ARTUR PEIXOTO:
Coldplay "Viva La Vida Or Death And All His Friends" (Parlophone)
MGMT "Oracular Spectacular" (Sony BMG)
Nick Cave & The Bad Seeds "Dig!!! Lazarus Dig!!!" (Mute)
The Raconteurs "Consolers of the Lonely" (XL)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
+
Canção do Ano: Jack White & Alicia Keys “Another Way to Die” (Sony BMG)
2008:
Festival Optimus Alive!08 (Oeiras)
Festival Paredes de Coura 08
Madonna (Parque da Bela Vista)
Justice (Reading, Inglaterra, Agosto)
The Cure (Pavilhão Atlântico, Março)
2009:
Que a Indústria Musical no geral se consiga reinventar e adaptar-se ao futuro, agora! Espero também que 2009 seja mais forte a nível de novidades interessantes. Não que 2008 tenha sido pobre, porque até nem foi, mas como disse, acho que são tempos de reinventar.
(promotora Everything Is New)
ARTUR SOARES DA SILVA:
Buraka Som Sistema “Black Diamond” (Enchufada)
Claro Intelecto “Metanarrative” (Modern Love)
Flying Lotus “Los Angeles” (Warp)
Gang Gang Dance “Saint Dymphna” (Warp)
MGMT “Oracular Spectacular” (Sony BMG)
2008:
"Zeitgeist: Addendum”: O filme mais adequado para se entender 2008.
Portuguese underground: Gala Drop, Octa Push, Mr Gasparov, Das Nevez…
A internacionalização de Vhils: o artista visual mais excitante do século XXI português.
Música luminosa de Studio e Windsurf.
Lançamento do "Boom Book": um livro com uma reflexão antropológica e cultural sobre entretenimento e subculturas associadas a música singular.
Penso que este link resume na íntegra o ano de 2008, o estado de superficialidade cultural e esterilidade civilizacional em que nos encontramos, ao qual a música não tem escapado.
Em termos nacionais, não há forma de escapar ao ano sem olhar para a política com um olhar mordaz.
2009:
Que abram mais locais para se ouvir música em Lisboa. Este estado monocultural de, por um lado, o Lux - na música de dança -, e, por outro, o Music Box - nas toadas rock e derivações à margem do 4/4 - estão a limitar a vitalidade musical da cidade. É necessário mais e com novas caras, novos hábitos e novos conceitos.
(revista Neo2; revistaDance Club; Boom Festival)
BRUNO BÈNARD-GUEDES:
AGF "Words Are Missing" (AGF Producktion)
Atomic/School Days "Distil" (Okka)
Bill Dixon with Exploding Star Orchestra "s/t" (Thrill Jockey)
Bonnie Prince Billy "Lie Down In The Light" (Domino)
Common "Universal Mind Control" (Geffen)
Erykah Badu "New Amerykah: Part One (4th World War)" (Motown)
Memorize The Sky "In Former Times" (Clean Feed)
Portishead "Third" (Island)
Q-Tip "The Renaissance" (Motown)
Randy Newman "Harps And Angels" (Nonesuch)
Raphael Saadiq "The Way I See It" (Columbia)
Rob Brown & Andrew Barker Duo "Live In Chicago" (Ruby Red)
Ryoji Ikeda "Test Pattern" (Raster-Noton)
Tom Zé "Estudando A Bossa" (Biscoito Fino)
Vandermark 5 "Beat Reader" (Atavistic)
+ Reedições:
Brew Moore "The Adventures Of Brew Moore - The Kerouac Connection" (Giant Steps)
Gilberto Gil "Frevo Rasgado" + "Cérebro Eletrônico" (Cherry Red)
Herbie Hancock, Thad Jones, Ron Carter, Jerome Richardson, Grady Tate & Jonathan Klein "Hear O Israel: A Prayer Ceremony In Jazz" (Trunk)
Pita "Get Out" (Mego)
+ Concertos:
4 Corners (Culturgest)
Alicia Keys (Pavilhão Atlântico)
Bonnie 'Prince' Billy (ZDB)
Leonard Cohen (Passeio Marítimo de Algés)
Lightning Bolt (parque de estacionamento do Largo de Camões)
Peter Brötzmann Chicago Tentet (Gulbenkian)
Portishead (Coliseu Dos Recreios)
Tom Brosseau (ZDB)
+ R.I.P.:
Dorival Caymmi + Stella Maris
Isaac Hayes
Teo Macero
Yma Sumac
(revista Op.)
CARLA ISIDORO:
Buraka Som Sistema "Black Diamond" (Enchufada)
Gala Drop "s/t" (Gala Drop)
Erykah Badu "New Amerykah: Part One (4th World War)" (Motown)
Herbie Hancock "River: The Joni Letters" (Verve)
The Last Shadow Puppets "The Age Of The Understatement" (Domino)
2008:
Nasceu a revista PARQ: Yes we can!
De La Soul (Arena Lounge, Casino de Lisboa): OMG!
Sebastien Tellier (Festival Eurovisão): OMG!
"The Darjeeling Limited": a melhor viagem de comboio de sempre.
Barack Obama venceu: YES WE CAN!
2009:
Kora Jazz Trio ao vivo
Amigo Sócrates, e se fosses ver se tá a chover?
(revista Parq)
DAVIDE PINHEIRO:
Buraka Som Sistema "Black Diamond" (Enchufada)
Portishead "Third" (Island)
Rui Reininho "Companhia Das Índias" (Sony)
Girl Talk "Feed The Animals" (Illegal Art)
Gala Drop "s/t" (Gala Drop)
2008:
Eleição de Barack Obama
O crash da Lehman Brothers
A bronca do BPN
Super Bock Em Stock e Optimus Alive!08
Starbucks em Lisboa
Ainda há paciência para listas? Eu já não tenho. Não que me recuse a revisitar memórias mais ou menos recentes mas porque a voragem dos tempos é castradora da reflexão. Vivemos em alta rotação. Parar para pensar? Difícil. Memórias de 2008…crise, crise, crise e mais crise. E ainda há a depressão económica. Depois querem que as pessoas se casem e tenham filhos. Já estou como o Rufus Wainwright: "todas as leis e correcções na Constituição que envolvam sexo e amor deviam ser banidas". No fundo, 2008 foi um ano bipolar, entre o sonho e o pesadelo. De um lado, Barack Obama. Do outro, a Lehman Brothers e o outro senhor da bolsa que roubou 40 milhões de dólares e achou tudo normal. E por cá…uma Lisboa cosmopolita, abrangente e plural, onde cabem Buraka Som Sistema, Camané, Deolinda, Gala Drop ou Tiago Guillul. Uma Lisboa que teve um Super Bock em Stock capaz de revitalizar uma Avenida da Liberdade deserta de ver gente e um Starbucks estratégico em Belém. Uma Lisboa cada vez mais internacional (sim, as férias escolares aka Erasmus ajudam). E um país cada vez mais assimétrico, onde mesmo assim a maioria dos sub-18 já consome mais Internet que televisão. Já que estamos cada vez mais sós, que a solidão traga espírito de iniciativa e proactividade.
2009:
Mais flores e menos caveiras.
(site Diário Digital; jornal Diário de Notícias)
FERNANDO NUNES:
Hercules And Love Affair "s/t" (DFA)
TV On The Radio "Dear Science" (4AD)
MGMT "Oracular Spectacular" (Sony BMG)
High Places "s/t" (Thrill Jockey)
Gang Gang Dance "Saint Dymphna" (Warp)
2008:
O décimo aniversário do Lux.
No Lux também: Dixon, Rub-n-Tug, Sebastian (Minilogue) e o concerto dos Animal Collective e Atlas Sound.
Ouvir o «Vond Vane» do Bjorn Torske no desfile do Filipe Faísca.
Wolfgang Tillmans no Hamburger Bahnhof (Berlim).
Ouvir «Lucy In The Sky With Diamonds» dos Beatles no Panorama Bar, Berlim, às 11 da manhã com o Sol a entrar pelas persianas. Braços no ar. Lágrimas nos olhos.
