "Silent Movie" (!K7)
Gala Drop "s/t" (Gala Drop)
Gang Gang Dance "Saint Dymphna" (Warp)
Osborne "s/t" (Spectral)
 
+ Músicas mais populares na Oxigénio:
"Beautiful Life" de Gui Boratto
"You Suck" (re-edit de Sue Ellen) de Consolidated
"Brand Nu" de Soopasoul
"Lov" de Prosumer & Murat Tepeli
"Adir Adirim" (Nickodemus rmx) de Balkan Beat Box
+
"Ruling" de Osborne, "Blind" de Hercules And Love Affair, "Most Of All" de Morgan Geist, "Entropy Reigns In The Celestial City" de Kelley Polar e "Deeper Waters" de Recloose.
 
2008:
8 anos de Oxigénio em concertos (Thievery C., Róisín Murphy, Fat Freddys Drop), "Times Are Tight" de Jimmy Young, "Happy House" de Juan Maclean, a profecia "Ka$h" de James Pants, Coachella, Madeira Dig, portugueses lá fora a lutar pela vida (ainda Buraka, mas também Photonz, Slight Delay, Social Disco Club, Johnwaynes, Pop Dell' Arte, + + +…) e cá dentro (Zonk!, Lux, Flur, Filho Único, ZDB, Crewhassan, FlorCaveira e ainda + ). Resistir e insistir.
A realidade é real? Estes cientistas são loucos, o LHC, raios cósmicos disparados sobre a terra, diamantes feitos com tequila, fundos de investimento, taxas de juro, Obama, milhões de euros, doláres, kwanzas...A Islândia à venda no eBay, Madoff... Devia ter pedido um upgrade de memória ao pai natal. E baterias novas para processar toda a informação. 2008 foi o ano em que apeteceu trocar os analistas por astrológos. Talvez as estrelas permitam uma melhor análise das coisas. Ninguém sabe nada, o impossível afinal é provável. No fundo a ideia é excitante...
 
2009:
Que as previsões estejam todas erradas e sejamos todos felizes, prósperos e cheios de vitalidade criativa!
 
(rádio Oxigénio; jornal Diário De Notícias; revista Elle)
 
 
 
 
JOÃO MOÇO:
 
Kanye West "808s & Heartbreak" (Roc-A-Fella)
Portishead "Third" (Island)
Girl Talk "Feed The Animals" (Illegal Art)
Buraka Som Sistema "Black Diamond" (Enchufada)
Tiago Guillul "IV" (FlorCaveira)
 
2008:
Camané (Coliseu dos Recreios)
No Age (ZDB)
Animal Collective (Lux)
Lightning Bolt (parque de estacionamento do Largo De Camões)
The Magnetic Fields (Aula Magna)
 
Foi um ano estranho. E diferente. Foi um ano de reviravoltas profissionais, mas positivas. E um ano de reviravoltas também na música nacional. Já há alguns anos que não ouvíamos tanta boa música portuguesa. Os Buraka Som Sistema confirmaram porque são das coisas mais importantes para a modernidade da música electrónica. Tiago Guillul & companhia da FlorCaveira deram-nos alguns dos registos mais inspiradores da pop portuguesa, onde convivem harmoniosamente tradição, rock’n’roll e ousadia literária. E é necessário não esquecer os Gala Drop e a hibridez sónica do seu primeiro disco, que une mundos opostos numa liberdade criativa surpreendente. No panorama internacional faltaram discos históricos, marcantes. Kanye West revelou através da sua desolação pessoal a sua visão da música pop neste início do século XXI, apontando novos caminhos para o hip hop. Os Portishead voltaram e surpreenderam com um disco perturbador, longe dos clichés do trip-hop dos anos 90. E Girl Talk com «Feed the Animals» fez o perfeito retrato da cultura moderna pop. As referências mais díspares são consumidas e misturadas o mais rapidamente possível. DJ/ rupture com «Uproot» fotografou o que é e o que poderá ser no futuro a tão chamada “música urbana”. Lil Wayne invulgarmente conquistou o mundo com «Tha Carter III» e toda a sua auto-valorização. E muita coisa boa ficou de fora, como são os discos deste ano de Hercules And Love Affair, TV On The Radio, No Age, Kelley Polar, Spiritualized, Deerhunter ou Lindstrom.
 
(revista Dance Club; jornal Diário de Notícias)
 
 
 
 
JORGE MANUEL LOPES:
 
1. Scooter "Jumping All Over The World" (Universal)
1,5. Kanye West "808s & Heartbreak" (Roc-A-Fella)
1,5. Buraka Som Sistema "Black Diamond" (Enchufada)
4. Britney Spears "Circus" (Sony BMG)
5. Grace Jones "Hurricane" (Wall Of Sound)
 
2008:
Filme transcendente: "Batman - O Cavaleiro Das Trevas".
Esperança desmesurada: Barack Obama.
Papel com saída regular que deve ser lido: Fact, Woofah.
Géneros que deviam ter sido ouvidos a toda a hora mas não foram: bassline house, funky house.
Entulho sonoro do ano: vampireweekendfleetfoxesbonivertvontheradiohotchipmgmtgirltalkbecksigurróssantogoldmagneticfields.
+
Ansiedade, chocolates, salas escuras, comboios, malas, crianças, perplexidade, desenraizamento, vinho tinto alentejano, comida indiana, memória com defeito.
 
2009:
O passamento definitivo, total e absoluto do indie rock, da folk, dos hippies, dos punks, do revivalismo dos 60s, dos cantautores e das barbas dos barbudos
 
(revista Time Out Lisboa; jornal Expresso)
 
 
 
 
MANUEL HALPERN:
 
Micah P. Hinson And The Red Empire Orchestra "s/t" (Full Time Hobby)
Barbara Hendricks "Barbara Sings The Blues" (Arte Verum)
Juana Molina "Un Dia" (Domino)
TV On The Radio "Dear Science" (4AD)
Okkervil River "The Stand Ins" (Jagjaguwar)
+
Faço questão de acrescentar uma lista nacional com João Coração, Camané, A Naifa, Rádio Macau e B. Fachada.
 
2008:
A eleição de Obama
O início do fim do neoliberalismo e do capitalismo selvagem (da prisão do banqueiro aos motins na Grécia).
O advento público (e pudico?) da FlorCaveira.
Lou Reed e Leonard Cohen no mesmo dia (é o que se chama oferta cultural).
Um segundo a mais em 2008 (um acontecimento verdadeiramente extra-ordinário).
 
Com o final de Bush e dos Delfins o mundo e a música portuguesa encheram-se de esperança. Tudo pode acontecer desde a paz no Médio Oriente a Michael Jackson recuperar a sua tez original. Por cá, o verdadeiro Maná musical vem da Igreja Baptista de Queluz (salvo erro). B. Fachada, Samuel Úria, Tiago Guillul, um a Deus português. Por lá, houve a música étnica de Nova Iorque.
 
2009:
Um desejo perfeitamente realizável, basta eles quererem: Sérgio Godinho, Fausto e José Mário Branco, juntos e ao vivo.
 
(Jornal De Letras)
 
 
 
 
MÁRIO RUI VIEIRA:
 
Hercules And Love Affair "s/t" (DFA)
Portishead "Third" (Island)
Aaron Thomas "Follow The Elephants" (Everlasting)
The Presets "Apocalypso" (Universal)
Dead Combo "Lusitânia Playboys" (Universal)
 
2008:
"Blind" de Hercules And Love Affair
"Black And Gold" de Sam Sparro
"Mercy" de Duffy
"Machine Gun" de Portishead
"Going On" de Gnarls Barkley
 
+
Portishead (Coliseu Dos Recreios)
Björk (Sudoeste)
Santogold (Super Bock Em Stock)
Sigur Rós (Campo Pequeno)
Modeselektor (Anti-Pop Festival)
 
2009:
Que a Amy Winehouse se concentre na música de uma vez por todas e faça um álbum tão bom ou melhor que o "Back To Black"... E uma pequena utopia: que acabem os preconceitos musicais, porque música bem feita é sempre boa, sejam quais forem as etiquetas, géneros ou os artifícios usados.
 
(revista Blitz)
 
 
 
 
MIGUEL ARSÉNIO:
 
Cass McCombs "Dropping The Writ" (Domino): Só a estranheza e alguma aversão aos meios de comunicação podem contribuir para que Cass McCombs seja ainda meio-segredo. “Dropping the Writ” parece-me o disco perfeito ao alcance de um escritor de canções que ousa reaproveitar o historial melódico dos Beatles e invertê-lo no sentido do seu próprio labirinto auto-biográfico. No fundo, a aparência cristalina destas canções fazem de Cass a némesis de Ariel Pink (com quem já dividiu uma digressão que deve ter sido histórica). É puro equívoco resumir isto a “Folk, folk, folk e mais folk”. Não vás por aí.
Thee Oh Sees "The Master’s Bedroom Is Worth Spending A Night In" (Tomlab): Gosto de pensar que não estou sozinho na crença de que os Oh Sees são a melhor banda rock do mundo neste momento. Até porque não me recordo de me divertir tanto com um disco tão encharcado em eco que não oferece sequer hipótese de entender grande parte das letras.
The Bug "London Zoo" (Ninja Tune): Em Junho passado, o nome de The Bug já tinha servido para uma troca acesa de argumentos com alguém. Ele referiu o fundamento industrial da produção. Eu frisei a qualidade quase insuperável dos “toasters”. Ele apontou alguma falta de dinamismo. Eu falei sobre a dificuldade em escapar ao ataque daquele dancehall. “London Zoo” desempatou o debate.
Portishead "Third" (Island): Numa era dominada por singles prontos a agradar, ninguém anteveria um regresso anunciado por uma brutalidade como “Machine Gun”, que fuzila expectativas com um loop-Gestapo que julgaríamos apenas possível num disco de Nine Inch Nails. Pensar que tão hostil assalto desencadeia a mais surpreendente reinvenção deste milénio é o suficiente para “estar alerta para a regra dos três”.
Gala Drop "s/t" (Gala Drop): “Some Things Last a Long Time” é o prenúncio dos Beach House (apropriado a Daniel Johnston) que melhor serve ao maravilhoso roteiro que os Gala Drop registaram em disco. Só muito dificilmente se esgotarão todos estes polirritmos e fenómenos directamente acrescentados ao cânone da melhor música aventureira que por cá se faz.
 
