MAILING LUST 362
Lisboa, 28 de Dezembro de 2007

Toda a gente que tem a música no centro da sua vida, ou perto dele, sentiu, em 2007, que qualquer coisa de fundamental está a mudar no modo como se ouve, guarda, compra e utiliza esse bem cada vez mais precioso e, paradoxalmente, cada vez mais abundante e omnipresente. A indústria que se chama indústria começa a ter um princípio de ideia do que vai fazer para se manter viva (en-ter-tain-ment) e, nas bolas de cristal dos executivos, a palavra "discos" é cada vez mais difícil de ler. Nós continuamos a chamar discos aos discos, não sabemos o que vai acontecer no futuro, nem sabemos muito bem quando é o futuro de que falam. Com tanto para fazer, trememos de ansiedade por não conseguirmos enumerar a lista completa de pessoas que foram importantes para nós durante o ano que passou. Em primeiro lugar, ex-aequo, todas as pessoas que nos visitaram, comunicaram connosco, compraram-nos discos, ensinaram-nos novos nomes e com quem, de alguma forma, pudemos partilhar música de que gostamos. Tecnicamente, essas pessoas chamam-se clientes : )
Depois, a rede mais ou menos extensa de ligações que reforçam o nosso núcleo e nos permitem funcionar virados para o exterior: jornais, rádios, revistas, blogs e sites que divulgam os discos distribuídos pela Flur, promotoras que disponibilizam bilhetes para venda na loja ou oferta em passatempos. Presença Flur mais notória na Rádio Oxigénio (102.6), onde apoiamos as dj battles e, às sextas-feiras, divulgamos os destaques da semana; também a Blah Blah Blah, publicação oficial do Lux que se prepara para comemorar um ano, onde podemos falar da música que nos apetece, como nos apetece. Woo-hoo!
Um passo acima das mixtapes que oferecemos em 2006, juntámos Flur a Filho Único para apresentar uma compilação com música produzida em Portugal e que pode funcionar, se o quiserem, como um estado da nação em final de 2007. Joaquim Albergaria fez a capa, os outros agradecimentos imprescindíveis são, claro, aos participantes: António Contador, Aquaparque, Coclea, Curia, Discmen, DJ Marfox, Double D Force, Gigantiq & Shinjiro Yamaguchi, Josué o Salvador, Loosers, One Might Add, Phoebus, Photonz, Ritchaz & Kéke. Orgulho sem preconceito! A compilação é grátis e ainda pode ser obtida aqui na Flur por quem comprar pelo menos um disco (CD ou vinil). A quantidade é limitada e a oferta termina no dia 6 de Janeiro de 2008. Em breve seguirá um email com informação sobre todos os nomes que participam no disco.
Mais um piscar de olhos e 2008 está aí. Não percam.
 
 
 