2009:
Ver uma ópera no Bregenz Festival .
(jornal Lux Frágil)
GONÇALO FROTA:
Deolinda "Canção ao Lado" (IPlay)
The Do "A Mouthful" (Wagram)
Elbow "The Seldom Seen Kid" (Polydor)
Rabih Abou-Khalil "Em Português" (Enja)
Foge Foge Bandido "O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu Que O Estraguei" (Turbina)
Atomic "Retrograde" (Jazzland)
2008:
"That Night Follows Day": crianças a mostrar aos adultos, utilizando um falso espelho, como é que vêem o mundo destes. Ou seja: a mais inteligente, paródica, incómoda e violenta forma de nos vermos postos em causa. (Peça de Tim Etchells, dos obrigatórios Forced Entertainment.)
Jurar a pés juntos que sempre que Beatriz Batarda subir a um palco lá estarei. "Rock’n’Roll" de Tom Stoppard e "De Homem Para Homem" de Manfred Karge a isso obrigaram. Tornou-se objectivo de vida, enquanto vértice mais visível e nítido da busca incessante por uma arte que continue a instalar um quase insuportável frio no estômago.
Passar duas horas na Culturgest a acreditar que não há figura maior que José Mário Branco na música portuguesa. A acreditar, a sabê-lo intimamente e a perceber que cada canção, por três minutos que tenha, é uma lição de vida que importa não ignorar ou esquecer. É-se melhor (não do que os outros, mas do que éramos antes) quanto mais se gosta da música e das palavras deste homem.
O concerto demolidor do Peter Brötzmann Chicago Tentet no Jazz em Agosto? Ou o prazer sempre gritante de rever Leonor Keil a dançar uma coreografia de Paulo Ribeiro, com o corpo mais animalesco, selvagem, sem regras e expressivo que habita este país?
O nascimento da Ema.
2009:
Que Tom Waits dê mais uns concertos europeus.
Que Graham Coxon ature os restantes Blur o suficiente para mais um álbum.
Que os Pop Dell’Arte voltem a editar.
Que o mundo não se afunde numa tremenda depressão colectiva. Antídoto: concertos de Gaiteiros de Lisboa e Primal Scream.
(jornal Sol)
HUGO REBELO:
Andy Stott "Massacre EP" (Modern Love)
Sten "The Essence" (Dial)
Sascha Funke "Mango" (Bpitch Control)
Gaiser "Blank Fade" (Minus)
Lee Jones "Electronic Frank" (Aus)
À noite: Lee Jones para abrir as hostes com o seu melódico mas não menos groovy “Electronic Frank”, seguido pela Essência perturbante de Sten. Gaiser entraria depois para aquecer o dancefloor e finalmente Sascha Funke fecharia apresentando o hipnotizante “Mango”…
After Hours: Andy Stott e o seu Deep Love Massacre!
Outros álbuns de 2008 a ouvir: Justus Köhncke "Safe And Sound" (Kompakt), Extrawelt "Schöne Neue Extrawelt" (Cocoon), Paul Kalkbrenner "Berlin Calling OST" (Bpitch Control), Ellen Allien "Sool" (Bpitch Control), Mike Shannon "Memory Tree" (Minus), Marek Bois "Boissche Untiefen" (Rrygular), Minilogue "Animals" (Cocoon).
Um DJ Set: Raresh
+ Editoras:
Cecille Numbers
Upon You
Einmaleins Musik
Oslo
Bpitch
Cecille Numbers liderada por Nick Curly foi a grande revelação onde nomes como Kreon & Lemos, Sis ou Robert Dietz mostraram todo o seu potencial. A editora Upon You e a Einmaleins consolidaram tudo aquilo que vinham prometendo em 2007 e lançaram, já neste ano, um conjunto de EPs muito acima da média, todos altamente aconselhados. A Oslo merece também destaque pela sua aposta em jovens talentos que retribuíram com EPs que fizeram as maravilhas de inúmeros dancefloors. Finalmente a Bpitch por todo o sucesso que continuou a ter este ano. Os álbuns de Sascha Funke, Ellen Allien e Paul Kalkbrenner são a melhor prova disso.
2009:
Kreon, Lemos, Villalobos e Raresh no Anti-Pop Music Festival.
ISILDA SANCHES:
Newworldaquarium "The Dead Bears" (Delsin)
Quiet Village "Silent Movie" (!K7)
Gala Drop "s/t" (Gala Drop)
Gang Gang Dance "Saint Dymphna" (Warp)
Osborne "s/t" (Spectral)
+ Músicas mais populares na Oxigénio:
"Beautiful Life" de Gui Boratto
"You Suck" (re-edit de Sue Ellen) de Consolidated
"Brand Nu" de Soopasoul
"Lov" de Prosumer & Murat Tepeli
"Adir Adirim" (Nickodemus rmx) de Balkan Beat Box
+
"Ruling" de Osborne, "Blind" de Hercules And Love Affair, "Most Of All" de Morgan Geist, "Entropy Reigns In The Celestial City" de Kelley Polar e "Deeper Waters" de Recloose.
2008:
8 anos de Oxigénio em concertos (Thievery C., Róisín Murphy, Fat Freddys Drop), "Times Are Tight" de Jimmy Young, "Happy House" de Juan Maclean, a profecia "Ka$h" de James Pants, Coachella, Madeira Dig, portugueses lá fora a lutar pela vida (ainda Buraka, mas também Photonz, Slight Delay, Social Disco Club, Johnwaynes, Pop Dell' Arte, + + +…) e cá dentro (Zonk!, Lux, Flur, Filho Único, ZDB, Crewhassan, FlorCaveira e ainda + ). Resistir e insistir.
A realidade é real? Estes cientistas são loucos, o LHC, raios cósmicos disparados sobre a terra, diamantes feitos com tequila, fundos de investimento, taxas de juro, Obama, milhões de euros, doláres, kwanzas...A Islândia à venda no eBay, Madoff... Devia ter pedido um upgrade de memória ao pai natal. E baterias novas para processar toda a informação. 2008 foi o ano em que apeteceu trocar os analistas por astrológos. Talvez as estrelas permitam uma melhor análise das coisas. Ninguém sabe nada, o impossível afinal é provável. No fundo a ideia é excitante...
2009:
Que as previsões estejam todas erradas e sejamos todos felizes, prósperos e cheios de vitalidade criativa!
(rádio Oxigénio; jornal Diário De Notícias; revista Elle)
JOÃO MOÇO:
Kanye West "808s & Heartbreak" (Roc-A-Fella)
Portishead "Third" (Island)
Girl Talk "Feed The Animals" (Illegal Art)
Buraka Som Sistema "Black Diamond" (Enchufada)
Tiago Guillul "IV" (FlorCaveira)
2008:
Camané (Coliseu dos Recreios)
No Age (ZDB)
Animal Collective (Lux)
Lightning Bolt (parque de estacionamento do Largo De Camões)
The Magnetic Fields (Aula Magna)
Foi um ano estranho. E diferente. Foi um ano de reviravoltas profissionais, mas positivas. E um ano de reviravoltas também na música nacional. Já há alguns anos que não ouvíamos tanta boa música portuguesa. Os Buraka Som Sistema confirmaram porque são das coisas mais importantes para a modernidade da música electrónica. Tiago Guillul & companhia da FlorCaveira deram-nos alguns dos registos mais inspiradores da pop portuguesa, onde convivem harmoniosamente tradição, rock’n’roll e ousadia literária. E é necessário não esquecer os Gala Drop e a hibridez sónica do seu primeiro disco, que une mundos opostos numa liberdade criativa surpreendente. No panorama internacional faltaram discos históricos, marcantes. Kanye West revelou através da sua desolação pessoal a sua visão da música pop neste início do século XXI, apontando novos caminhos para o hip hop. Os Portishead voltaram e surpreenderam com um disco perturbador, longe dos clichés do trip-hop dos anos 90. E Girl Talk com «Feed the Animals» fez o perfeito retrato da cultura moderna pop. As referências mais díspares são consumidas e misturadas o mais rapidamente possível. DJ/ rupture com «Uproot» fotografou o que é e o que poderá ser no futuro a tão chamada “música urbana”. Lil Wayne invulgarmente conquistou o mundo com «Tha Carter III» e toda a sua auto-valorização. E muita coisa boa ficou de fora, como são os discos deste ano de Hercules And Love Affair, TV On The Radio, No Age, Kelley Polar, Spiritualized, Deerhunter ou Lindstrom.