2008:
Para sempre: Animal Collective no Lux, Neil Young no Optimus Alive!08 e Lightning Bolt no piso menos 5 do Largo de Camões.
Música do ano sem olhar a restrições: “Som de Cristal” de Marante, por ser um impressionante relato de encornamento que supera encornamento (quase “Eyes Wide Shut” tuga) e a ponte para o filme do ano, “Aquele Querido Mês de Agosto”.
2008 resumido em músicas para beijoqueiros e gente enamorada: "In The New Year" dos Walkmen, reservada à mais bonita entrega de "reveillon" vivida por duas pessoas; "Love You All" de Luomo para quando nada mais importa entre as 5 e as 6 da manhã; "Weekend" dos Sea And Cake em nome do bom feeling "Seremos imbatíveis por dois dias."; “Keyboards Is Drunk” de Tickley Feather para madrugadas perdidas a fazer amor com fantasmas; "Sax Rohmer #1" dos Mountain Goats porque todas as distâncias valem a pena, independentemente do preço do combustível.
Reedição do ano: empate técnico entre “Bubble & Scrape” dos Sebadoh, evangelho lo-fi triplamente profanado, e “Nah Und Fern” de Gas, tetralogia de monumental electrónica que vale o seu peso em ouro.
Guilty pleasure do ano: “Intervalo” de Per7ume com Rui Veloso. Há algo em mim que não resiste a um refrão ansioso cantado por Rui Veloso, desde os tempos em que ele trepava um eucalipto. O teledisco é, em todo o caso, horrível.
 
2009:
Novo disco de Dr. Dre; uma segunda série de "Um Mundo Catita"; um Benfica campeão com vitória lógica em Alvalade.
 
 
 
 
 
NUNO COSTA SANTOS:
 
Robert Foster "The Evangelist" (Tuition)
American Music Club "The Golden Age" (Cooking Vinyl)
Spiritualized "Songs In A&E" (V2)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
Cut Copy "In Ghost Colours" (Modular)
 
2008:
As canções regabofeiras: "A-Punk" de Vampire Weekend, "Hearts on Fire" de Cut Copy e "Crazy" de Northern Portrait.
O concerto: American Music Club no Barreiro (que não vi).
A música que gostava de ter ouvido mais: "Doutor Optimista" de Rui Reininho.
Um óptimo disco com composições para telemóvel de que pouco se falou: "24 Postcards In Full Colour" de Max Richter.
Uma publicação tuga fixe (e que, de forma ágil e divertida, conseguiu sobreviver à mudança de formato): Blitz.
 
É bom verificar que a arte musical parece inesgotável nas suas potencialidades criativas (sim, nada de discursos do género "O Fim da História" na música). E, já agora, que somos um país suficientemente civilizado que nos (a nós, cidadãos consumidores culturais) permite ter acesso a pequenas e preciosas lojas de música (e de livros e de DVD's).
 
2009:
Arrumar finalmente os meus CDs dentro das caixas - tenho "1001 CDs para Arrumar Dentro das Caixas Antes de Morrer".
 
(Rádio Clube Português; melancomico.blogs.sapo.pt)
 
 
 
 
NUNO GALOPIM:
 
Portishead "Third" (Island)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
Shearwater "Rook" (Matador)
The Notwist "The Devil, You + Me" (City Slang)
Simon Bookish "Everything/Everything" (Tomlab)
 
2008:
Pop/rock português em português
Aumento da oferta de novas edições em vinil
Gustavo Dudamel e a Orquestra Simón Bolivar
Sebastien Tellier na Eurovisão
Reedições das obras de Leonard Bernstein em gravações dirigidas pelo próprio
 
2008 num sprint? Regressam os Portishead e mostram que quando os músicos não se encostam a velhas glórias e conquistas feitas podem mesmo triunfar de novo. O prazer do cruzamento de ideias deu-nos pop gourmet com Vampire Weekend, Ruby Suns, The Notwist ou Department Of Eagles. Da clássica para a pop brilharam Simon Bookish e Kellley Polar. António Pinho Vargas regressou em grande aos discos. Sejam bem regressados, também, Bomb The Bass e Grace Jones. “Fragmentos de Tracey” ao som de Broken Social Scene no filme do ano que quase ninguém viu. Dudamel em alta. Nagano, McCreesh, Boluez e Scholl novamente entre os melhores. Nico Muhly confirmado! Vinil a rodos! Revelações? Late Of The Pier, The Homophones, B Fachada, Os Golpes... E os portugueses a cantar novamente em português… Não há fé que não dê em milagre!
 
2009:
Música de Osvaldo Golijov num palco por estas bandas?... E se não for pedir muito, também a de Giya Kancheli, Valentin Silvestrov, Nico Muhly, John Adams. Enfim, o que está a acontecer...
 
(jornal Diário De Notícias; sound--vision.blogspot.com; rádio Radar)
 
 
 
 
NUNO REIS:
 
Morgan Geist "Double Night Time" (Environ)
Morgan Geist "Detroit" (Environ)
Munk "Live Fast! Die Old!" (Gomma)
The Juan Maclean "Happy House" (DFA)
Beat Pharmacy "Wikkid Times" (Deep Space Media)
Ben Mono "Jesus Was A B-Boy" (Compost)
Johnwaynes "Tears" (Compost)
Chromeo "You’re So Gangsta - Playgroup remix" (V2)
Fujiya & Miyagi "Lightbulbs" (Gronland)
Skream "Midnight Request Line - Switch remix" (Tempa)
 
2008:
Posso estar redondamente enganado, mas parece-me que 2008 foi aquilo a que podemos chamar um ano “médio”. Tenho dificuldade em encontrar um disco que tenha ocupado o meu gira-discos mais tempo que os outros. Calculo que é um sinal dos tempos. Tal como salientou o mestre Ricardo Saló no seu balanço do ano no Expresso, estes “best ofs” começam a fazer cada vez menos sentido porque é humanamente impossível (como dantes!) acompanhar a verdadeira enxurrada de discos com que somos bombardeados todos os dias. Desde que trabalho em rádio, sempre gostei de chegar ao fim do ano e eleger os meus dez melhores álbuns, canções, concertos, etc. No entanto, confesso que a partir deste ano as coisas vão mudar. Deve ser da idade! Por isso, sem nenhuma ordem especial, estes foram alguns discos e canções que gostei do ano que passou.
 
2009:
Para além da paz no mundo (claro!), gostava que os concertos no Lux fossem mais cedo. Lá está, deve ser da idade.
 
(rádio Antena3)
 
 
 
 
PATRÍCIA BARNABÉ:
 
Santogold "s/t" (Warner)
MGMT "Oracular Spectacular" (Sony BMG)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
Erykah Badu "New Amerykah: Part One (4th World War)" (Motown)
Portishead "Third" (Island)
 
+ Como tenho o coração muito grande, outras bandas sonoras do meu 2008:
Hercules And Love Affair "s/t" (DFA)
Joan As Police Woman "To Survive" (PIAS)
Sigur Rós "Med Sud I Eyrum Vid Spilum Endalast" (EMI)
Cut Copy "In Ghost Colours" (Modular)
Tricky "Knowle West Boy" (Domino)
Concha Buika "Niña De Fuego" (Dro Atlantic/Casa Limón)
Cat Power "Jukebox" (Matador)
 
+ Portugueses incontornáveis:
X-Wife "Are You Ready For The Blackout?" (NorteSul)
Buraka Som Sistema "Black Diamond" (Sony BMG)
The Vicious Five "Sounds Like Trouble" (TVF)
 
2008:
Os três concertos delas: Santogold ao vivo em Paris, na festa da Visionaire/Lacoste dentro de um barco a flutuar no rio Sena. Torre Eiffel cintilante, flute de champanhe na mão e a audiência em êxtase, já semi-nua, a atirar-se para o jacuzzi mais próximo. E a vinda a Portugal de duas senhoras que, sozinhas, sabem escrever música, cantá-la e encher palcos como poucos: Cat Power no Coliseu de Lisboa e Feist na Aula Magna.
A crescente importância do You Tube nas nossas vidas: torna o mundo mais pequeno, já se sabe, e enche o olho enquanto enche o ouvido o que é um manancial para fãs de videoclips e voyeurs de Moda;
Patrick Watson na Aula Magna, em Lisboa: estive arrepiada do princípio ao fim, o exemplo do que é comunhão na música, do que é ter-se a centelha sem se ter a presunção (tão raro numa era de ídolos de pés de barro e de multiplicação de snobs urbanos obcecados com o que é ser cool!)
Joan as Police Woman no Centro Olga Cadaval, em Sintra: música aconchegante (um dos discos que rodou na melancolia de 2008) e o prémio para o melhor outfit em palco do ano: um tailleur de saia vintage em seda selvagem cor de ferrugem, folhos incluídos, que Joan Wasser usou com uns collants azulão e umas botas altas camel - tão anos 80, tão agora e tão dissonante (com o pouco público numa Sintra que parou no tempo há muito tempo) que merecia uma fotografia.
Primal Scream e Mars Volta em Paredes de Coura, tudo o que nos faz felizes na música e na vida em geral. Os primeiros são fisicalidade adolescente, o instinto primordial que não deixa o corpo parar de dançar. Os segundos, a complexidade transcendente, o rock de antologia, emocional, intelectual, espiritual, nem nos mexemos, esmagados.
Super Bock Em Stock, embora caro e caótico, a ideia é excelente, um sonho para melómanos urbanos - ter um festival ao lado de casa, sem morrer de frio e exaustão, sem comer pó e cachorros mal amanhados em barracas de segunda e ainda assim poder entrar e sair da música que nos apetece.
 
2009:
Que a crise sirva pelo menos para aumentar a inspiração;
Que os músicos que se estão a vestir melhor ensinem os portugueses a vestir-se melhor
Que o público reconheça finalmente o reduto (de sons que nos salvam) que é a loja de discos Flur.
 