 
Grande obrigado a todos os que tiraram tempo
para elaborar listas!
e
Óbvio, logo à primeira vista,
o domínio da DFA nas preferências
de quem nos enviou as suas listas.
LCD Soundsystem no topo dos álbuns e duplamente no topo dos singles,
a DFA foi uma das presenças mais assíduas
nos palcos e pistas de dança durante 2007.
Still Going, no sexto lugar dos singles,
foi o mais visível dos maxis que a editora lançou
durante o ano, alguns no novo catálogo Death From Abroad.
Ricardo Villalobos está representado pelo seu set para o clube Fabric,
que é na verdade um novo álbum de originais.
Ou esse talvez seja «Sei Es Drum», que saiu apenas em vinil
e tem algumas faixas do «Fabric 36». Confusão...
Mas Villalobos toma a iniciativa e foi um dos produtores do ano.
Pilooski foi outro, noutra esfera, quase que apenas por força
do edit que fez para «Beggin'», de Frankie Valli.
Matthew Dear aparece na lista de singles
mas o seu álbum «Asa Breed» parece não ter merecido consenso.
Battles transformaram o rock matemático numa festa de chipmunks
e conquistaram muitos corações com o álbum «Mirrored» e os singles «Atlas» e «Tonto».
Burial, um top 3 do ano, não ascendeu ao posto de melhor álbum.
Com mais potencial de acessibilidade do que o álbum de estreia
(melhor de 2006 nas nossas listas), «Untrue» ficou, ainda assim,
preso numa zona ainda menos definida.
É difícil arrumar o disco numa prateleira apenas.
Faze Action editaram três novos (óptimos) maxis em 2007 e assinalaram
o seu regresso oficial para repôr a verdade disco,
mas é ainda «In The Trees» (1997) a seduzir de caras,
acompanhado agora de remistura por Carl Craig.
Murcof, sempre discreto, chega ao quarto lugar nos álbuns,
e tudo porque é um disco concebido para durar.
Pouco detectado, escuro, mas garantido para quem escutou com atenção.
Animal Collective talvez tenham sofrido com a comparação
a Panda Bear a solo;
The Field cimentaram o flirt entre as comunidades indie e electrónica;
Magik Markers fazem canções (!);
«Querelle», de Pop Dell'Arte, aboliu 20 anos sem esforço;
Moritz Von Oswald fez magia dub com a exuberância de Tony Allen;
o maxi de Feist inclui remistura de Boys Noize e demonstra
o assalto maximalista ao formato canção (Justice de fora, injusto!);
Map Of Africa chegaram, viram e venceram,
ninguém sabia muito bem que música era: dança? rock? baladas?
Dá mais que pensar, e são esses discos que depois transportam
os nossos genes para quem tentamos convencer a ouvi-los.
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Motivação de absoluta fé, a que nos levou, há um ano,
a escrever em relação ao single «Bro's» (Panda Bear):
"Panda Bear é o lado sonâmbulo de Animal Collective, onde sonhos e realidade
se misturam numa festa nebulosa em que Martin Denny nos tenta hipnotizar.
2007 trará, claro, um dos álbuns do ano."
Aí está, sem qualquer favor:
«Person Pitch» lidera as nossas escolhas de 2007.
O disco que serve na perfeição qualquer clima
está no topo de uma pirâmide que, à medida que alarga,
revela todos os outros blocos essenciais
para a construção de um ano sólido,
como todos são quando se sabe onde procurar
ou se tem a sorte/intuição de chegar aos discos certos.
Tentámos perder cada vez menos tempo
com as coisas de que não gostamos.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ao nosso lado e, na verdade, a toda a volta,
trabalham pessoas que ajudam a transportar
informação até junto de quem lê, vê, ouve e sente.
Escrevem e falam sobre discos, organizam concertos,
elaboram programações, passam música e passam palavra.
Não conhecemos toda a gente e, das pessoas que conhecemos,
a lista que se segue é uma amostra de sensibilidades
diferentes das nossas, outros mundos,
mas também pontos de contacto
e a partilha de uma vontade
em não deixar passar em branco
música importante que se experimenta.
Um agradecimento por estas listas,
e, um obrigado especial,
para quem durante o ano se interessou pelo nosso trabalho.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
                  
 
 
 
 
 
 
SINGLES

1. LCD Soundsystem «
All My Friends» (DFA/EMI)
2. LCD Soundsystem «Someone Great» (DFA/EMI)
3. Faze Action «In The Trees - Carl Craig rmx» (Juno)
4. Pop Dell'Arte «Querelle» (Bloop)
5. Matthew Dear «Don & Sherry» (Ghostly International)
6. Still Going «Still Going Theme» (DFA/EMI)
7. Tony Allen «Ole - Moritz Von Oswald rmx» (Honest Jons)
8. Frankie Valli «Beggin - Pilooski edit» (679)
9. Feist «My Moon My Man» (Polydor)
10. Battles «Atlas» (Warp)
ÁLBUNS
 
1. LCD Soundsystem «Sound Of Silver» (DFA/EMI)
2. Panda Bear «Person Pitch» (Paw Tracks)
3. Battles «Mirrored» (Warp)
4. Burial «Untrue» (Hyperdub)
5. Murcof «Cosmos» (Leaf)
6. Map Of Africa «Map Of Africa» (Whatever We Want)
7. Ricardo Villalobos «Fabric 36» (Fabric)
8. Animal Collective «Strawberry Jam» (Domino)
9. The Field «From Here We Go Sublime» (Kompakt)
10. Magik Markers «Boss» (Ecstatic Peace!)
 