(revista Dance Club; jornal Diário de Notícias)
JORGE MANUEL LOPES:
1. Scooter "Jumping All Over The World" (Universal)
1,5. Kanye West "808s & Heartbreak" (Roc-A-Fella)
1,5. Buraka Som Sistema "Black Diamond" (Enchufada)
4. Britney Spears "Circus" (Sony BMG)
5. Grace Jones "Hurricane" (Wall Of Sound)
2008:
Filme transcendente: "Batman - O Cavaleiro Das Trevas".
Esperança desmesurada: Barack Obama.
Papel com saída regular que deve ser lido: Fact, Woofah.
Géneros que deviam ter sido ouvidos a toda a hora mas não foram: bassline house, funky house.
Entulho sonoro do ano: vampireweekendfleetfoxesbonivertvontheradiohotchipmgmtgirltalkbecksigurróssantogoldmagneticfields.
+
Ansiedade, chocolates, salas escuras, comboios, malas, crianças, perplexidade, desenraizamento, vinho tinto alentejano, comida indiana, memória com defeito.
2009:
O passamento definitivo, total e absoluto do indie rock, da folk, dos hippies, dos punks, do revivalismo dos 60s, dos cantautores e das barbas dos barbudos
(revista Time Out Lisboa; jornal Expresso)
MANUEL HALPERN:
Micah P. Hinson And The Red Empire Orchestra "s/t" (Full Time Hobby)
Barbara Hendricks "Barbara Sings The Blues" (Arte Verum)
Juana Molina "Un Dia" (Domino)
TV On The Radio "Dear Science" (4AD)
Okkervil River "The Stand Ins" (Jagjaguwar)
+
Faço questão de acrescentar uma lista nacional com João Coração, Camané, A Naifa, Rádio Macau e B. Fachada.
2008:
A eleição de Obama
O início do fim do neoliberalismo e do capitalismo selvagem (da prisão do banqueiro aos motins na Grécia).
O advento público (e pudico?) da FlorCaveira.
Lou Reed e Leonard Cohen no mesmo dia (é o que se chama oferta cultural).
Um segundo a mais em 2008 (um acontecimento verdadeiramente extra-ordinário).
Com o final de Bush e dos Delfins o mundo e a música portuguesa encheram-se de esperança. Tudo pode acontecer desde a paz no Médio Oriente a Michael Jackson recuperar a sua tez original. Por cá, o verdadeiro Maná musical vem da Igreja Baptista de Queluz (salvo erro). B. Fachada, Samuel Úria, Tiago Guillul, um a Deus português. Por lá, houve a música étnica de Nova Iorque.
2009:
Um desejo perfeitamente realizável, basta eles quererem: Sérgio Godinho, Fausto e José Mário Branco, juntos e ao vivo.
(Jornal De Letras)
MÁRIO RUI VIEIRA:
Hercules And Love Affair "s/t" (DFA)
Portishead "Third" (Island)
Aaron Thomas "Follow The Elephants" (Everlasting)
The Presets "Apocalypso" (Universal)
Dead Combo "Lusitânia Playboys" (Universal)
2008:
"Blind" de Hercules And Love Affair
"Black And Gold" de Sam Sparro
"Mercy" de Duffy
"Machine Gun" de Portishead
"Going On" de Gnarls Barkley
+
Portishead (Coliseu Dos Recreios)
Björk (Sudoeste)
Santogold (Super Bock Em Stock)
Sigur Rós (Campo Pequeno)
Modeselektor (Anti-Pop Festival)
2009:
Que a Amy Winehouse se concentre na música de uma vez por todas e faça um álbum tão bom ou melhor que o "Back To Black"... E uma pequena utopia: que acabem os preconceitos musicais, porque música bem feita é sempre boa, sejam quais forem as etiquetas, géneros ou os artifícios usados.
(revista Blitz)
MIGUEL ARSÉNIO:
Cass McCombs "Dropping The Writ" (Domino): Só a estranheza e alguma aversão aos meios de comunicação podem contribuir para que Cass McCombs seja ainda meio-segredo. “Dropping the Writ” parece-me o disco perfeito ao alcance de um escritor de canções que ousa reaproveitar o historial melódico dos Beatles e invertê-lo no sentido do seu próprio labirinto auto-biográfico. No fundo, a aparência cristalina destas canções fazem de Cass a némesis de Ariel Pink (com quem já dividiu uma digressão que deve ter sido histórica). É puro equívoco resumir isto a “Folk, folk, folk e mais folk”. Não vás por aí.
Thee Oh Sees "The Master’s Bedroom Is Worth Spending A Night In" (Tomlab): Gosto de pensar que não estou sozinho na crença de que os Oh Sees são a melhor banda rock do mundo neste momento. Até porque não me recordo de me divertir tanto com um disco tão encharcado em eco que não oferece sequer hipótese de entender grande parte das letras.
The Bug "London Zoo" (Ninja Tune): Em Junho passado, o nome de The Bug já tinha servido para uma troca acesa de argumentos com alguém. Ele referiu o fundamento industrial da produção. Eu frisei a qualidade quase insuperável dos “toasters”. Ele apontou alguma falta de dinamismo. Eu falei sobre a dificuldade em escapar ao ataque daquele dancehall. “London Zoo” desempatou o debate.
Portishead "Third" (Island): Numa era dominada por singles prontos a agradar, ninguém anteveria um regresso anunciado por uma brutalidade como “Machine Gun”, que fuzila expectativas com um loop-Gestapo que julgaríamos apenas possível num disco de Nine Inch Nails. Pensar que tão hostil assalto desencadeia a mais surpreendente reinvenção deste milénio é o suficiente para “estar alerta para a regra dos três”.
Gala Drop "s/t" (Gala Drop): “Some Things Last a Long Time” é o prenúncio dos Beach House (apropriado a Daniel Johnston) que melhor serve ao maravilhoso roteiro que os Gala Drop registaram em disco. Só muito dificilmente se esgotarão todos estes polirritmos e fenómenos directamente acrescentados ao cânone da melhor música aventureira que por cá se faz.
2008:
Para sempre: Animal Collective no Lux, Neil Young no Optimus Alive!08 e Lightning Bolt no piso menos 5 do Largo de Camões.
Música do ano sem olhar a restrições: “Som de Cristal” de Marante, por ser um impressionante relato de encornamento que supera encornamento (quase “Eyes Wide Shut” tuga) e a ponte para o filme do ano, “Aquele Querido Mês de Agosto”.
2008 resumido em músicas para beijoqueiros e gente enamorada: "In The New Year" dos Walkmen, reservada à mais bonita entrega de "reveillon" vivida por duas pessoas; "Love You All" de Luomo para quando nada mais importa entre as 5 e as 6 da manhã; "Weekend" dos Sea And Cake em nome do bom feeling "Seremos imbatíveis por dois dias."; “Keyboards Is Drunk” de Tickley Feather para madrugadas perdidas a fazer amor com fantasmas; "Sax Rohmer #1" dos Mountain Goats porque todas as distâncias valem a pena, independentemente do preço do combustível.
Reedição do ano: empate técnico entre “Bubble & Scrape” dos Sebadoh, evangelho lo-fi triplamente profanado, e “Nah Und Fern” de Gas, tetralogia de monumental electrónica que vale o seu peso em ouro.
Guilty pleasure do ano: “Intervalo” de Per7ume com Rui Veloso. Há algo em mim que não resiste a um refrão ansioso cantado por Rui Veloso, desde os tempos em que ele trepava um eucalipto. O teledisco é, em todo o caso, horrível.