(revista Vogue)
 
 
 
 
PEDRO COSTA:
 
Bobby Previte & The New Bump "Set the Alarm For Monday" (Palmetto)
Kris Davis Quartet "Rye Eclipse" (Fresh Sound New Talent)
Tony Malaby Cello Trio "Warblepeck" (Songlines)
Anthony Braxton, Milford Graves & William Parker "Beyond Quantum" (Tzadik)
Joachim Kühn, Daniel Humair & Tony Malaby "Full Contact" (Bee Jazz)
 
2008:
O Festival da Revista Jazz.pt no Hot Clube.
A crescente internacionalização dos músicos de Jazz portugueses em especial a edição do CD da cantora Sara Serpa na nova editora de Greg Osby “Inner Circle”.
O 60º aniversário de Carlos Zíngaro.
A morte de Jimmy Giuffre um génio cuja importância para o Jazz não foi ainda devidamente reconhecida.
O ciclo “Isto É Jazz?” na Cultugest por proporcionar concertos aos músicos de Improvisação em Portugal com público (todos os concertos esgotaram os 148 lugares da sala), condições técnicas exemplares e apoio de uma estrutura com o peso da Culturgest.
 
2009:
Que os músicos de Jazz em Portugal sejam mais abertos à experimentação e aos contactos internacionais, que não joguem tanto pelo seguro e que ouçam mais música, coisa que infelizmente não acontece.
 
(editora e promotora Clean Feed; loja Trem Azul)
 
 
 
 
PEDRO DIAS DA SILVA:
 
Benga "Diary Of An Afro Warrior" (Tempa)
Camille "Music Hole" (Virgin)
Gang Gang Dance "Saint Dymphna" (Warp)
Hercules And Love Affair "s/t" (DFA)
Leila "Blood, Looms And Blooms" (Warp)
+
MGMT "Oracular Spectacular" (Sony BMG)
Nico Muhly "Mothertongue" (Bedroom Community)
Portishead "Third" (Island)
Quiet Village "Silent Movie" (!K7)
Ricardo Villalobos "Vasco" (Perlon)
Roots Manuva "Slime & Reason" (Big Dada)
Santogold "s/t" (Warner)
Spiritualized "Songs In A&E" (V2)
The Bug "London Zoo" (Ninja Tune)
The Kills "Midnight Boom" (Domino)
TV On The Radio "Dear Science" (4AD)
Two Banks Of Four "Junkyard Gods" (Sonar Kollektiv)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
Why? "Alopecia" (Tomlab)
 
2008:
As canções "Machine Gun" de Portishead, "Blind" de Hercules And Love Affair e "L.E.S. Artistes" de Santogold; a demissão de Manuel Portela de director do Teatro Académico de Gil Vicente; a entrevista que fiz a Leila Arab; a Sicília; a morte do escritor Luiz Pacheco; a discutível localização do novo aeroporto de Lisboa em Alcochete; o impacto da greve dos argumentistas em Hollywood; os conflitos étnicos no Chade e no Quénia; "Persépolis", de Marjane Satrapi; o protesto de 100 mil professores na "Marcha da Indignação"; os 60 anos do Hot Clube de Portugal; a mailing Lust da Flur; o inqualificável “orgulhosamente sós” da Junta Militar da Birmânia; Portishead, uma década depois; "No Country For Old Men" dos Cohen; Barack Obama; um número inquantificável de festivais musicais de Verão; os recordes do mundo batidos nos Jogos Olímpicos em Pequim; o lamaçal que continua a envolver o futebol português; a revolta dos sintetizadores em "Supreme Balloon" de Matmos; o Courrier Internacional; "Tropa de Elite" de José Padilha e o seu Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim; as mortes provocadas por sismos em Sichuan (China); Grace Jones em grande forma; os cinquenta anos de Madonna; a morte do actor Paul Newman; os Gala Drop a provarem que é possível; "O Segredo De Um Cuscuz" de Abdellatif Keshishe; as energias renováveis; o blog Sound+Vision; não desistir de tentar ver a luz ao fundo do túnel (escuro, escuro e sem final à vista…).
 
2009:
Redescobrir o prazer de dançar.
 
(Teatro Académico Gil Vicente; revista Blitz)
 
 
 
 
PEDRO FIGUEIREDO:
 
Portishead "Third" (Island)
REM "Accelerate" (Warner)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
Cut Copy "In Ghost Colours" (Modular)
Bob Dylan "Tell Tale Signs - The Bootleg Series Vol. 8" (Sony BMG)
+
Sem ordem. Segunda linha: MGMT, Duffy, Hold Steady, Coldplay, Fleet Foxes, Simon Bookish, Girls Aloud, TV On The Radio, My Morning Jacket, Lil Wayne. Nacionais, verificar um pouco abaixo.
 
2008:
Spiritualized (Optimus Alive!08)
Lou Reed (Campo Pequeno)
The National (Aula Magna)
Sigur Rós (Campo Pequeno)
Mercury Rev (Aula Magna)
+
Idem, aspas. Segunda linha: Dylan (Optimus Alive!08), Riding Pânico e If Lucy Fell (ZDB), Róisín Murphy (Coliseu Dos Recreios), Vampire Weekend (Optimus Alive!08), Pontos Negros (MusicBox). Ano de poucos concertos vistos.
 
Portugal, ano Guillul, FloresCaveiras, Pontos Negros e amigos. Mas mais: Buraka Som Sistema, Peixe:avião, If Lucy Fell, Riding Pânico, X-Wife, Mesa, Rui Reininho, Dead Combo, Gala Drop, Ruben Alves, Rita Redshoes, uma mão cheia de bons EPs e Camané. Ano simpático para a música portuguesa.
Lou Reed e Leonard Cohen na mesma noite, ao mesmo tempo, em Lisboa (acontecimento com tanto de bom como de mau).
Girl Talk: ao segundo disco, uma certeza: classe!
My Bloody Valentine, o regresso: e Portugal, nada?
Pausa na música: Obama, claro.
 
2009:
Mais tempo para os próximos, mais tempo para mim.
Mais música, muita e boa.
E o benfica campeão.
 
(revista Dif)
 
 
 
 
PEDRO GOMES:
 
The Hospitals "Hairdryer Peace" (ed. autor) e Sic Alps "U.S. Ez" (Siltbreeze): dois clássicos do rock contemporâneo, estudos de corrosão, ensaios da neurose e concretizações da beatitude da busca pelo som novo da libertação e da expressão singular.
Gala Drop "s/t" (Gala Drop): obra-prima do inclassificável e do amor a todas as músicas.
Tropa Macaca "Fiteiras Suadas (Qbico): mais um da tropa para a história do transe, do ruído e das verdades circulares.
Animal Collective "Water Curses EP" (Domino): nunca menos que geniais, sempre num novo sítio, sempre a rebentar de luz.
 
+ Reedições:
R. Stevie Moore "Meet The R. Stevie Moore" (Cherry Red): Primeira antologia séria de um dos grandes génios malditos e ignorados da pop.
V/A "African Scream Contest" (Analog Africa): 14 faixas inacreditáveis, escolhidas a dedo, do mais violento bounce do Togo e do Benim nos 70s, numa época em que, finalmente, as editoras começam a olhar seriamente para o que África fez para o baile no último meio século.
Jade Stone & Luv "Mosaics, Pieces of Stone" (Subliminal Sound): casal white trash motard encontra Andrew Lloyd Weber numa bomba de gasolina em '77.
 
+ Bangers:
Dj Mujava "Tonwnship Funk"; The Body Snatchers "I Like What I See" (Joker mix); Lil Wayne "A Milli"; Os Bf - "Mil e Um Toque"; Omar-S "Psychotic Photosynthesis 12"; Slight Delay "Sufi Surfer" 12"; Tinchy Stryder "Cloud 9 EP"; Gang Gang Dance "First Communion" e "Princes"; Kotalume "Funaná é Rapicado"; Orchestre Poly-Rythmo (tudo); Brenda Ray "Swirlin' Hearts"; Bulimundo "Bulimundo", "Fidjus di Funana"; Photonz - tudo; Harry Thumann "Underwater'; Ritchaz & Kéke "Spia Harmonia".
 
+ Rockers:
Peter Green "Slabo Day"; The Lollipop Shoppe "Don't Look Back"; Cold Sun "Dark Shadows"; The Rolling Stones "Let's Spend the Night Together", "Street Fighting Man" e uma porrada de álbuns no ano em que finalmente deixei de embirrar com o Jagger e comecei a adorar Stones; Flying Burrito Brothers "Gilded Palace of Sin"; Bo Diddley - dois primeiros; The Id "The Inner Sounds of the Id"; Lou Reed "Coney Island Baby; Groundhogs "Blues Obituary"; John Lee Hooker "Endless Boogie"; Relatively Clean Rivers "Hello Sunshine" & "Easy Ride"; The Strange Boys "Nothing" 7" e "Woe Is You And Me" 7".
 
+ Cantores da realidade, santos e samurais:
Nelson do Cavaquinho (obrigado por tudo); Champion Jack Dupree "Blues From The Gutter"; Floyd James (tudo o que apanhei); African Brothers Dance Band International; Rail Band "Melodias "Rail Band du Mali II"; Kan Mikami "No Sekai"; Elizeth Cardoso "Retrato da Noite"; Chico Buarque "Sabiá"; Peter Sarstedt "Where Do You Go To (My Lovely)" (como toda a gente este ano); Beach House "Gila" e "Heart of Chambers"; Echo Minott "Youth Man Vibrations"; Ras Michael & The Sons of Negus "Love thy Neighbor"; Wayne Jarrett "Bubble Up; Omar-s - tudo, centenas de vezes; Fruko y Sus Tesos "A La Memoria Del Muerto".
 
+ Headcleaners:
Takehisa Kosugi "Catch Wave"; Don Cherry "Brown Rice", como todos os anos, mas este foi terapia recorrente como mais nada; Terry Riley "Music For The Gift"; Popol Vuh "Aguirre" (OST); Alèmu Aga - tudo do Arthur Russell etíope (ou vice-versa); Wilburn Burchette "Guitar Grimoire", pedra preciosa; Baden Powell "Samba Triste"; Paco de Lucia "Entre Dos Aguas"; Luís Bonfá "Solo in Rio 1959"; Durutti Column "Sketch For Summer".
 