 
 
ÁLBUNS:
 
1. Panda Bear «Person Pitch» (Paw Tracks)
Previmos há um ano (parecia tão natural fazê-lo), a propósito da presença de «Bro's» no nosso top, que o álbum de Panda Bear seria um dos álbuns de 2007. E foi. Sem dúvidas, sem questões, sem espinhas. «Person Pitch» tem corpo para ser uma obra inesquecível que não vai deixar marcas só no seu tempo. Da pop dos Beach Boys, passando pela canção de Scott Walker, até ao universo esquizofrénico-infantil da sua casa Animal Collective, Panda Bear deixou aqui o seu contributo para a humanidade. Maior do que a vida.
 
2. LCD Soundsystem «Sound Of Silver» (DFA/EMI)
Figuras de proa em várias frentes, LCD Soundsystem e James Murphy aparecem naturalmente nas listas do ano: singles, compilações («Fabric» de James Murphy e Pat Mahoney) e até, bom, reedições («45:33» em CD). «Sound Of Silver» concentra novamente os vários universos de que a banda nova-iorquina se alimenta, passado, presente e futuro, realidade e ficção, privado e público, refrões certeiros e melodias que parecem existir desde sempre, tal a rapidez com que se inscreveram na memória. «Sound Of Silver» pulverizou quaisquer receios de um difícil segundo álbum, logo em Março, e aguentou nove meses sem vacilar.
 
3. Burial «Untrue» (Hyperdub)
A falta de «Untrue» em 2007 seria mais danosa para o dubstep que para as nossas listas. A poucas semanas do fim do ano, a ausência de álbuns convincentes acentuava o fim prematuro do estilo que, curiosamente, ganhou asas e livro de objectivos com o primeiro álbum de Burial. Ainda incógnito, e talvez por isso mesmo no perfeito local para o comando das operações, o músico irrompe à superfície e refaz a génese do dubstep sem perder um único nucleotídeo do seu ADN, desenterrando fantasmas do cemitério 2step para povoar a sua música densa com uma sinfonia espírita contagiante e épica. Um milagre.
 
4. Magik Markers «Boss» (Ecstatic Peace)
WOW! E os Magik Markers criaram o rock. De trio para duo, Elisa Ambrogio e Pete Nolan tornaram os Magik Markers de estado de sítio naqueles que gravaram «Boss» como o disco rock-rock-rock mais entusiasmante dos últimos anos. Voz bitchy de quem desespera (por melhores dias, por outras pessoas, pela vida e às vezes pela morte), assalto assimétrico de guitarra e bateria, suor e velocidade mas também uma força primordial que prende à terra. Já não lhes resistíamos, mas com «Boss» terão os nossos corações para sempre.
 
5. M.I.A. «Kala» (XL)
M.I.A., à sua maneira, mostra-nos que a world music não tem de ser exactamente como a que vemos nos programas culturais da SIC e que vencem prémios na BBC. Não é novo para a pop encontrar-se com o mundo fora do Ocidente, mas M.I.A., puxada por Diplo, soube aproveitar-se da raiz chunga de alguma música que nasce nos chamados países sub-desenvolvidos mas frequentemente tão mais próximos da festa. «Kala» é a rua da globalização em modo compacto, com citações da pop/rock (Clash, Modern Lovers, Pixies, etc.) à mistura. Lá para o fim há «Paper Planes», um dos melhores temas do ano.

       

6. Robert Wyatt «Comicopera» (Domino)
Podia editar um disco por ano, mas em vez dessa regularidade pop, Robert Wyatt decidiu construir a sua obra-prima em três actos clássicos, deixando tudo amadurecer como se tivesse todo o tempo do mundo. «Comicopera» é um livro enciclopédico de histórias, reflexões, atitudes, homenagens, amizades, e muita música em estado puro ou em embriaguez colectiva, como se mais uma vez o velho bardo fosse o músico mais sábio do mundo e a sua generosidade não conhecesse limites. Resta-nos esperar mais um pouco por mais uma obra-prima.
 
7. Theo Parrish «Sound Sculptures Vol.1» (Sound Signature)
Abaixo do radar pelo facto de apenas ter sido editado em vinil, este álbum representou o empenho do som de Detroit ao nível mais alto. Soul desviada pelos beats secos de Parrish, jazz que nunca chega bem a responder por esse nome, house e techno mais directos à cabeça do que à pista de dança, produção luxuosa mas arriscada e uma faixa que contempla todos os detalhes mencionados: «Galactic Traffic» é, ao mesmo tempo, o melhor tema cósmico do ano.
 