2009:
Novo disco de Dr. Dre; uma segunda série de "Um Mundo Catita"; um Benfica campeão com vitória lógica em Alvalade.
NUNO COSTA SANTOS:
Robert Foster "The Evangelist" (Tuition)
American Music Club "The Golden Age" (Cooking Vinyl)
Spiritualized "Songs In A&E" (V2)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
Cut Copy "In Ghost Colours" (Modular)
2008:
As canções regabofeiras: "A-Punk" de Vampire Weekend, "Hearts on Fire" de Cut Copy e "Crazy" de Northern Portrait.
O concerto: American Music Club no Barreiro (que não vi).
A música que gostava de ter ouvido mais: "Doutor Optimista" de Rui Reininho.
Um óptimo disco com composições para telemóvel de que pouco se falou: "24 Postcards In Full Colour" de Max Richter.
Uma publicação tuga fixe (e que, de forma ágil e divertida, conseguiu sobreviver à mudança de formato): Blitz.
É bom verificar que a arte musical parece inesgotável nas suas potencialidades criativas (sim, nada de discursos do género "O Fim da História" na música). E, já agora, que somos um país suficientemente civilizado que nos (a nós, cidadãos consumidores culturais) permite ter acesso a pequenas e preciosas lojas de música (e de livros e de DVD's).
2009:
Arrumar finalmente os meus CDs dentro das caixas - tenho "1001 CDs para Arrumar Dentro das Caixas Antes de Morrer".
(Rádio Clube Português; melancomico.blogs.sapo.pt)
NUNO GALOPIM:
Portishead "Third" (Island)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
Shearwater "Rook" (Matador)
The Notwist "The Devil, You + Me" (City Slang)
Simon Bookish "Everything/Everything" (Tomlab)
2008:
Pop/rock português em português
Aumento da oferta de novas edições em vinil
Gustavo Dudamel e a Orquestra Simón Bolivar
Sebastien Tellier na Eurovisão
Reedições das obras de Leonard Bernstein em gravações dirigidas pelo próprio
2008 num sprint? Regressam os Portishead e mostram que quando os músicos não se encostam a velhas glórias e conquistas feitas podem mesmo triunfar de novo. O prazer do cruzamento de ideias deu-nos pop gourmet com Vampire Weekend, Ruby Suns, The Notwist ou Department Of Eagles. Da clássica para a pop brilharam Simon Bookish e Kellley Polar. António Pinho Vargas regressou em grande aos discos. Sejam bem regressados, também, Bomb The Bass e Grace Jones. “Fragmentos de Tracey” ao som de Broken Social Scene no filme do ano que quase ninguém viu. Dudamel em alta. Nagano, McCreesh, Boluez e Scholl novamente entre os melhores. Nico Muhly confirmado! Vinil a rodos! Revelações? Late Of The Pier, The Homophones, B Fachada, Os Golpes... E os portugueses a cantar novamente em português… Não há fé que não dê em milagre!
2009:
Música de Osvaldo Golijov num palco por estas bandas?... E se não for pedir muito, também a de Giya Kancheli, Valentin Silvestrov, Nico Muhly, John Adams. Enfim, o que está a acontecer...
(jornal Diário De Notícias; sound--vision.blogspot.com; rádio Radar)
NUNO REIS:
Morgan Geist "Double Night Time" (Environ)
Morgan Geist "Detroit" (Environ)
Munk "Live Fast! Die Old!" (Gomma)
The Juan Maclean "Happy House" (DFA)
Beat Pharmacy "Wikkid Times" (Deep Space Media)
Ben Mono "Jesus Was A B-Boy" (Compost)
Johnwaynes "Tears" (Compost)
Chromeo "You’re So Gangsta - Playgroup remix" (V2)
Fujiya & Miyagi "Lightbulbs" (Gronland)
Skream "Midnight Request Line - Switch remix" (Tempa)
2008:
Posso estar redondamente enganado, mas parece-me que 2008 foi aquilo a que podemos chamar um ano “médio”. Tenho dificuldade em encontrar um disco que tenha ocupado o meu gira-discos mais tempo que os outros. Calculo que é um sinal dos tempos. Tal como salientou o mestre Ricardo Saló no seu balanço do ano no Expresso, estes “best ofs” começam a fazer cada vez menos sentido porque é humanamente impossível (como dantes!) acompanhar a verdadeira enxurrada de discos com que somos bombardeados todos os dias. Desde que trabalho em rádio, sempre gostei de chegar ao fim do ano e eleger os meus dez melhores álbuns, canções, concertos, etc. No entanto, confesso que a partir deste ano as coisas vão mudar. Deve ser da idade! Por isso, sem nenhuma ordem especial, estes foram alguns discos e canções que gostei do ano que passou.
2009:
Para além da paz no mundo (claro!), gostava que os concertos no Lux fossem mais cedo. Lá está, deve ser da idade.
(rádio Antena3)
PATRÍCIA BARNABÉ:
Santogold "s/t" (Warner)
MGMT "Oracular Spectacular" (Sony BMG)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
Erykah Badu "New Amerykah: Part One (4th World War)" (Motown)
Portishead "Third" (Island)
+ Como tenho o coração muito grande, outras bandas sonoras do meu 2008:
Hercules And Love Affair "s/t" (DFA)
Joan As Police Woman "To Survive" (PIAS)
Sigur Rós "Med Sud I Eyrum Vid Spilum Endalast" (EMI)
Cut Copy "In Ghost Colours" (Modular)
Tricky "Knowle West Boy" (Domino)
Concha Buika "Niña De Fuego" (Dro Atlantic/Casa Limón)
Cat Power "Jukebox" (Matador)
+ Portugueses incontornáveis:
X-Wife "Are You Ready For The Blackout?" (NorteSul)
Buraka Som Sistema "Black Diamond" (Sony BMG)
The Vicious Five "Sounds Like Trouble" (TVF)
2008:
Os três concertos delas: Santogold ao vivo em Paris, na festa da Visionaire/Lacoste dentro de um barco a flutuar no rio Sena. Torre Eiffel cintilante, flute de champanhe na mão e a audiência em êxtase, já semi-nua, a atirar-se para o jacuzzi mais próximo. E a vinda a Portugal de duas senhoras que, sozinhas, sabem escrever música, cantá-la e encher palcos como poucos: Cat Power no Coliseu de Lisboa e Feist na Aula Magna.
A crescente importância do You Tube nas nossas vidas: torna o mundo mais pequeno, já se sabe, e enche o olho enquanto enche o ouvido o que é um manancial para fãs de videoclips e voyeurs de Moda;
Patrick Watson na Aula Magna, em Lisboa: estive arrepiada do princípio ao fim, o exemplo do que é comunhão na música, do que é ter-se a centelha sem se ter a presunção (tão raro numa era de ídolos de pés de barro e de multiplicação de snobs urbanos obcecados com o que é ser cool!)
Joan as Police Woman no Centro Olga Cadaval, em Sintra: música aconchegante (um dos discos que rodou na melancolia de 2008) e o prémio para o melhor outfit em palco do ano: um tailleur de saia vintage em seda selvagem cor de ferrugem, folhos incluídos, que Joan Wasser usou com uns collants azulão e umas botas altas camel - tão anos 80, tão agora e tão dissonante (com o pouco público numa Sintra que parou no tempo há muito tempo) que merecia uma fotografia.
Primal Scream e Mars Volta em Paredes de Coura, tudo o que nos faz felizes na música e na vida em geral. Os primeiros são fisicalidade adolescente, o instinto primordial que não deixa o corpo parar de dançar. Os segundos, a complexidade transcendente, o rock de antologia, emocional, intelectual, espiritual, nem nos mexemos, esmagados.
Super Bock Em Stock, embora caro e caótico, a ideia é excelente, um sonho para melómanos urbanos - ter um festival ao lado de casa, sem morrer de frio e exaustão, sem comer pó e cachorros mal amanhados em barracas de segunda e ainda assim poder entrar e sair da música que nos apetece.