+ Concertos e performances do tipo:
Avenida 18/07 e 21/12 (Avenida 211), até ao fim dos dias no coração; Charlemagne Palestine, Colleen e David Maranha (Sé Patriarcal de Lisboa), viagem pan-religiosa por todas as formas do sagrado; performance Charlemagne Palestine Lights Off (Espaço Oporto); MV & EE With The Golden Road + Loosers c/ Valerio Cosi + banquete com a família a seguir; o Vítor em air guitar a pôr discos no 10º aniversário da Discolecção; o Zeca a meter o "Early Steppenwolf" no prego na Avenida durante demasiado tempo; Jack Rose (Maxime), cada vez mais mestre; Magik Markers + Pumice (Museu do Chiado), a Elisa a mandar vertigem de palco como não via ninguém fazer há anos, monumental; Black Lips (Lux), bad kids; Flower + Corsano (insuperável), Calhau! e Peter Bastian (Out.fest, Barreiro); Animal Collective + Atlas Sound (Lux), banda da década, concerto-trip-travessia épico; Sightings (Museu do Chiado), revolucionários do rock em lição de independência, imponência e desafio; LSD March + Ignatz (Museu do Chiado), Lisboa, blues homicida e ritual de escuridão; Aki Onda / César Burago / Sei Miguel + The Blues Quartet (Sala de Fornos do Museu do Chiado), concílio de guardiões do tempo e do espaço; 6 Organs Of Admittance, Wooden Shjips e Sic Alps (Caixa Económica Operária), deboche decibélico na melhor sala de Lisboa para o rock; Beach House + Jana Hunter (Maxime), tão bonito que fez doer; Spectrum (Museu do Chiado), lição de som, hipnose e ritual; Cat Power (Coliseu dos Recreios), com dezenas de defeitos, mas a voz, em que condições estiver, faz sentir como mais ninguém; Norberto Lobo, sempre que o vi com uma guitarra na mão; Aquaparque (ZDB), momento de revelação e avanço em família; Acid Mothers SWR c/ Rui Dâmaso (ZDB); Dirty Projectors e Gala Drop (ZDB), geometrias infinitas; Vetiver (ZDB), mais uma dúzia ou isso de algumas das maiores canções do songbook americano desta década; Bonnie 'Prince' Billy (ZDB, 1ª noite), delirante como mais ninguém consegue ser com uma história na boca; Sonny Simmons / Bobby Few / Masa Kamaguchi + Josephine Foster + Osso Exótico (ZDB), Few anjo, Simmons gigantesco, concerto lindo; Damo Suzuki + Loosers (ZDB), estoiro de garage primata iluminado; Ricardo Villalobos + Thomas Melchior (Panorama Bar, Berlim) - viagem, liberdade e espaço em estado puro.
 
2009:
Originalidade, independência espiritual e intelectual em todas as acções.
 
(promotora Filho Único)
 
 
 
 
PEDRO RAMOS:
 
Beach House "Devotion" (Bella Union)
The Walkmen "You & Me" (Gigantiq)
Fleet Foxes "s/t" (Bella Union)
Cut Copy "In Ghost Colours" (Modular)
TV On The Radio "Dear Science" (4AD)
 
2008:
The National (Aula Magna)
The Walkmen (Tivoli)
Beach House (Maxime)
Rage Against The Machine (Optimus Alive!08)
Cut Copy (Sudoeste)
 
2009:
O Impossível
+
Menos choro/Mais risco(s)
Onde pára a História desta década?
Vamos fazê-la. Vamos entrar nos anos 20 mais cedo.
Que se foda a normalidade.
 
(rádio Radar)
 
 
 
 
RUI MASCARENHAS:
 
William Parker com “Double Sunrise Over Neptune” (AUM Fidelity) e “In Order To Survive” (AUM Fidelity)
Anthony Braxton & Joe Morris “Four Improvisation” (Clean Feed) e Anthony Braxton, Milford Graves & William Parker “Beyond Quantum” (Tzadik)
Spring Heel Jack & Roy Campbell Jr “Songs And Themes” (Thristy Ear) e Matthew Shipp, Medeski & All “Scotty Hard’s Radical Reconstructive Surgery” (Thirsty Ear)
The Fall “Imperial Wax Solvent” (Castle) e Sonic Youth, Mats Gustafsson & Merzbow “Andre Sider Af Sonic Youth” (SYR)
TV On The Radio “Dear Science” (4AD) e Evangelista “Hello Voyager” (Constellation)
Fennesz “Black Sea” (Fennesz) e Vladislav Delay “Anima” (Huume)
Mark Applebaum “Sock Monkey” (Innova) e John Cage por Philip Vandré “Complete Short Works For Prepared Piano” (Mode)
 
Ok, fiz batota na lista. Não consigo seleccionar mesmo só 5...
Este não é um ano em que possa dizer que descobri algo de novo. Não houve realmente uma personagem no campo da música que me tenha surpereendido com um novo género, uma nova atitude, uma verdadeira diferença. Não o direi dos Vampire Weekend, nem da Santogold, nem dos Cut Copy, nem dos MGMT, nem dos Hercules And Love Affair, nem dos Fleet Foxes, nem dos Gang Gang Dance, nem dos High Places, nem Girl Talk ... ainda que em muitos destes projectos pense haver coisas a elogiar. Os consagrados também não me exaltaram; dos Portishead a Nick Cave, dos Fujiya & Miyagi ao Herbert, da Erykah Badu aos The Bug... para apenas referir alguns que terão o direito a destaque em muitas listas. Buraka Som Sistema estão em grande e entregaram, assim como os Dead Combo. Mas o ano encontrou, pessoalmente, todas as suas emoções revolucionárias noutras paragens (talvez algures também se tenha começado uma no campo da estética mas ainda não chegou aqui).
 
Na clássica destaco pouca coisa (mas é-me também bastante mais dificil de arranjar): Mark Applebaum, já no fim do ano, e Franco Donatoni, foram as melhores supresas. Das novas gravações destaco apenas as “Complete short works for prepared piano” de John Cage na Mode CD que comprei para substituir gravações que tinha. A edição (e a crítica) no campo da clássica mantem-se bastante triste: não imagino um mundo em que a publicação de livros se reduzisse, em 98%, à reedição de novas traduções de velhos clássicos, todos criados antes de 1920. Por muito bons que fossem os novos tradutores o panorama não deixaria de surgir algo monótono (ok, há um Mahler “novo”...). O ano passado pelo menos tivemos um Emmanuel Nunes novo!
 
Dos autores que acompanho o mais perto possivel, pela capacidade de serem sempre para mim a grande novidade do nosso tempo, destaco Herberto Helder  e William Parker. Destaco Braxton na Clean Feed numa preciosidade em 4 CDs!!! e igualmente o saído na Tzadik (ao lado de William Parker - ok , sou fã  - e Milford Graves). Não compreendo o silêncio em redor do trabalho dos Spring Heel Jack, desta vez com Campbell Jr. Só por isso tem que estar na minha lista (espero todos os anos pelo seu novo álbum e vou comprando os que publicam pela sua editora privada com todos os nomes que interessam no panorama do free jazz, numa linguagem cada vez mais sua. Sim, com o seu quê de lírico, de híbrido electrónico e jazz, e eu gosto, muito, obrigado).
Fiquei muito feliz com o novo trabalho dos TV On The Radio. Sempre terão o seu lugar na minha memória sobre esta década. Gente séria. Os Envangelista mostraram-me da melhor forma que ainda há razões para estarmos atrentos às edições da Constellation (já o CD do colectivo...). Finalmente o Fennesz acabadinho de sair (e não consigo deixar de destacar o do ano passado com o Sakamoto, que só fui descobrindo ao longo deste ano). Alva Noto e Vladislav Delay também publicaram coisas que não quereria ter perdido.
 
+ Livros filosofia:
François Dosse "Gille Deleuze"; Felix Guattari "Biographie Croisée"
Gabriele Schawab "Derrida, Deleuze, Psychoanalysis" (com último texto de Derrrida sobre Deleuze)
José Gil "O Imperceptível Devir Da Imanência - Sobre A Filosofia De Deleuze"
Douglas Hofstadter "I Am A Strange Loop"
François Dosse & Jean-Michel Frodon "Gilles Deleuze Et Les Images"
 
+ Concertos:
Ornette Coleman (Coliseu Do Porto)
Rage Against The Machine (Optimus Alive!08)
4 Corners (Casa Da Música)
Go! Team (Casa da Música)
Wraygunn (Batalha)
Remix Ensemble "Quartour Pour A Fin Du Temps" (Casa Da Música)
 
2008:
Falência e nacionalização do capitalismo financeiro à escala global.
Eleição de Obama
Inauguração dos Jogos Olímpicos de Pequim a 08/08/08
TDC oferece toda a música gratuita aos seus subscritores de tráfego, fixo e móvel.
Lançamento do telefone da Google, consolidando movimentos do mercado iniciados com o Iphone.
Novo livro de Herberto Helder e antologia da Loise Bourgeois no Gughenheim
 
(site musica.optimus.pt e concertos@optimus)
 
 
 
 
RUI TENTÚGAL:
 
Why? "Alopecia" (Tomlab)
Boredoms "Super Roots 9" (Thrill Jockey)
Hot Chip "Made In The Dark" (EMI)
Human Bell "Human Bell" (Thrill Jockey)
David Gilmour "Live In Gdansk" (EMI)
 
2008:
FlorCaveira e Gala Drop
Morreu Richard Wright…
 
2009:
Gostava de poder ir ver o Jandek.
 
(jornal Expresso)
 
 
 
 
RUI TRINTAEUM:
 
Social Disco Club - Revelação e melhor DJ/Produtor Nacional: não só porque as suas produções se afirmaram entre o melhor lá fora, mas também porque me deliciei muitas vezes a ouvi-lo e porque acredito e afirmo que ele é bom... muito bom... e que o melhor ainda está para vir...
Henrik Schwarz - melhor produtor internacional: Porque foi o artista de quem mais discos passei, todos muito, muito bons... onde este homem toca, nada fica abaixo de excelente.
The Revenge - Artista revelação internacional: pouco trabalho, nada de novo, apenas música excelente e deliciosa para os nossos ouvidos... que não nos cansamos de ouvir e que já ouvimos muitas vezes... e queremos ouvir mais... e porque estamos atentos e expectantes a tudo o que the revenge e os seus companheiros irão fazer no próximo ano.
The Revenge "Night Flight" (Jiscomusic) - Edit do ano: idem idem aspas aspas e mais The Revenge para 2009.
Omar-S "Psychotic Photosynthesis" (FXHE) - Disco do ano: um clássico para a eternidade... Detroit ainda é Detroit.
Simon Baker "Plastik - Todd Terje remix" (Playhouse) - Remistura do ano: entre o óptimo e o excelente vai uma muito pequena e enorme diferença. Todd Terje, sem alterar muito original, conseguiu a proeza.
 