8. Devendra Banhart «Smokey Rolls Down Thunder Canyon» (XL)
Embora muito novo para se imaginar como guru de qualquer coisa, é também verdade que já tem currículo e histórias para ser visto como tal. É o singer-songwriter mais importante da actualidade - Dylan dos nossos tempos? - e aquele que com mais carinho abraçaremos na posteridade. «Smokey Rolls Down Thunder Canyon» exala América do sul e boa disposição. Fiéis à causa-culto não quiseram ir por esse caminho e viraram as costas a Devendra; outros certamente acabarão 2007 com um sorriso na cara.
 
9. Map Of Africa «Map Of Africa» (Whatever We Want)
Durante três sólidos anos, a Whatever We Want criou e manteve hype sem mácula. Uma série de singles desaparecidos logo que se olha para o lado (Quiet Village, Map Of Africa, Bobbie Marie, Otterman Empire, sobretudo) mas, para compensar, um CD acessível a todos em 2007: o álbum de Map Of Africa convocou heróis e demónios on the road e on the beach, os dois cenários onde a música produzida por Thomas Bullock e Harvey Bassett existe naturalmente, sem pressas (o álbum demorou pelo menos 2 anos a ser feito) nem nada muito teen a comunicar. Algumas canções do ano estão aqui.
 
10. Battles «Mirrored» (Warp)
Cépticos e pessimistas acharam cópia e aproveitamento de Black Dice, Animal Collective e co., nós vimo-lo como uma concretização universal dessas referências. Esquilos aos saltos, heróis da guitarra, espelhos com mil reflexos em túnel (o que é a originalidade?), prog e maximalista até à ponta dos cabelos que ficam em pé com este barulho feliz, «Mirrored» é o «Millions Now Living Will Never Die» (Tortoise) desta década, não tão revolucionário, claro, mas pelo menos este toda a gente ouviu no momento certo.
 
 
 
SINGLES:
       
 
1. Pop Dell'Arte «Querelle» (Bloop)
Sem competição à altura, foi o maxi mais vendido na Flur em 2007. Parecia natural recuperar uma faixa que, se não incendiava as pistas de dança, sempre ameaçou fazê-lo com o seu misto de hedonismo e nonsense. Baixo e percussões enquadram a voz de João Peste em presença puramente fonética, o que torna tudo naturalmente universal. A Bloop avançou no momento certo para assinalar 20 anos desde a edição original, os Glimmers reduziram a velocidade para cadência new beat mas, amigos, há música que é intocável.
 
2. Frankie Valli «Beggin'» + Pilooski edit (679)
Saiu no início do ano em maxi de edição limitada, desapareceu em três tempos para, numa volta do destino, se ter tornado tão importante nas pistas de dança que mereceu reedição oficial também em CD, 40 anos depois de esta canção violenta de amor ter sido um hit menor nos tops americanos. Valli não viveu para assistir à nova vaga de interesse, Pilooski começou a ser um nome habitual e, na Flur, mais habitual por ter feito com que «Beggin'» se tornasse, de muito longe, o single em CD mais vendido de sempre.
 
3. LCD Soundsystem «All My Friends» - várias versões (DFA/EMI)
O single mais ambicioso de todos os que LCD Soundsystem editaram em 2007. Contemplamos aqui o pack completo em toda a sua glória: dois 7" com versões (não remisturas) da canção pelos Franz Ferdinand e John Cale (incrível), um 12" com remistura de Harvey a transformar tudo numa experiência totalmente diferente, lenta e drogada + um original de 12 minutos, «Freak Out/Starry Eyes», a deixar correr a imaginação de James Murphy e amigos e a contagiar a nossa. «All My Friends» original tem ainda o piano rock mais urgente que ouvimos durante o ano.
 
4. Faze Action «In The Trees» + Carl Craig rmx (Juno)
1997, «In The Trees» anuncia o regresso ao futuro. Faze Action foram a face oficial do interesse pela produção de disco clássico nos anos 90: cordas, linha de baixo e uma felicidade intensa ao ouvir música que parecia tornar a vida pré-milénio mais optimista. Depois o fade out até ao quase esquecimento, mas em 2007 Faze Action não só gravam três maxis muito bons como «In The Trees» tem a honra de figurar na galeria de clássicos que a loja online Juno escolheu para comemorar os seus 10 anos de existência. Carl Craig acrescenta um twist moderno ao original que, na verdade, brilha sozinho.
 