2009:
Que a crise sirva pelo menos para aumentar a inspiração;
Que os músicos que se estão a vestir melhor ensinem os portugueses a vestir-se melhor
Que o público reconheça finalmente o reduto (de sons que nos salvam) que é a loja de discos Flur.
(revista Vogue)
PEDRO COSTA:
Bobby Previte & The New Bump "Set the Alarm For Monday" (Palmetto)
Kris Davis Quartet "Rye Eclipse" (Fresh Sound New Talent)
Tony Malaby Cello Trio "Warblepeck" (Songlines)
Anthony Braxton, Milford Graves & William Parker "Beyond Quantum" (Tzadik)
Joachim Kühn, Daniel Humair & Tony Malaby "Full Contact" (Bee Jazz)
2008:
O Festival da Revista Jazz.pt no Hot Clube.
A crescente internacionalização dos músicos de Jazz portugueses em especial a edição do CD da cantora Sara Serpa na nova editora de Greg Osby “Inner Circle”.
O 60º aniversário de Carlos Zíngaro.
A morte de Jimmy Giuffre um génio cuja importância para o Jazz não foi ainda devidamente reconhecida.
O ciclo “Isto É Jazz?” na Cultugest por proporcionar concertos aos músicos de Improvisação em Portugal com público (todos os concertos esgotaram os 148 lugares da sala), condições técnicas exemplares e apoio de uma estrutura com o peso da Culturgest.
2009:
Que os músicos de Jazz em Portugal sejam mais abertos à experimentação e aos contactos internacionais, que não joguem tanto pelo seguro e que ouçam mais música, coisa que infelizmente não acontece.
(editora e promotora Clean Feed; loja Trem Azul)
PEDRO DIAS DA SILVA:
Benga "Diary Of An Afro Warrior" (Tempa)
Camille "Music Hole" (Virgin)
Gang Gang Dance "Saint Dymphna" (Warp)
Hercules And Love Affair "s/t" (DFA)
Leila "Blood, Looms And Blooms" (Warp)
+
MGMT "Oracular Spectacular" (Sony BMG)
Nico Muhly "Mothertongue" (Bedroom Community)
Portishead "Third" (Island)
Quiet Village "Silent Movie" (!K7)
Ricardo Villalobos "Vasco" (Perlon)
Roots Manuva "Slime & Reason" (Big Dada)
Santogold "s/t" (Warner)
Spiritualized "Songs In A&E" (V2)
The Bug "London Zoo" (Ninja Tune)
The Kills "Midnight Boom" (Domino)
TV On The Radio "Dear Science" (4AD)
Two Banks Of Four "Junkyard Gods" (Sonar Kollektiv)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
Why? "Alopecia" (Tomlab)
2008:
As canções "Machine Gun" de Portishead, "Blind" de Hercules And Love Affair e "L.E.S. Artistes" de Santogold; a demissão de Manuel Portela de director do Teatro Académico de Gil Vicente; a entrevista que fiz a Leila Arab; a Sicília; a morte do escritor Luiz Pacheco; a discutível localização do novo aeroporto de Lisboa em Alcochete; o impacto da greve dos argumentistas em Hollywood; os conflitos étnicos no Chade e no Quénia; "Persépolis", de Marjane Satrapi; o protesto de 100 mil professores na "Marcha da Indignação"; os 60 anos do Hot Clube de Portugal; a mailing Lust da Flur; o inqualificável “orgulhosamente sós” da Junta Militar da Birmânia; Portishead, uma década depois; "No Country For Old Men" dos Cohen; Barack Obama; um número inquantificável de festivais musicais de Verão; os recordes do mundo batidos nos Jogos Olímpicos em Pequim; o lamaçal que continua a envolver o futebol português; a revolta dos sintetizadores em "Supreme Balloon" de Matmos; o Courrier Internacional; "Tropa de Elite" de José Padilha e o seu Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim; as mortes provocadas por sismos em Sichuan (China); Grace Jones em grande forma; os cinquenta anos de Madonna; a morte do actor Paul Newman; os Gala Drop a provarem que é possível; "O Segredo De Um Cuscuz" de Abdellatif Keshishe; as energias renováveis; o blog Sound+Vision; não desistir de tentar ver a luz ao fundo do túnel (escuro, escuro e sem final à vista…).
2009:
Redescobrir o prazer de dançar.
(Teatro Académico Gil Vicente; revista Blitz)
PEDRO FIGUEIREDO:
Portishead "Third" (Island)
REM "Accelerate" (Warner)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
Cut Copy "In Ghost Colours" (Modular)
Bob Dylan "Tell Tale Signs - The Bootleg Series Vol. 8" (Sony BMG)
+
Sem ordem. Segunda linha: MGMT, Duffy, Hold Steady, Coldplay, Fleet Foxes, Simon Bookish, Girls Aloud, TV On The Radio, My Morning Jacket, Lil Wayne. Nacionais, verificar um pouco abaixo.
2008:
Spiritualized (Optimus Alive!08)
Lou Reed (Campo Pequeno)
The National (Aula Magna)
Sigur Rós (Campo Pequeno)
Mercury Rev (Aula Magna)
+
Idem, aspas. Segunda linha: Dylan (Optimus Alive!08), Riding Pânico e If Lucy Fell (ZDB), Róisín Murphy (Coliseu Dos Recreios), Vampire Weekend (Optimus Alive!08), Pontos Negros (MusicBox). Ano de poucos concertos vistos.
Portugal, ano Guillul, FloresCaveiras, Pontos Negros e amigos. Mas mais: Buraka Som Sistema, Peixe:avião, If Lucy Fell, Riding Pânico, X-Wife, Mesa, Rui Reininho, Dead Combo, Gala Drop, Ruben Alves, Rita Redshoes, uma mão cheia de bons EPs e Camané. Ano simpático para a música portuguesa.
Lou Reed e Leonard Cohen na mesma noite, ao mesmo tempo, em Lisboa (acontecimento com tanto de bom como de mau).
Girl Talk: ao segundo disco, uma certeza: classe!
My Bloody Valentine, o regresso: e Portugal, nada?
Pausa na música: Obama, claro.
2009:
Mais tempo para os próximos, mais tempo para mim.
Mais música, muita e boa.
E o benfica campeão.
(revista Dif)
PEDRO GOMES:
The Hospitals "Hairdryer Peace" (ed. autor) e Sic Alps "U.S. Ez" (Siltbreeze): dois clássicos do rock contemporâneo, estudos de corrosão, ensaios da neurose e concretizações da beatitude da busca pelo som novo da libertação e da expressão singular.
Gala Drop "s/t" (Gala Drop): obra-prima do inclassificável e do amor a todas as músicas.
Tropa Macaca "Fiteiras Suadas (Qbico): mais um da tropa para a história do transe, do ruído e das verdades circulares.
Animal Collective "Water Curses EP" (Domino): nunca menos que geniais, sempre num novo sítio, sempre a rebentar de luz.
+ Reedições:
R. Stevie Moore "Meet The R. Stevie Moore" (Cherry Red): Primeira antologia séria de um dos grandes génios malditos e ignorados da pop.
V/A "African Scream Contest" (Analog Africa): 14 faixas inacreditáveis, escolhidas a dedo, do mais violento bounce do Togo e do Benim nos 70s, numa época em que, finalmente, as editoras começam a olhar seriamente para o que África fez para o baile no último meio século.
Jade Stone & Luv "Mosaics, Pieces of Stone" (Subliminal Sound): casal white trash motard encontra Andrew Lloyd Weber numa bomba de gasolina em '77.