2008:
A Falência das verdades absolutas dos técnicos altamente qualificados e remunerados que lideram o sistema político-financeiro mundial.
Barack Obama, uma janela de esperança...
Ainda existe demasiada Guerra e fome no mundo.... É inaceitável.
O fenómeno nocturno de rua no Porto, imbatível... Muita gente, pouca música.
Moodymann no Trintaeum. Uma lição de música...
A nova vaga de produtores nacionais (Social Disco Club, Tiago Miranda, Slight Delay, Johnwaynes, Moulinex, etc...) a serem reconhecidos fora de Portugal pelos seus trabalhos . Pena que o mesmo ainda não se sinta cá dentro...
 
2009:
Uma boa Rádio no Porto
 
(promotora e clube Trintaeum)
 
 
 
 
SÉRGIO HYDALGO:
 
Este ano, o primeiro à frente da programação da ZDB, deixou marcas. Foram muitos (para cima de uma centena) os concertos assistidos entre o aquário da Rua da Barroca e outros espaços (um velho cinema, um armazém meio abandonado ou um parque de estacionamento no centro da cidade).
 
A música e as pessoas, deixaram memórias para todo o sempre. Dirty Projectors (Dave Longsthreth é génio, 2009 será dele), Sonny Simmons & Bobby Few & Masa Kamaguchi, Bonnie Billy (ainda mais a segunda do que a primeira noite) e Lightning Bolt desarmaram-me, e deixaram-me com um sorriso de puto embevecido. Na Sé, Charlemagne Palestine, antecedido por uma hora perfeita de Colleen, arrebatou os céus. Sem esquecer a beleza telúrica de Aki Onda & César Burago & Sei Miguel, Shanbehzadeh pai e filho na noite de inauguraçao de "Abissologia", Extra Golden (a Z em febre dançante, qual boîte de Nairobi), Scout Niblett no Mercado Negro, Beach House no Maxime, Michael Gira em Leiria, David Maranha e amigos na Avenida 211, Negativland na LX Factory, Peter Brötzmann Chicago Tentet no Jazz Em Agosto, Steffen Basho-Junghans & Norberto Lobo num sotão no Príncipe Real, High Places, Gala Drop, Manuel Mota, Vetiver e Lucky Dragons na ZDB e ainda um pôr-do-sol com Chris Corsano & Virginia Genta no terraço.
 
Foi bom regressar à Costa Vincentina (sem música), descobrir NY (Phil Collins, “Rise Above” e Boys II Men), perder-me em pequenos-almoços pela tarde adentro e apaixonar-me por Cassavetes.
 
Mais MP3 e vinil do que CD, valeu ouvir tudo da Analog Africa. Destaques para "African Scream Contest" e Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou com "The Vodoun Effect 1972-1975: Funk and Sato from Benin's Obscure Labels". "Saint Dymphna" (Warp) de Gang Gang Dance partiu tudo e "This Coming Gladness" (Bo'Weavil) colocou Josephine Foster no panteão das intérpretes da década. Em repeat ressoou o single "Used To Be" (Carpark) dos Beach House e os homónimos de High Places (Thrill Jockey) e Gala Drop (Gala Drop).
 
(sala, galeria e promotora Zé Dos Bois)
 
 
 
 
SUSANA POMBA:
 
 
The Last Shadow Puppets "The Age Of The Understatement" (Domino)
Cut Copy "In Ghost Colours" (Modular)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
The Kills "Midnight Boom" (Domino)
Hercules And Love Affair "s/t" (DFA)
 
2008:
The National (Aula Magna)
"Heartbreaker" de Metronomy.
"Veronica's Veil - Erol Alkan's extended rework" de Fan Death.
Os 10 x 10 do Lux.
The Kills na Casa da Música.
 
Este ano percebi que podia arquivar de forma organizada o que normalmente está em pilhas no chão, em caixas ou em prateleiras mal arrumadas em casa, no computador ou no carro. Aqui fica uma escolha apressada, feita às 3h47m da manhã, porque já estou três horas e quarenta e sete minutos atrasada no envio deste email. São os títulos dos posts de um blog que me ajudou a arrumar a vida em 2008. Este foi o primeiro ano.
 
Janeiro - "I Could Live Forever (Inside The Back Of Your Car)" por Luís Graça; February - Black Sugo (Europa), conferência Stuart Bailey (Culturgest), Gardar Eide Einarsson, Team Gallery (ARCO), Novo trabalho de Ricardo Jacinto (Earworm); Março - Pop Dell' Arte (Santiago Alquimista), Ur Ma (Bomba Suicida); Abril - 25.000 euros por Migso!, "The Killer's Kiss", "Better Days, For These Days" por André Guedes; Maio - Premiere do documentário Soulwax, The National (Aula Magna), Matt Berninger, "Ex Ovo Omnia" por Vasco Araújo, "Classic" por Praga; Junho - tenho pensado em 1984 e Leigh Bowery, Sara & André (3+1); Julho - Róisín Murphy (Optimus Alive!08), Vampire Weekend (Optimus Alive!08), "The Storyteller" por João Pedro Vale; Agosto - Festival Sudoeste; Setembro - o nº1 do Jornal Lux Frágil já está na rua, Sebastian Tellier e "Underpants", "S/HE IS HER/E" por Ana Jotta (Chiado 8), "Work No. 850" por Martin Creed (Tate Britain); Outubro - "Listen Darling, The World is Yours" (Ellipse Foundation), Erol Alkan (Lux); Novembro - "Domingo" por Pedro Barateiro, Cut Copy (Lux), Gabriel Abrantes (Galeria 111), ? (Lux); Dezembro - "Outro Fim" (Culturgest), Supernova + Anita Vai a Nada (Negócio/ZDB), Nick Cave disse: Turner para Mark Leckey!!!
 
2009:
Espero pelo musical "Demo" (título provisório) do Teatro Praga, a estrear em Junho de 2009 no São Luís.
 
(jornal Público; jornal Lux Frágil; revista Artes & Leilões; missdove.blogspot.com)
 
 
 
 
TIAGO SOUSA:
 
Brethren Of The Free Spirit "All Things Are From Him, Through Him And In Him" (Audiomer): encontro mágico entre dois brilhantes músicos do nosso tempo. Um toca alaúde e corre o mundo - trovador no século XXI. O outro faz-se ouvir através de uma guitarra de 12 cordas à qual une um carácter místico. Juntaram-se e fizeram um disco delicioso.
James Blackshaw "Litany of Echoes" (Tompkins Square): é o disco mais orquestrado de Blackshaw. Não sendo um disco surpreendente não desilude os seus seguidores.
Paul Metzger "Delieverance" (Locust): improvisador e modificador de guitarras, apresenta-se neste disco acompanhado por um banjo modificado que se inspira na música do oriente e parte à descoberta dos recantos mais recônditos da mente.
Balmorhea "River Arms" (Western Vinyl): belo disco em modo quase-pós-rock-qualquer-coisa. Belas canções instrumentais, sublimemente orquestradas
Goldmund "The Malady Of Elegance" (Type): disco minimal em piano preparado. Boa companhia.
 
2008:
Colleen, Charlmemagne Palestine e David Maranha (Sé De Lisboa): Noite mágica, local místico, delicioso ver Charlemagne Palestine profanar o orgão de tubos da igreja mãe de Lisboa.
Vic Chesnutt no AMAC (Barreiro Outras Músicas): Desconhecia, fiquei rendido. Vic Chesnutt é enorme!
Shannon Wright (Santiago Alquimista):
Expectativas altas, foi um concerto com bons momentos pena que tenha vindo sozinha.
Jana Hunter (Maxime): foi a terceira vez que a vi, finalmente com banda. Não desiludiu... o disco de 2007 é incrível..
Tony Conrad (Louvre): tropecei neste concerto quando estive em Paris, era à pala, as pessoas saiam durante a actuação aos magotes. Grande..!
 
Por fim duas notas de coisas com mais de cem anos mas que me fascinam hoje: Debussy "Prélude À L'Après-Midi D'Un Faune" e Henry Thoureau "Walden; Or Life In The Woods".
 
(editora e promotora Merzbau)
 
 
 
 
VITOR BELANCIANO:
 
Vampire Weekend "s/t" (XL)
Portishead "Third" (Island)
TV On The Radio "Dear Science" (4AD)
Dirty Projectors "Rise Above" (Rough Trade)
Santogold "s/t" (Warner)
Gang Gang Dance "Saint Dymphna" (Warp)
Fleet Foxes "s/t" (Bella Union)
High Places "s/t" (Thrill Jockey)
Patti Smith & Kevin Shields "The Coral Sea" (Pask)
Quiet Village "Silent Movie" (!K7)
+
Buraka Som Sistema "Black Diamond" (Sony BMG)
Gala Drop "s/t" (Gala Drop)
X-Wife "Are You Ready For The Blackout?" (NorteSul)
 
+ Factos, figuras e outras doçuras:
Regressos dispensáveis (AC/DC, Police, Sex Pistols) e impensáveis (Portishead, Leila, Grace Jones, Leonard Cohen); Sexo, drogas e rock in Amy Winehouse; Björk e Toumani Diabaté, no mesmo palco, Sudoeste; Animal Collective no Lux a mostrar o álbum que aí vem; África, e quase tudo o resto, em Brooklyn (Vampire Weekend, Yeasayer, Gang Gang Dance, Dirty Projectors, MGMT); Justice, um ‘stress’ de vídeo; Há cada vez mais tribalistas urbanos (Santogold, Very Best, Yo! Majesty, DJ Mujava); O “Black Diamond” dos Buraka Som Sistema, por questões criativas, de mercado e sociais; Quem pára David Sitek? (TV On The Radio, Scarlett Johansson, Foals); A Austrália mais perto (Cut Copy, Midnight Juggernauts); Herança ZDB (Gala Drop, Aquaparque), Os ‘chants elysée’ de Carla Bruni; 50, o número mágico (Bossa nova, Motown, Madonna, Prince, Michael Jackson); Nunca foi tão bom ser reaccionário (Fleet Foxes, Beach House, Alela Diane); Refúgios tranquilos (Quiet Village, High Places); De onde é que estes apareceram? (Patti Smith & Kevin Shields, Nico Muhly); Música ‘disco’, ainda, e sempre (Lindstrom, Hercules And Love Affair, Glass Candy, Chromatics, Slight Delay); O ‘zoo’ à solta em Londres (The Bug, Benga); Não se cria a partir do nada, mas do caos (Fuck Buttons, No Age, Girl Talk, Deerhunter); E Obama, é evidente, porque há muito tempo que não havia alguém que nos desse música assim.
 