5. Redshape «Unfinished Symmetry» (Present)
Número 3 na Present, todos Redshape. De repente, «Unfinished Symmetry» passou a barreira onde acabam os nerds e começam as outras pessoas - o maxi chegou a mais gente do que qualquer outro Redshape aqui na loja. Redshape tem muitos discos editados apenas em 2006 e 2007 (vejam em discogs.com), não se sabe quem se esconde atrás do nome mas sabe-se que a base é na Alemanha. O espírito vintage da editora holandesa Eevolute somado a amor por Detroit e fantasias marcianas. Profundo como um verdadeiro militante e, segundo os Photonz, também deixa as pessoas felizes na pista de dança : )

       

6. Bjorn Torske «Kokt Kveite» (Smalltown Supersound)
Torske repete presença nos singles do ano. «Kokt Kveite» suplanta qualquer faixa incluída no seu álbum «Feil Knapp». Disco-dub exótico, comparado em alguns comentários a 23 Skidoo, complexo, perto do Sol e perfeito para acompanhar aventuras technicolor nos mares do Sul. Puro ouro.
 
7. Professor Genius «La Grotta» (Italians Do It Better)
Não são italianos mas a editora olha para a Itália clássica dos anos 80 como inspiração de um som épico, melancólico, festivo e preciso como era suposto os replicants serem em «Blade Runner». As três faixas neste maxi são monumentos que evocam alguns ambientes que John Carpenter traduzia em som para os seus filmes, contam histórias de tensão, perseguição e vodu, com opção de cápsula espacial pronta a sair se as coisas ficarem muito feias. Junto com os maxis de Glass Candy, Chromatics e Farah, a editora molhou as calças de muita gente em 2007.
 
8. Black Dice «Roll Up» (Paw Tracks)
«Manoman» fazia adivinhar um novo rumo após «Broken Ear Record», mas só com «Roll Up» tivemos a certeza. Marcou a mudança de Black Dice para a Paw Tracks (em 2007 também com Excepter, que lançaram o essencial «Burger») e mostrou-nos uma antevisão perfeita do álbum «Load Blown». «Roll Up» é o melhor tema do último álbum dos Dice e uma meta incrível para um trio que tem vindo a descontruir a sua música desde «Creature Comforts». Soa a um negativo de «Things Will Never Be The Same» (o tema que mudou a vida de quem o ouviu na altura de «Beaches & Canyons») e é o mais próximo da ligação rock/techno que os Black Dice tentam criar ou aquilo que imaginaríamos Villalobos a fazer se tentasse o rock. Calculista, simples, frio, certeiro!
 
9. Cage & Aviary «Television Train» (Dissident)
Como um cometa, a editora Dissident espalhou estilhaços em quantidade. «False Energy» de Binary Chaffinch só não está nesta lista porque não conseguimos arranjar uma única cópia para a loja. Edições de 100 e 200, os maxis da Dissident são caros e têm um lado apenas, mas vieram preencher a necessidade de mais produto Whatever We Want (nenhum maxi em 2007). «Television Train» são 11 minutos de jam space-funk que podia ser LCD Soundsystem: guitarras, cowbell, baixo gordo, mantra vocal ("are you on your own, lonely with a tv" etc). O groove fica em lock, mais à frente, e o Espaço está mesmo ali. Talvez o hype mais dispendioso do ano mas, musicalmente, justifica os euros extra. 2008 também está mesmo ali.


10. Hieroglyphic Being «Guidance/Direction» (Apnea)
Jamal Moss menos visível em 2007 mas sempre consequente. Este maxi transporta toda a luz de Hieroglyphic Being para um plano mais liso do que o habitual na sua música, por vezes demasiado angulosa. Subvertendo a ideia de minimal normalmente associada aos discos da Apnea, «Guidance/Direction» foge sequer à designação de techno, mantém o sentido próximo das raízes jack de Chicago (Moss é um purista) e faz música que desce do céu directamente para a sua cabeça. Nós ajudamos a interpretar.
 