+ Bangers:
Dj Mujava "Tonwnship Funk"; The Body Snatchers "I Like What I See" (Joker mix); Lil Wayne "A Milli"; Os Bf - "Mil e Um Toque"; Omar-S "Psychotic Photosynthesis 12"; Slight Delay "Sufi Surfer" 12"; Tinchy Stryder "Cloud 9 EP"; Gang Gang Dance "First Communion" e "Princes"; Kotalume "Funaná é Rapicado"; Orchestre Poly-Rythmo (tudo); Brenda Ray "Swirlin' Hearts"; Bulimundo "Bulimundo", "Fidjus di Funana"; Photonz - tudo; Harry Thumann "Underwater'; Ritchaz & Kéke "Spia Harmonia".
+ Rockers:
Peter Green "Slabo Day"; The Lollipop Shoppe "Don't Look Back"; Cold Sun "Dark Shadows"; The Rolling Stones "Let's Spend the Night Together", "Street Fighting Man" e uma porrada de álbuns no ano em que finalmente deixei de embirrar com o Jagger e comecei a adorar Stones; Flying Burrito Brothers "Gilded Palace of Sin"; Bo Diddley - dois primeiros; The Id "The Inner Sounds of the Id"; Lou Reed "Coney Island Baby; Groundhogs "Blues Obituary"; John Lee Hooker "Endless Boogie"; Relatively Clean Rivers "Hello Sunshine" & "Easy Ride"; The Strange Boys "Nothing" 7" e "Woe Is You And Me" 7".
+ Cantores da realidade, santos e samurais:
Nelson do Cavaquinho (obrigado por tudo); Champion Jack Dupree "Blues From The Gutter"; Floyd James (tudo o que apanhei); African Brothers Dance Band International; Rail Band "Melodias "Rail Band du Mali II"; Kan Mikami "No Sekai"; Elizeth Cardoso "Retrato da Noite"; Chico Buarque "Sabiá"; Peter Sarstedt "Where Do You Go To (My Lovely)" (como toda a gente este ano); Beach House "Gila" e "Heart of Chambers"; Echo Minott "Youth Man Vibrations"; Ras Michael & The Sons of Negus "Love thy Neighbor"; Wayne Jarrett "Bubble Up; Omar-s - tudo, centenas de vezes; Fruko y Sus Tesos "A La Memoria Del Muerto".
+ Headcleaners:
Takehisa Kosugi "Catch Wave"; Don Cherry "Brown Rice", como todos os anos, mas este foi terapia recorrente como mais nada; Terry Riley "Music For The Gift"; Popol Vuh "Aguirre" (OST); Alèmu Aga - tudo do Arthur Russell etíope (ou vice-versa); Wilburn Burchette "Guitar Grimoire", pedra preciosa; Baden Powell "Samba Triste"; Paco de Lucia "Entre Dos Aguas"; Luís Bonfá "Solo in Rio 1959"; Durutti Column "Sketch For Summer".
+ Concertos e performances do tipo:
Avenida 18/07 e 21/12 (Avenida 211), até ao fim dos dias no coração; Charlemagne Palestine, Colleen e David Maranha (Sé Patriarcal de Lisboa), viagem pan-religiosa por todas as formas do sagrado; performance Charlemagne Palestine Lights Off (Espaço Oporto); MV & EE With The Golden Road + Loosers c/ Valerio Cosi + banquete com a família a seguir; o Vítor em air guitar a pôr discos no 10º aniversário da Discolecção; o Zeca a meter o "Early Steppenwolf" no prego na Avenida durante demasiado tempo; Jack Rose (Maxime), cada vez mais mestre; Magik Markers + Pumice (Museu do Chiado), a Elisa a mandar vertigem de palco como não via ninguém fazer há anos, monumental; Black Lips (Lux), bad kids; Flower + Corsano (insuperável), Calhau! e Peter Bastian (Out.fest, Barreiro); Animal Collective + Atlas Sound (Lux), banda da década, concerto-trip-travessia épico; Sightings (Museu do Chiado), revolucionários do rock em lição de independência, imponência e desafio; LSD March + Ignatz (Museu do Chiado), Lisboa, blues homicida e ritual de escuridão; Aki Onda / César Burago / Sei Miguel + The Blues Quartet (Sala de Fornos do Museu do Chiado), concílio de guardiões do tempo e do espaço; 6 Organs Of Admittance, Wooden Shjips e Sic Alps (Caixa Económica Operária), deboche decibélico na melhor sala de Lisboa para o rock; Beach House + Jana Hunter (Maxime), tão bonito que fez doer; Spectrum (Museu do Chiado), lição de som, hipnose e ritual; Cat Power (Coliseu dos Recreios), com dezenas de defeitos, mas a voz, em que condições estiver, faz sentir como mais ninguém; Norberto Lobo, sempre que o vi com uma guitarra na mão; Aquaparque (ZDB), momento de revelação e avanço em família; Acid Mothers SWR c/ Rui Dâmaso (ZDB); Dirty Projectors e Gala Drop (ZDB), geometrias infinitas; Vetiver (ZDB), mais uma dúzia ou isso de algumas das maiores canções do songbook americano desta década; Bonnie 'Prince' Billy (ZDB, 1ª noite), delirante como mais ninguém consegue ser com uma história na boca; Sonny Simmons / Bobby Few / Masa Kamaguchi + Josephine Foster + Osso Exótico (ZDB), Few anjo, Simmons gigantesco, concerto lindo; Damo Suzuki + Loosers (ZDB), estoiro de garage primata iluminado; Ricardo Villalobos + Thomas Melchior (Panorama Bar, Berlim) - viagem, liberdade e espaço em estado puro.
2009:
Originalidade, independência espiritual e intelectual em todas as acções.
(promotora Filho Único)
PEDRO RAMOS:
Beach House "Devotion" (Bella Union)
The Walkmen "You & Me" (Gigantiq)
Fleet Foxes "s/t" (Bella Union)
Cut Copy "In Ghost Colours" (Modular)
TV On The Radio "Dear Science" (4AD)
2008:
The National (Aula Magna)
The Walkmen (Tivoli)
Beach House (Maxime)
Rage Against The Machine (Optimus Alive!08)
Cut Copy (Sudoeste)
2009:
O Impossível
+
Menos choro/Mais risco(s)
Onde pára a História desta década?
Vamos fazê-la. Vamos entrar nos anos 20 mais cedo.
Que se foda a normalidade.
(rádio Radar)
RUI MASCARENHAS:
William Parker com “Double Sunrise Over Neptune” (AUM Fidelity) e “In Order To Survive” (AUM Fidelity)
Anthony Braxton & Joe Morris “Four Improvisation” (Clean Feed) e Anthony Braxton, Milford Graves & William Parker “Beyond Quantum” (Tzadik)
Spring Heel Jack & Roy Campbell Jr “Songs And Themes” (Thristy Ear) e Matthew Shipp, Medeski & All “Scotty Hard’s Radical Reconstructive Surgery” (Thirsty Ear)
The Fall “Imperial Wax Solvent” (Castle) e Sonic Youth, Mats Gustafsson & Merzbow “Andre Sider Af Sonic Youth” (SYR)
TV On The Radio “Dear Science” (4AD) e Evangelista “Hello Voyager” (Constellation)
Fennesz “Black Sea” (Fennesz) e Vladislav Delay “Anima” (Huume)
Mark Applebaum “Sock Monkey” (Innova) e John Cage por Philip Vandré “Complete Short Works For Prepared Piano” (Mode)
Ok, fiz batota na lista. Não consigo seleccionar mesmo só 5...
Este não é um ano em que possa dizer que descobri algo de novo. Não houve realmente uma personagem no campo da música que me tenha surpereendido com um novo género, uma nova atitude, uma verdadeira diferença. Não o direi dos Vampire Weekend, nem da Santogold, nem dos Cut Copy, nem dos MGMT, nem dos Hercules And Love Affair, nem dos Fleet Foxes, nem dos Gang Gang Dance, nem dos High Places, nem Girl Talk ... ainda que em muitos destes projectos pense haver coisas a elogiar. Os consagrados também não me exaltaram; dos Portishead a Nick Cave, dos Fujiya & Miyagi ao Herbert, da Erykah Badu aos The Bug... para apenas referir alguns que terão o direito a destaque em muitas listas. Buraka Som Sistema estão em grande e entregaram, assim como os Dead Combo. Mas o ano encontrou, pessoalmente, todas as suas emoções revolucionárias noutras paragens (talvez algures também se tenha começado uma no campo da estética mas ainda não chegou aqui).