(jornal Público)
 
 
 
 
 
 
ANDY BLAKE:
 
Paul Parker "Right On Target": mais um disco enorme do Patrick Cowley, uma reacção simplemente avassaladora na pista de dança sempre que o passei. Estou sempre a pensar que um dia me vou fartar de o tocar e ainda não deixei de o fazer após muitos muitos anos.
Photon Inc "Generate Power (Wild Pitch mix)": jacking house sem tempo que deixa as pessoas loucas. Revival Wild Pitch para 2009? Sim, por favor
Azoto "Anytime Or Place": Celso Valli = génio disco divino. Este disco é basicamente perfeito e envia as pessoas para um sítio muito especial.
Rok "Silky": uma reinterpretação filter-disco acelerada e fortificada de "Groove Me" de Fern Kinney, final dos 90s. Parece uma ideia muito má até de facto o ouvirmos. Absolutamente enorme!
Nancy Martin "Believe": uma pérola de boogie electrónico midtempo. O baixo imenso, tarola electrónica a estalar bem, palmas e ruídos são poderosos e exigem a atenção da pista. A voz é simplesmente brilhante.
 
Prometi a mim mesmo que, em 2008, gastaria mais tempo a ouvir e comprar discos novos e falhei miseravelmente porque continuo a gastar todo o meu tempo e dinheiro à procura dos antigos. Mas pelo menos editei alguns
Esta foi uma lista de 12"s que foram grandes todo o ano nos meus sets como DJ. Sem ordem.
 
2008:
George Bush e o seu gang maléfico serem corridos do cargo - talvez o mundo seja um pouquinho mais seguro agora.
Ver o novo filme de Batman à meia-noite no IMAX de Londres - baixa cultura no seu ponto mais alto: os efeitos full screen dos planos de cidade foram uma verdadeira experiência de imersão, perder toda a visão periférica e cair virtualmente dentro do filme devido ao tamanho gigante do écran foi de loucos.
Passar discos no Club 69 em Glasgow - tive óptimos gigs este ano mas este foi um ponto alto incrível. Uma cave cheia de suor e lendária meca do techno onde toda a gente que é alguém no techno já tocou. Ser convidado para tocar lá foi um sonho tornado realidade. O Martin e o Euan, que mantêm a noite há 17 anos (todas as semanas há mais de 11!!), são os tipos mais simpáticos e musicalmente conhecedores de sempre, e o sítio, sistema de som e público são incríveis, como foi incrível poder passar techno, acid house, wild pitch e disco electrónico aguerrido.
Depois de anos de procura, encontrar finalmente uma cópia de "Can't Take It No Longer" de Andrew Paul, um disco de dancehall britânico do princípio dos 80s cuja mensagem nunca foi mais relevante: acordem e parem de se matar uns aos outros, estão a fazer exactamente o que a Babilónia quer que façam.
Passar discos na Horse Meat Disco, outro daqueles gigs de "sonho tornado realidade". Por vários motivos no lado oposto do espectro em relação ao Club 69 mas igualmente baseado no mesmo espírito de liberdade e felicidade. Foi óptimo passar disco, hi-nrg e sujidade para aquele público incrível durante mais de 3 horas. Jim, James, Sev e Luke (o quarteto Horse Meat) são pessoas incríveis e o facto de terem adorado a música que passei significa muito para mim.
 
Andy Blake é DJ e responsável pela editora Dissident.
 
 
 
 
BERNARDO DEVLIN:
 
Andrew Poppy "... And The Shuffle Of Things" (Field Radio)
Barry Adamson "Back To The Cat" (Central Control International)
Bauhaus "Go Away White" (Cooking Vinyl)
Einstuerzende Neubauten "The Jewels" (Potomak)
Evangelista "Hello, Voyager" (Constellation)
Jackie Leven "Lovers at the Gun Club" (Cooking Vinyl)
Keiko Higuchi "Love Hotel" (Bishop Records)
Matmos "Supreme Baloon" (Matador)
Manorexia ll "The Radiolarian Ooze" (Ectopic Ents)
Nick Cave And The Bad Seeds "Dig!!! Lazarus Dig!!!" (Mute)
Sebastien Tellier "Sexuality" (Record Makers)
Sparks "Exotic Creatures Of The Deep" (Lil' Beethoven)
The Legendary Pink Dots "Plutonium Blonde" (Roir)
Tricky "Knowle West Boy" (Domino)
Van Der Graaf Generaror "Trisector" (Virgin)
Van Morrison "Keep It Simple" (Lost Highway)
 
+ Descobertas tardias:
Dennis Wilson "Pacific Ocean Blue" (Columbia)
Ghédalia Tazartès "Check Point Charlie" (Musea)
Mort Garson "Wozard Of Iz" (Cherry Red)
 
+ Dois discos ainda por ouvir:
The Fall "Imperial Wax Solvent" (Castle)
David Byrne & Brian Eno "Everything That Happens Will Happen Today" (Ed. Autor)
 
Bernardo Devlin editou "Ágio" e está na lista de favoritos da Flur.
 
 
 
 
DARREN CUNNINGHAM:
 
Zomby "Where Were U In ‘92" (Werk): enquanto responsável pela Werk tenho a sorte de trabalhar de perto com alguns dos melhores artistas na cena e o Zomby, para mim, inclui-se nessa categoria. Estaa personagem que eu provavelmente descreveria como "anti-herói" é sem dúvida um dos artistas mais talentosos de 2008, e o seu álbum para a Werk ("Where Were U In '92?") é um momento definidor para a editora e a cena em geral. 2008 foi um ano muito excitante para música nova, e o Zomby, com edições na Hyperdub e na Werk, tem sido um farol.
Orchestre Poly-Rythmo De Cotonou Dahomey "Minsato Le, Mi Dayihome" (de "World Psychedelic Classics 3: Love's a Real Thing", Luaka Bop): o Lukid é provavelmente um dos melhores DJs que ouvi, em termos da selecção de música, e foi ele que me ligou a este tema espantoso. Ambientes oeste-africanos, grunhidos e gritos estilo James Brown, bateria quebrada e acompanhamento de guitarra fazem-me saltar e suar no meu estúdio. Óptimo nome, também.
Flying Lotus "Roberta Flack" (Warp): coisa óptima neste tema é a contenção. Gosto de Flying Lotus mas esta faixa destaca-se claramente das outras. Totalmente doente. Incrível.
Rustie "Zig Zag" (Wireblock): pediram-me para remisturar um tema do EP "Jagz The Smack" para o Rustie, mas quando tive acesso às sessões originais percebi que não precisava de remisturas. Produtor incrível, óptima pessoa e alguém que vai permanecer na cena por muito tempo. Tem até o potencial para chegar aos tops, mas este tema é demais. Sou doido por Drexciya mas isto consegue ultrapassá-los.
?/Thriller "BBQ/Genie" (Thriller): uau, esta editora é perigosa. Ouvi dizer que vão sair outro 12" e um álbum. Não sei muito sobre eles mas este disco foi uma bomba em 2008. Tão bom que aleija.
 
+ 5 ao acaso:
Liverpool FC. Apoio o clube desde os 6 anos, e estamos à frente do campeonato por isso estou bem contente. Embora aí Rafa!
O modo como 2008 se abriu musicalmente, com destaques para Zomby, Joker, Giggs e a Werk.
O canal TCM. Gosto de filmes a preto-e-branco com a Bette Davis, Humphrey Bogart ou James Cagney.
O facto de ser a única pessoa que achou o mais recente filme de Batman uma p-o-r-c-a-r-i-a.
Tocar ao vivo para públicos óptimos durante 2008. Consegui sentir o entusiasmo. Novos começos começam.
 
Darren Cunningham é o A&R da Werk, mas também fez "Hazyville", sob o nome de Actress, um dos discos do ano para a Flur.
 
 
 
 
 
D.I.S.C.O.TEXAS:
 
Top Pista:
Cut Copy "Lights n Music" (Moulinex Remix) (Modular)
Xinobi "Day Off EP" (D.I.S.C.O.Texas)
Discorockets "Running to You"
Surkin "Next of Kin EP" (Institubes)
The Whitest Boy Alive "Golden Cage" (Fred Falke Remix) (Modular)
 
+ Top Abusados em 2008 (mas que não são de 2008):
Alan Braxe & Kris Menace "Lumberjack"
Chilly "For Your Love"
Proxy "Decoy"
Kano "It's A War"
Lifelike & Kris Menace "Discopolis"
 
2008:
Muito directamente: 2008 foi um ano incrível para a D.I.S.C.O.TEXAS. O mais importante foi constatar que tudo o que fazíamos por amor estava a ser absorvido e apreciado por pessoas que não conhecíamos ou com quem não tínhamos contacto directo - em todo o mundo. Foi esse reconhecimento que catalisou o nosso empenho em tentar fazer mais e melhor.
 
D.I.S.C.O.TEXAS são Moulinex, Xinobi, Mecanismo Divino, Double Damage, Bandidos Desesperados, Cpt. Luvlace e Gun N' Rose, procurem também os seus respectivos MySpaces.
 
 
 
 
JAMAL MOSS:
 
Melody Stewart "I'm Ready For Love" (DJ Productions Ltd) - Disco
Wet "That's The Game" (S.T.D.) - Synth Pop
Bob James "ONE" (B3: "Nautilus") (CTI) - Soul Jazz
Peter Gabriel "Passion - Music For the Last Temptation of Christ" (Geffen) - Electronic/ Tribal/Ambient
Laurie Anderson "O Superman" (B1: "Walk The Dog") (Warner) - Abstract/Experimental
 
2008:
"The Tibetan Book Of The Dead" - ShamBhala Pocket Classics.
Zecharia Sitchin "The 12th Planet" - Livro 1 de "The Earth Chronicles".
Mudança.
O filme "The Dark Knight" (só pelas cenas com o Joker/Heath Ledger).
Terminar finalmente o meu álbum duplo (vinil e CD) "So Much Noise 2 Be Heard" (Mathematics Recordings), que todos os nomes acima descritos influenciaram grandemente.
 
Obrigado a todos os que adoraram e odiaram o que eu faço - sem vocês não existiria Eu.
 