 
REEDIÇÕES:
       
 
1. Young Marble Giants «Colossal Youth» (Domino)
A espera valeu a pena. Mais de duas décadas e meia depois da edição original em 1980, eis uma reedição em condições dessa obra única e seminal da pop. Quem conhece e gosta, sabe que não há outro disco no mundo igual a este, nem próximo, nem perto da fronteira. Criou o seu próprio espaço e limites. Esse estatuto manter-se-á incólume e inabalável aos olhos de quem "perdeu" um pouco da sua vida a ouvir «Colossal Youth». A reedição reuniu pela primeira vez todo o trabalho gravado pela banda, acompanhado por um excelente texto de Simon Reynolds, e juntou (argh) novamente os três membros. Mal menor para quem já deixou a sua marca. Único álbum do grupo em 26 anos, poucas lendas se constroem com tão pouco.
 
2. White Noise «An Electric Storm» (Island)
Objecto estranho que caiu no mundo em 1969, só comparável ao homónimo dos United States Of America ou «Cauldron» (Fifty Foot Hose). «An Electric Storm» saiu directamente de algumas das mentes responsáveis pela aura da BBC Radiophonic Workshop (Brian Hodgson e Delia Derbyshire), orquestradas por David Vorhaus, americano refugiado em Inglaterra. Nonsense, efeitos sonoros, psicadelia e ruído resistem ao tempo precisamente por não pertencerem a tempo algum. A existir esse tempo, preferimos não saber.
 
3. Manuel Göttsching «E2-E4» (MG Arts)
Fazer o que se faz habitualmente e ser de repente agraciado com a música das esferas tem de ser qualquer coisa de inesquecível. Poder tornar a experiência pública é orgulho. Manuel Göttsching gravou quase sem querer um único take de 60 minutos em 1981 que parece ter feito tanto pelo emergência do techno como toda a discografia de Kraftwerk. «E2-E4» só foi editado em 1984, dividido por dois lados de um LP. Conheceu reedições em CD em 1989, 92, 94 e, finalmente com remasterização digna desse nome, em 2006 (no mercado apenas em 2007). A vantagem do CD é incluir a obra na sua forma original, sem interrupções, prolongando a sensação de hipnose e estado de graça provocados por esta música incrivelmente reparadora, projectada no céu como raios de Sol e na terra como ondas do mar. Além de único, é irrepetível.
 
4. The Pop Group «Y» (Rhino)
Música e política, ok, mas quando a música É política o efeito é intensificado múltiplas vezes. Thatcher subiu ao poder no Reino Unido em 1979, ano de «Y», uma letra do alfabeto mas também uma pergunta em abstracto com a leitura que se quiser. «Y», o disco, formula uma revolta anti-capitalista destinada a seduzir poucos porque o envólucro era deliberadamente feio, com esquinas cortantes e agressor da estabilidade confortável dos pequenos burgueses militantes da cultura. Dennis Bovell produziu o álbum em dub no mesmo ano em que organizou o caos das Slits («Cut» é igualmente de 1979). Mas também havia jazz, rock e coisas muito livres que recusavam ser sequer afixadas num painel. Durou o tempo de um sonho e é provavelmente o disco que melhor representa, em simultâneo, punk e pós-punk.
 
5. Terry Riley «Music For The Gift» (Elision Fields)
Quarta reedição de Terry Riley na Elision Fields, a terceira que saiu em 2007 (a quinta é «Last Camel In Paris» e sai em Fevereiro), «Music For The Gift» engloba quatro importantes trabalhos do compositor no uso da técnica de corta-e-cola e processamento de fita que iniciou na década de sessenta. A faixa-título é uma composição registada em Paris para uma peça que estreou na altura e a qual foi convidado a musicar em colaboração com o quarteto de Chet Baker. Esta edição completa-se bom «Birds Of Paradise», «Mescalin Mix» e «Concerto For Two Pianists And Five Tape Recorders», registado ao vivo com La Monte Young e antecedido por um óptimo comentário radiofónico. Esta pareceu-nos a mais importante das reedições da obra de Terry Riley, mas o magnífico trabalho da Elision Fields é de louvar e seguir.
 
+ Sonic Youth «Daydream Nation» (Geffen), Bobb Trimble «Iron Curtain Innocence» (Secretly Canadian), African Suite «African Suite» (MCA), Sun Ra «The Night Of The Purple Moon» (Atavistic) e GNR «Independança» (VC/Som Livre).