Na clássica destaco pouca coisa (mas é-me também bastante mais dificil de arranjar): Mark Applebaum, já no fim do ano, e Franco Donatoni, foram as melhores supresas. Das novas gravações destaco apenas as “Complete short works for prepared piano” de John Cage na Mode CD que comprei para substituir gravações que tinha. A edição (e a crítica) no campo da clássica mantem-se bastante triste: não imagino um mundo em que a publicação de livros se reduzisse, em 98%, à reedição de novas traduções de velhos clássicos, todos criados antes de 1920. Por muito bons que fossem os novos tradutores o panorama não deixaria de surgir algo monótono (ok, há um Mahler “novo”...). O ano passado pelo menos tivemos um Emmanuel Nunes novo!
Dos autores que acompanho o mais perto possivel, pela capacidade de serem sempre para mim a grande novidade do nosso tempo, destaco Herberto Helder e William Parker. Destaco Braxton na Clean Feed numa preciosidade em 4 CDs!!! e igualmente o saído na Tzadik (ao lado de William Parker - ok , sou fã - e Milford Graves). Não compreendo o silêncio em redor do trabalho dos Spring Heel Jack, desta vez com Campbell Jr. Só por isso tem que estar na minha lista (espero todos os anos pelo seu novo álbum e vou comprando os que publicam pela sua editora privada com todos os nomes que interessam no panorama do free jazz, numa linguagem cada vez mais sua. Sim, com o seu quê de lírico, de híbrido electrónico e jazz, e eu gosto, muito, obrigado).
Fiquei muito feliz com o novo trabalho dos TV On The Radio. Sempre terão o seu lugar na minha memória sobre esta década. Gente séria. Os Envangelista mostraram-me da melhor forma que ainda há razões para estarmos atrentos às edições da Constellation (já o CD do colectivo...). Finalmente o Fennesz acabadinho de sair (e não consigo deixar de destacar o do ano passado com o Sakamoto, que só fui descobrindo ao longo deste ano). Alva Noto e Vladislav Delay também publicaram coisas que não quereria ter perdido.
+ Livros filosofia:
François Dosse "Gille Deleuze"; Felix Guattari "Biographie Croisée"
Gabriele Schawab "Derrida, Deleuze, Psychoanalysis" (com último texto de Derrrida sobre Deleuze)
José Gil "O Imperceptível Devir Da Imanência - Sobre A Filosofia De Deleuze"
Douglas Hofstadter "I Am A Strange Loop"
François Dosse & Jean-Michel Frodon "Gilles Deleuze Et Les Images"
+ Concertos:
Ornette Coleman (Coliseu Do Porto)
Rage Against The Machine (Optimus Alive!08)
4 Corners (Casa Da Música)
Go! Team (Casa da Música)
Wraygunn (Batalha)
Remix Ensemble "Quartour Pour A Fin Du Temps" (Casa Da Música)
2008:
Falência e nacionalização do capitalismo financeiro à escala global.
Eleição de Obama
Inauguração dos Jogos Olímpicos de Pequim a 08/08/08
TDC oferece toda a música gratuita aos seus subscritores de tráfego, fixo e móvel.
Lançamento do telefone da Google, consolidando movimentos do mercado iniciados com o Iphone.
Novo livro de Herberto Helder e antologia da Loise Bourgeois no Gughenheim
(site musica.optimus.pt e concertos@optimus)
RUI TENTÚGAL:
Why? "Alopecia" (Tomlab)
Boredoms "Super Roots 9" (Thrill Jockey)
Hot Chip "Made In The Dark" (EMI)
Human Bell "Human Bell" (Thrill Jockey)
David Gilmour "Live In Gdansk" (EMI)
2008:
FlorCaveira e Gala Drop
Morreu Richard Wright…
2009:
Gostava de poder ir ver o Jandek.
(jornal Expresso)
RUI TRINTAEUM:
Social Disco Club - Revelação e melhor DJ/Produtor Nacional: não só porque as suas produções se afirmaram entre o melhor lá fora, mas também porque me deliciei muitas vezes a ouvi-lo e porque acredito e afirmo que ele é bom... muito bom... e que o melhor ainda está para vir...
Henrik Schwarz - melhor produtor internacional: Porque foi o artista de quem mais discos passei, todos muito, muito bons... onde este homem toca, nada fica abaixo de excelente.
The Revenge - Artista revelação internacional: pouco trabalho, nada de novo, apenas música excelente e deliciosa para os nossos ouvidos... que não nos cansamos de ouvir e que já ouvimos muitas vezes... e queremos ouvir mais... e porque estamos atentos e expectantes a tudo o que the revenge e os seus companheiros irão fazer no próximo ano.
The Revenge "Night Flight" (Jiscomusic) - Edit do ano: idem idem aspas aspas e mais The Revenge para 2009.
Omar-S "Psychotic Photosynthesis" (FXHE) - Disco do ano: um clássico para a eternidade... Detroit ainda é Detroit.
Simon Baker "Plastik - Todd Terje remix" (Playhouse) - Remistura do ano: entre o óptimo e o excelente vai uma muito pequena e enorme diferença. Todd Terje, sem alterar muito original, conseguiu a proeza.
2008:
A Falência das verdades absolutas dos técnicos altamente qualificados e remunerados que lideram o sistema político-financeiro mundial.
Barack Obama, uma janela de esperança...
Ainda existe demasiada Guerra e fome no mundo.... É inaceitável.
O fenómeno nocturno de rua no Porto, imbatível... Muita gente, pouca música.
Moodymann no Trintaeum. Uma lição de música...
A nova vaga de produtores nacionais (Social Disco Club, Tiago Miranda, Slight Delay, Johnwaynes, Moulinex, etc...) a serem reconhecidos fora de Portugal pelos seus trabalhos . Pena que o mesmo ainda não se sinta cá dentro...
2009:
Uma boa Rádio no Porto
(promotora e clube Trintaeum)
SÉRGIO HYDALGO:
Este ano, o primeiro à frente da programação da ZDB, deixou marcas. Foram muitos (para cima de uma centena) os concertos assistidos entre o aquário da Rua da Barroca e outros espaços (um velho cinema, um armazém meio abandonado ou um parque de estacionamento no centro da cidade).
A música e as pessoas, deixaram memórias para todo o sempre. Dirty Projectors (Dave Longsthreth é génio, 2009 será dele), Sonny Simmons & Bobby Few & Masa Kamaguchi, Bonnie Billy (ainda mais a segunda do que a primeira noite) e Lightning Bolt desarmaram-me, e deixaram-me com um sorriso de puto embevecido. Na Sé, Charlemagne Palestine, antecedido por uma hora perfeita de Colleen, arrebatou os céus. Sem esquecer a beleza telúrica de Aki Onda & César Burago & Sei Miguel, Shanbehzadeh pai e filho na noite de inauguraçao de "Abissologia", Extra Golden (a Z em febre dançante, qual boîte de Nairobi), Scout Niblett no Mercado Negro, Beach House no Maxime, Michael Gira em Leiria, David Maranha e amigos na Avenida 211, Negativland na LX Factory, Peter Brötzmann Chicago Tentet no Jazz Em Agosto, Steffen Basho-Junghans & Norberto Lobo num sotão no Príncipe Real, High Places, Gala Drop, Manuel Mota, Vetiver e Lucky Dragons na ZDB e ainda um pôr-do-sol com Chris Corsano & Virginia Genta no terraço.
Foi bom regressar à Costa Vincentina (sem música), descobrir NY (Phil Collins, “Rise Above” e Boys II Men), perder-me em pequenos-almoços pela tarde adentro e apaixonar-me por Cassavetes.