Jamal Moss grava como Hieroglyphic Being, I.B.M. The Sun God, Africanswithmainframes, entre outros nomes, e é o responsável pela editora Mathematics.
+
 
 
 
 
JOHANNES VOLK:
 
Oliverwho Factory "Solitaire" (Madd Chaise Inc.)
Amplified Orchestra "Cosmic Slope/Fun Thing" (Amplified)
$tinkworx "Coelacanth" (Strange Life)
X-102 "Flyby" (Axis)
Bernard Badie "Time Reveals" (Mojuba)
 
O maxi "The Day We Met Again" de Johannes Volk é um dos melhores de 2008 nas listas da Flur.
 
 
 
 
KIRAN SANDE:
 
Gang Gang Dance "Saint Dymphna" (Warp)
Heartsrevolution "Digital Suicide" 10" (Isomorph)
Zomby "Where Were U In ’92?" (Werk Discs)
Joker "Gully Brook Lane" 12" (Terrorythm)
Lowtec "Workshop 001" (Side A) 12" (Workshop)
 
2008:
O livro "Dancehall" de Beth Lesser - verdadeiramente revelador.
Metro Area "Fabric 43" CD - masterclass de boogie.
Felix Kubin - o melhor performer no planeta?
Reedições de Gas pela Kompakt e Raster-Noton - o veio principal do art techno.
O programa de Setembro de Marcus Nasty e Mak 10 na Rinse FM o momento em que o ‘funky’ aconteceu.
 
Um ano confuso mas incessantemente fascinante, demasiado fragmentado e variado para se fazer um sumário. Como sempre, a melhor música surgiu dos locais menos esperados. Foi o ano em que o minimal finalmente se esgotou, o ano em que o dubstep conheceu a sua terceira vaga de criatividade (Zomby, Joker, etc.), e o ano em que grime e garage conmheceram uma espécie de renascimento sob o nome 'funky'. Um ano em que uma legião de bandas pós-Animal Collective, pós-Gang Gang Dance, sairam de Brooklyn, um ano em que pioneiros da electrónica de final dos 90s, como Gas, Pole e Basic Channel, foram finalmente contemplados com o respeito (e as reedições) que merecem. 2008 foi maravilhoso, certo, mas confiem em nós: 2009 vai ser ainda melhor.
 
Editor-adjunto da revista Fact
 
 
 
 
LEO CHADBOURNE:
 
3 EPs fantásticos em 2008:
Final Fantasy "Spectrum 14th Century" (Blocks): um disco brilhante, estranho, cheio de subtileza. O melhor de Final Fantasy até agora, na minha opinião.
Max de Mara "Classist" (6 Inches): música clássica re-imaginada como uma espécie de jazz ambiental etéreo. Assombroso e adorável.
Serafina Steer "Public Spirited" (Static Caravan): letras brilhantes e arranjos belíssimos, baseados na harpa e electrónica subtil de Serafina.
 
+ 2 concertos fantásticos em 2008:
Diamanda Galás no Queen Elizabeth Hall: ela é realmente como uma força da natureza. Hipnótica, apenas com um piano de cauda e a sua voz imensa na escuridão.
Scott Walker "Drifting and Tilting" no Barbican: um concerto bizarro, incomodativo, intrigante, baseado nos dois melhores álbuns de Scott. Fiquei demasiado excitado e tentei tocar-lhe, depois.
 
+ 1 álbum fantástico em 2008:
Max Tundra "Parallax Error Beheads You" (Domino): tão inventivo e enérgico, tão ambicioso. Essencial.
 
Leo Chadbourne é Simon Bookish e editou o álbum "Everything/Everything", está nas listas de favoritos 2008 da Flur.
 
 
 
 
NELSON GOMES:
 
2008 começa com uma viagem a Cabo Verde e na bagagem foi bastante reggae e alguma música africana: Triston Palmer "Spliff Tail" (Black Solidarity), White Mice "White Mice" (Basic Replay), Prince Jazzbo "Pepper Rock" (Studio One), Ranking Joe "Weakheart Fadeaway" (Greensleeves), Linval Thompson + Ranking Trevor + Wayne Jarret "Train To Zion Dub" (Tuff Gong), Hallelujah Chicken Run Band "Take One" (1974-1979) (Analog Africa), Balla Et Ses Balladins "Objectif Perfection" (P.A.M.), Keletigui Et Ses Tambourins "Le Retour" (Bembeya Jazz), El Rego Et Ses Commandos e Orchestre Poly-Rythmo. http://www.youtube.com/watch?v=aX21YIMBbPI (magnífico)
 
Em Abril dá-se um dos momentos mais mágicos da minha vida enquanto programador musical: a vinda do Charlemagne Palestine a Portugal para tocar no grandioso órgão da Sé De Lisboa. Como se não fosse grandioso suficiente, o facto de conseguir organizar algo na Sé e o concerto ter sido memorável, o Charlemagne é a melhor pessoa do mundo e grande contador de histórias. Foi lindo. http://www.youtube.com/watch?v=aGum0azhOIc
Nesta altura andava a ouvir muito rock, que ia desde discos perdidos (uns nem por isso) com mais de vinte anos, às primeiras edições do ano da Siltbreeze. A Siltbreeze (editora seminal do underground dos anos 90: Dead C, Harry Pussy, Shadow Ring, Bardo Pond, entre outros) é responsável pela edição de uma série de discos absolutamente geniais em 2008: Sic Alps "U.S. Ez", U.S. Girls "Introducing", Eat Skull "Sick To Death", Naked On The Vague "The Blood Pressure Sessions" e Fabulous Diamonds "Fabulous Diamonds".
 
Graças a Deus o Tom Lax (responsável pela mesma) decidiu voltar a carga com as edições. Para além destas edições, aqui ficam mais cinco discos incríveis: The Hospitals "Hairdryer Peace" (Ed. Autor), Times New Viking "Rip It Off" (Matador), Cause Co-Motion "It's Time!: Singles & EPs 2005-08" (Slumberland), Endless Boogie "Focus Level" (No Quarter) e The Strange Boys "Nothing" (Dusty Medical). Fiquem atentos ao próximo disco destes últimos pela In The Red, putos incríveis de Austin. O vocalista é uma espécie de Bob Dylan dos nossos tempos (é lindo) e eles tocam um espécie de garage folk. http://www.myspace.com/thestrangeboys
 
+ Discos de outras épocas
Los Saicos "Wild Teen Punk From Peru" (Electro Harmonix)
Bo Diddley "Bo Diddley" (Chess) e "Go! Bo Diddley" (Checker)
Cold Sun "Dark Shadows" (Rockadelic)
The Lollipop Shoppe "Just Colour" (Cherry Red)
The Third Bardo "I'm Five Years ahead of my time EP" (Sundazed)
Moolah "Woe Ye Demons Possessed" (Atman)
 
A meio do ano caso-me pela segunda vez na minha vida com a música de dança, passados 5 ou 6 anos de desencanto e divórcio completo. Sim, existiu um ou outro flirt, mas nada que me levasse à paixão profunda. O namoro começa com as reedições da Basic Channel (relembrando-me o quanto me passava com a sua música), o disco dos Harmonia "Musik Von Harmonia" (Brain), Omar-S com o fenomenal "Psychotic Photosynthesis" (FXHE) de 2007 e os DJ sets/compliações/entrevistas que ouvi/li do DJ Harvey. O Omar-S levou-me a descobrir/redescobrir toda a a cena de Chicago e Detroit: Adonis, Mr.Fingers, Fingers Inc., Phuture, Z- Factor, Rhythim Is Rhythim, Model 500 e os Virgo (paixão). http://www.youtube.com/watch?v=7Q-O8SPVBrE
 
E o Harvey com a cena disco cósmica: Logic System "Logic" (EMI), Blair "Nightlife" (Solar Sound), Holger Czukay "Movies" (EMI)
Richard Wahnfried "Time Actor" (Innovative Communication), Banda-sonora do filme "Get Carter" (Cinephile) composta pelo Roy Budd, especialmente a musica "Hallucinations (Instrumental)" e Woolfy vs. Projections "Split EP" (Rong). Os sets do David Mancuso e do Lary Levan. E o voltar a ouvir "Baby, Baby Baby, Aw Shucks" (Partehardy Records) re-edit do Ron Hardy, memorável e inesquecível.
 
Setembro = Tour europeia dos Gala Drop com os Religious Knives, que editaram em Outubro um belo disco "The Door" (Ecstatic Peace). Foi do caralho (ai!). Para além de termos tido a possibilidade de tocar todos os dias, o que é lindo e cansativo, deu para ir beber umas cerveja ao A La Mort Subite, Bruxelas, e comer batatas fritas na rua com o Sr. Charlemagne Palestine (com uma t-shirt de Gala Drop já vestida) e a sua respectiva; rever bons amigos em Berlim; tocar numa sala de concertos tipo plateau dos Morangos com Açúcar Anarca em Schio, Itália, onde literalmente todas as pessoas se estavam a cagar para os dois concertos; conhecer uma das cidade mais violenta de sempre - Marselha, proporcionando-nos todo o tipo de emoções, desde o melhor concerto da tournée e por ultimo, muita saudade da nossa bela e maravilhosa comida. Os discos da tournée: Mecanica Popular "Como Se Divertiran Los Insectos", The Index "s/t" (Displacer Beast), Africa Negra "Angelica" e Heldon "Electronique Guerilla" (Urus). E não me lembro de mais.
 
Como vou deixar para o fim os discos tugas e a Avenida, aqui ficam algumas músicas que me acompanharam este ano e outros discos que não se encaixavam nos textos anteriores.
 
Os discos:
Beach House "Devotion" (Bella Union): sem palavras e que belo concerto deram no Maxime.
Emeralds "Solar Bridge" (Hanson): drone cósmico e por vezes fatal, oriundo do Ohio.
Echospace "Intrusion" (Echospace) & "Grandbend" (Echospace); sub-Basic Channel, nada de novo, mas bem bom.
Pax Titania (não sei o nome dos discos, mas arranjem tudo): http://www.myspace.com/paxtitania
Wilburn Burchette "Guitar Grimoire" (Burchette): disco de guitarra eléctrica solo absolutamente mórbido e doentio, mas lindíssimo.
 
+ 5 músicas que me perseguiram este ano
"Brother Sport" dos Animal Collective (ao vivo): são a maior banda desta década e continuam a fazer-me crer que continua a valer a pena acreditar na música. http://www.youtube.com/watch?v=g3KtS5RWkkI
"Diamond Girl" de Ryan Leslie: http://www.myspace.com/ryanleslie
"She's Gone" de "We're Not Just Anybody" dos Dovers (Misty Lane): como tomei contacto com esta musica através da versão do Ariel Pink, aqui fica a sua versão: http://www.myspace.com/arielpink
"Romance Of Black Grief" do álbum "Wild Party" dos Rallizes Denudes: das baladas mais bonitas que ouvi em toda a minha vida http://www.youtube.com/watch?v=ke-mE0DdM1c
 
Na Tuga a coisa vai de vento em poupa, apesar da pouca exposição mediática (excluindo os Buraka), foram editados discos muito bons: Rafael Toral "Space Elements Vol. I" (Taiga+Staubgold), Slight Delay "Sufi Surfer" (Rong), Tropa Macaca "Fiteiras Suadas" (Qbico), One Might Add "Sailing Team" (Ruby Red), Frango "Nada Miles" (Merzbau), Photonz (não sei o nome dos vários 12" que saíram) e Buraka Som Sistema (ainda não ouvi o disco, mas os dois singles são geniais).
Ficou por ouvir ainda o disco novo do Bernardo Devlin "Ágio" (Nau) (tenho o disco, mas ainda não tive tempo para lhe dar a devida atenção, desculpa Bernardo) e o dos Dru "L'Aiguille" (Headlights).
 
Por último, talvez o momento mais alto do ano para mim, a Avenida.
Foi mágica a todos os níveis: os concertos, as pessoas, os amigos e a capacidade de ser surpreendido pelos novos actores de palco: Kazike, Guilherme da Luz e The Glockenwise. A Avenida faz-me acreditar que vale a pena trabalhar todos os dias arduamente na Filho Único. A Avenida (e não só) diz-me que a musica feita em Portugal está bem e recomenda-se: Aquaparque (fiquem atentos, disco nas lojas em Fevereiro de 2009 - Génio), Tropa Macaca, Loosers (que concerto com o Damo Suzuki!), Phoebus, Ritchaz & Kéke (concertão na Avenida!), Sei Miguel (sempre), One Might Add, Frango (concerto lindíssimo no Maxime), Bernardo Devlin, Manuel Mota, David Maranha (grande concerto no Out.fest), Calhau!, António Contador (és o maior), Coclea, Lobster, DJ Marfox, Slight Delay, Mendes & Alçada, Photonz, Rafael Toral, Norberto Lobo (é lindo) e os Time Machine (de quem fico à espera de novidades).
 
Nelson Gomes fez "Gala Drop" com Tiago Miranda e Afonso Simões e foi o disco preferido para a Flur em 2008.
 
 
 
 
PHIL SOUTH:
 
Kalabrese "118" (Phictiv)
Ben Westbeech "Hang Around" (Brownswood) - Karizma remix
Laughing Light of Plenty (Whatever We Want)
Omar-S "Psychotic Photosynthesis" (FXHE)
Fake Blood "Mars" (Cheap Thrills)
V/A "Try To Find Me Vol. 1" (Golf Channel - malta, esperem só pelos volumes 3 e 4 para o ano!)
Food Of The Gods "Boy From Brazil" (Whatever We Want)
Gatto Fritto - ele simplesmente não consegue errar
Theo Parrish "Love Triumphant"
Kuniyuki - aquela longa com trompete
Montes e montes de música óptima este ano.
 
2008:
Obama... incrível, que noite. Ainda tenho orgulho na América. Muito para fazer em 09.
Lux... e a hospitalidade do Tiago e da Joana. Espero vê-los em 09.
Os meus filhos e a obsessão da mãe deles por Fleet Foxes. As viagens familiares de carro foram bem agradáveis.
My Bloody Valentine ao vivo.... oof.
Arranjar umas colunas Tannoy vermelhas de 15".
Passar tempo em L.A. e fazer amigos no Oeste.
A última No Ordinary Monkey no China Room, e arranjar finalmente outro sítio: 88 Palace. E todas as festas de Verão junto ao rio... Obrigado Nova Iorque.
 
Phil South organiza as festas No Ordinary Monkey e dirige a editora Golf Chanel, ambas em Nova Iorque.
 
 
 
 
PHOTONZ:
 
James T. Cotton "Like No One" (Spectral Sound)
$tinkworx "Coelacanth" (Strange Life)
Tim Toh "Join The Resistance Part II" (Philpot)
Creepy Autograph "Sexy Body EP" (Valentine Connexion)
STL "51º North" (Something)
Omar-S "The Further You Look The Less You Will See" (FXHE)
Invisible Conga People "Cable Dazed / Weird Pains" (Italians Do It Better)
V/A "Messages From the Void" (Cyber Dance)
TV On The Radio "Dear Science" (4AD)
Arne Weinberg "Nebula Trap EP" (Frantic Flowers)
 
+
Reggie Dokes "Rain Redemptive Love" (Philpot)
Redshape "Blood Into Dust" (Styrax Leaves)
Sneak-Thief "Videosex" (M-Division)
Themroc "Dash Shopper" (Freude-am-Tanzen)
Luke Hess "Dubout EP" (FXHE)
 
+ Top 5 repress/re-edits/reworks:
Ron Trent "Altered States / After Life" (Prescription)
Liquid Liquid "Optimo - The Loving Hand remixes" (Domino)
Jark Prongo "Spadet / Mtech" (Artless)
Greg Wilson "GW Ruff Edits # 2" (Modern Sound Corporation - "Safari pt 2") (Ruff Edits)
Moxie 015 "Willie on Mars" (Jupiter Beyond "The River Drive") (Moxie)
 
2008:
Para Photonz este foi um bom ano, e isso é inquietante apenas porque este é o ano em que tudo parece colapsar em todo o lado. Os eso(his)téricos não se calavam sobre 2008 ser ano de fim de ciclo (naquela ideia Zen de que os fins são novos inícios bla bla), mas colapsar não é o termo certo, talvez uma implosão envergonhada seja mais o caso. Tudo se reajustou e cabeças rolaram, mas só algumas.
Na música foi o caos. Os extremos sentiram-se nus e num vacilo fatal negaram a única coisa que ainda os tornava relevantes - serem extremos. Nunca ninguém foi maximal e minimal, e é ver os termos a mudar nas entrevistas - Justice sempre foi 'disco', e o minimal agora é supostamente deep-house. Muitos dos que reduziam pela visceralidade agora enchem por encher, e por cima das bolhas minimais 'pre-set' pairam acordes jazz-ish genéricos sem alma, tudo alinhadinho com a muzak dos big clubs e dos videoclips. Os clubes da 'revolução' são agora aqueles cujas 'maneiras' são anedóticas para o underground, e quando todos os DJs passam para o digital alguns dos melhores discos do ano só existem em vinil.
Photonz tocavam algum minimal antes, e até maximal (Oizo, Jackson), mas é impossível negar que em 2008 o bom se tinha mudado para as cavernas. Os nutcases americanos do analógico e da raw jack house agora são divindades com gigs europeus, e ainda bem, mas infelizmente não em toda a Europa. Por cá parece mais fácil ouvir JAK na ZDB do que nos clubs, e a malta drone mais aventureira dança e até compra House. Daí até sonhos de uma nova Downtown 81, espontânea e 2009, é um passo (ou talvez mais). Imaginem uma pequena zona-de-ninguém não importada onde a malta drone, dance e experimental moldam, sem reparar, um vale tudo criativo de poliritmos (you know who), synths, distorção, dança e novidade. Amazing...
 
Photonz são Marco Rodrigues e Miguel Evaristo, e "Shaboo" está na nossa escolha de singles de 2008.
 
 
 
 
REGGIE DOKES:
 
Reggie Dokes "Rain Redemptive Love EP" (Philpot)
Omar-S "Psychotic Photosynthesis" (FXHE)
Patrice Scott "Far Away EP" (Sistrum)
Moodyman "Det.riot '67" (KDJ)
Delano Smith "Sunrise EP" (Third Ear)
 
2008:
"Do You! : 12 Laws to Access the Power in You to Achieve Happiness" de Russell Simmons
"Make it Happen" de Kevin Liles (Warner)
filme "Iron Man"
filme "Pursuit of Happyness"
filme "The Incredible Hulk"
 
O ano foi repleto de desafios. Mas é sempre bom aprender com os desafios e tirar o melhor partido possível da vida quotidiana. Acarinhem as pequenas bençãos e lembrem-se de manter sempre um espírito de dádiva. Acredito que recebemos de volta o que colocamos lá fora. Por fim, desafiem-se sempre a vocês próprios e explorem áreas que potenciem o vosso espírito e talentos criativos.
 
O maxi "Rain Redemptive Love" é um dos melhores de 2008 nas listas da Flur.
 
 
 
 
RINGS:
 
Da Abby Portner:
Ocrilim/Octis "Ment" (Brown Sounds)
Tinariwen "Aman Iman" (Independiente)
Tickley Feather "Tickley Feather" (Paw Tracks)
King Midas Sounds "Cool Out EP" (Hyperdub)
Chancha Vía Circuito "Cumbia Malembe" (ZZK)
Tinchy Stryder "Cloud 9: The EP" (Tinchy Stryder)
Animal Collective "Water Curses" (Domino)
 
Da Kate Rosko:
Kría Brekkan "Tenderwilde Cabin Club" (Ed. Autor)
Hertta Lussu Ässä "Tinakenkälurtta" (Ladygarden)
"Lat Den Ratte Komma In", de Tomas Alfredson (Filme)
Girls
 
Abby Portner e Kate Rosko são as Rings juntamente com Nina Mehta e Kristin Valtysdottir,
e editaram o álbum de estreia "Black Habit" na Paw Tracks.
 
 
 
 
SASU RIPATTI:
 
Erykah Badu "New Amerykah: Part One (4th World War)" (Motown)
Al Green "Lay It Down" (EMI)
Tricky "Knowle West Boy" (Domino)
Mika Vainio "Oleva" (Sahko)
"Disturbia" de Rihanna
MGMT "Oracular Spectacular" (Sony BMG)
Brian Blade And The Fellowship Band "Season of Changes" (Verve)
O próximo álbum de .snd (Raster-Noton)
AGF/Delay "Symptoms" (BPitch 2009)
V/A "Dancehall - The Rise Of Jamaican Dancehall Culture" (Soul Jazz)
 
Sasu Ripatti é Luomo e Vladislav Delay, em 2008 editou "Convivial" e reeditou "Anima", respectivamente.