Mais MP3 e vinil do que CD, valeu ouvir tudo da Analog Africa. Destaques para "African Scream Contest" e Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou com "The Vodoun Effect 1972-1975: Funk and Sato from Benin's Obscure Labels". "Saint Dymphna" (Warp) de Gang Gang Dance partiu tudo e "This Coming Gladness" (Bo'Weavil) colocou Josephine Foster no panteão das intérpretes da década. Em repeat ressoou o single "Used To Be" (Carpark) dos Beach House e os homónimos de High Places (Thrill Jockey) e Gala Drop (Gala Drop).
(sala, galeria e promotora Zé Dos Bois)
SUSANA POMBA:
The Last Shadow Puppets "The Age Of The Understatement" (Domino)
Cut Copy "In Ghost Colours" (Modular)
Vampire Weekend "s/t" (XL)
The Kills "Midnight Boom" (Domino)
Hercules And Love Affair "s/t" (DFA)
2008:
The National (Aula Magna)
"Heartbreaker" de Metronomy.
"Veronica's Veil - Erol Alkan's extended rework" de Fan Death.
Os 10 x 10 do Lux.
The Kills na Casa da Música.
Este ano percebi que podia arquivar de forma organizada o que normalmente está em pilhas no chão, em caixas ou em prateleiras mal arrumadas em casa, no computador ou no carro. Aqui fica uma escolha apressada, feita às 3h47m da manhã, porque já estou três horas e quarenta e sete minutos atrasada no envio deste email. São os títulos dos posts de um blog que me ajudou a arrumar a vida em 2008. Este foi o primeiro ano.
Janeiro - "I Could Live Forever (Inside The Back Of Your Car)" por Luís Graça; February - Black Sugo (Europa), conferência Stuart Bailey (Culturgest), Gardar Eide Einarsson, Team Gallery (ARCO), Novo trabalho de Ricardo Jacinto (Earworm); Março - Pop Dell' Arte (Santiago Alquimista), Ur Ma (Bomba Suicida); Abril - 25.000 euros por Migso!, "The Killer's Kiss", "Better Days, For These Days" por André Guedes; Maio - Premiere do documentário Soulwax, The National (Aula Magna), Matt Berninger, "Ex Ovo Omnia" por Vasco Araújo, "Classic" por Praga; Junho - tenho pensado em 1984 e Leigh Bowery, Sara & André (3+1); Julho - Róisín Murphy (Optimus Alive!08), Vampire Weekend (Optimus Alive!08), "The Storyteller" por João Pedro Vale; Agosto - Festival Sudoeste; Setembro - o nº1 do Jornal Lux Frágil já está na rua, Sebastian Tellier e "Underpants", "S/HE IS HER/E" por Ana Jotta (Chiado 8), "Work No. 850" por Martin Creed (Tate Britain); Outubro - "Listen Darling, The World is Yours" (Ellipse Foundation), Erol Alkan (Lux); Novembro - "Domingo" por Pedro Barateiro, Cut Copy (Lux), Gabriel Abrantes (Galeria 111), ? (Lux); Dezembro - "Outro Fim" (Culturgest), Supernova + Anita Vai a Nada (Negócio/ZDB), Nick Cave disse: Turner para Mark Leckey!!!
2009:
Espero pelo musical "Demo" (título provisório) do Teatro Praga, a estrear em Junho de 2009 no São Luís.
(jornal Público; jornal Lux Frágil; revista Artes & Leilões; missdove.blogspot.com)
TIAGO SOUSA:
Brethren Of The Free Spirit "All Things Are From Him, Through Him And In Him" (Audiomer): encontro mágico entre dois brilhantes músicos do nosso tempo. Um toca alaúde e corre o mundo - trovador no século XXI. O outro faz-se ouvir através de uma guitarra de 12 cordas à qual une um carácter místico. Juntaram-se e fizeram um disco delicioso.
James Blackshaw "Litany of Echoes" (Tompkins Square): é o disco mais orquestrado de Blackshaw. Não sendo um disco surpreendente não desilude os seus seguidores.
Paul Metzger "Delieverance" (Locust): improvisador e modificador de guitarras, apresenta-se neste disco acompanhado por um banjo modificado que se inspira na música do oriente e parte à descoberta dos recantos mais recônditos da mente.
Balmorhea "River Arms" (Western Vinyl): belo disco em modo quase-pós-rock-qualquer-coisa. Belas canções instrumentais, sublimemente orquestradas
Goldmund "The Malady Of Elegance" (Type): disco minimal em piano preparado. Boa companhia.
2008:
Colleen, Charlmemagne Palestine e David Maranha (Sé De Lisboa): Noite mágica, local místico, delicioso ver Charlemagne Palestine profanar o orgão de tubos da igreja mãe de Lisboa.
Vic Chesnutt no AMAC (Barreiro Outras Músicas): Desconhecia, fiquei rendido. Vic Chesnutt é enorme!
Shannon Wright (Santiago Alquimista):
Expectativas altas, foi um concerto com bons momentos pena que tenha vindo sozinha.
Jana Hunter (Maxime): foi a terceira vez que a vi, finalmente com banda. Não desiludiu... o disco de 2007 é incrível..
Tony Conrad (Louvre): tropecei neste concerto quando estive em Paris, era à pala, as pessoas saiam durante a actuação aos magotes. Grande..!
Por fim duas notas de coisas com mais de cem anos mas que me fascinam hoje: Debussy "Prélude À L'Après-Midi D'Un Faune" e Henry Thoureau "Walden; Or Life In The Woods".
(editora e promotora Merzbau)
VITOR BELANCIANO:
Vampire Weekend "s/t" (XL)
Portishead "Third" (Island)
TV On The Radio "Dear Science" (4AD)
Dirty Projectors "Rise Above" (Rough Trade)
Santogold "s/t" (Warner)
Gang Gang Dance "Saint Dymphna" (Warp)
Fleet Foxes "s/t" (Bella Union)
High Places "s/t" (Thrill Jockey)
Patti Smith & Kevin Shields "The Coral Sea" (Pask)
Quiet Village "Silent Movie" (!K7)
+
Buraka Som Sistema "Black Diamond" (Sony BMG)
Gala Drop "s/t" (Gala Drop)
X-Wife "Are You Ready For The Blackout?" (NorteSul)
+ Factos, figuras e outras doçuras:
Regressos dispensáveis (AC/DC, Police, Sex Pistols) e impensáveis (Portishead, Leila, Grace Jones, Leonard Cohen); Sexo, drogas e rock in Amy Winehouse; Björk e Toumani Diabaté, no mesmo palco, Sudoeste; Animal Collective no Lux a mostrar o álbum que aí vem; África, e quase tudo o resto, em Brooklyn (Vampire Weekend, Yeasayer, Gang Gang Dance, Dirty Projectors, MGMT); Justice, um ‘stress’ de vídeo; Há cada vez mais tribalistas urbanos (Santogold, Very Best, Yo! Majesty, DJ Mujava); O “Black Diamond” dos Buraka Som Sistema, por questões criativas, de mercado e sociais; Quem pára David Sitek? (TV On The Radio, Scarlett Johansson, Foals); A Austrália mais perto (Cut Copy, Midnight Juggernauts); Herança ZDB (Gala Drop, Aquaparque), Os ‘chants elysée’ de Carla Bruni; 50, o número mágico (Bossa nova, Motown, Madonna, Prince, Michael Jackson); Nunca foi tão bom ser reaccionário (Fleet Foxes, Beach House, Alela Diane); Refúgios tranquilos (Quiet Village, High Places); De onde é que estes apareceram? (Patti Smith & Kevin Shields, Nico Muhly); Música ‘disco’, ainda, e sempre (Lindstrom, Hercules And Love Affair, Glass Candy, Chromatics, Slight Delay); O ‘zoo’ à solta em Londres (The Bug, Benga); Não se cria a partir do nada, mas do caos (Fuck Buttons, No Age, Girl Talk, Deerhunter); E Obama, é evidente, porque há muito tempo que não havia alguém que nos desse música assim.
(jornal Público)