 
 
ANDRÉ SANTOS:
Panda Bear «Person Pitch» (Paw Tracks), Black Dice «Load Blown» (Paw Tracks), Blues Control «Blues Control» (Holy Mountain), Blues Control «Puff» (Woodsist), Magik Markers «Boss» (Ecstatic Peace!), Devendra Banhart «Smokey Rolls Down Thunder Canyon» (XL), LCD Soundsystem «Sound Of Silver» (DFA/EMI), Jens Lekman «Night Falls Over Kortedala» (Secretly Canadian), M.I.A. «Kala» (XL), Battles «Mirrored» (Warp), Oh No «Dr. No Oxperiments» (Stones Throw), Chromatics «Night Drive» (Italians Do It Better), Glass Candy «B/E/A/T/B/O/X» (Italians Do It Better), Flower-Corsano Duo «The Radiant Mirror» (Textile), Tropa Macaca «Marfim» (Ruby Red), Phoebus «Lava» (Rafflesia), Cherry Blossoms «Cherry Blossoms» (Black Velvet Fuckere), Ricardo Villalobos «Fabric 36» (Fabric), Om «Pilgrimage» (Southern Lord), Excepter «Tank Tapes» (Fuck It Tapes), Excepter «OP» (iDEAL Recordings), Excepter  «Streams 01» (Fusetron), John Wiese «Soft Punk» (Troubleman), R. Kelly «Double Up» (Jive), Susan Alcorn «And I Await The Resurrection Of The Pedal Steel Guitar» (Olde English Spelling Bee), Jay-Z «American Gangster» (Def Jam), Go! Team «Proof Of Youth» (Memphis Industries), Dan Deacon «Spiderman Of The Rings» (Carpark), Deerhunter «Cryptograms» (Kranky), Electrelane «No Shouts, No Calls» (Too Pure), Liars «Liars» (Mute), Durrty Goodz «Axiom EP» (Awkward), Astral Social Club «Neon Priboch» (Important), Death Unit «Infinite Death» (Important), !!! «Myth Takes» (Warp), Jackie-O Motherfucker «Valley Of Fire» (Textile), Boredoms «Super Roots 9» (Vice), Talib Kweli «Ear Drum» (Warner), Burning Star Core «Blood Lightning 2007» (No Fun), Burning Star Core «Operator Dead... Post Abandoned» (No Quarter), Gui Boratto «Chromophobia» (Kompakt), Pantha Du Prince «This Bliss» (Dial), Map Of Africa  «Map Of Africa» (Whatever We Want).
 
+ Reedições:
Skullflower «IIIrd Gatekeeper» (Crucial Blast), Pure «Fetor» (Freak Animal), JD Emmanuel «Wizards» (Dreamtime Taped Sounds), J Dilla «Ruff Draft» (Stones Throw), Pylon «Gyrate Plus» (DFA/EMI), Neil Campbell «SOL POWR» (Mundane Music), Young Marble Giants «Colossal Youth» (Domino), Terry Riley «Music For The Gift» (Elision Fields), Sun Ra «Strange Strings» (Atavistic), Boredoms (todos os «Super Roots»).
 
+ Concertos:
Battles, Slint (apesar de ter sido uma seca brutal), Comets On Fire, White Stripes, Sonic Youth e Melvins (Primavera Sounds,Barcelona), Borbetomagus e Loosers (Music Box), as duas festas Filho Único (#211 da Avenida), Sic Alps (Maxime), Talibam!, Mean Motion, Warmer Milks, Birds Of Delay, Skaters e Burning Star Core (ZDB), Gala Drop (Bomba Suicida), LCD Soundsystem (SBSR), Skream (Lux), Chumbo (Flur) e todos os concertos que vi do Quarteto Sei Miguel.
 
 
INÊS COUTINHO:
Wiley «Playtime Is Over» (Big Dada), Amy Winehouse «Back To Black» (Universal), M.I.A «Kala» (XL), Panda Bear «Person Pitch» (Paw Tracks), Kanye West «Graduation» (Def Jam), Jay-Z «American Gangster» (Def Jam), Burial «Untrue» (Hyperdub), Von Südenfed «Tromatic Reflexxions» (Domino), Justice «Cross» (Ed Banger/Because), MF Doom «MM..Food» (Rhymesayers), J Dilla «Ruff Draft» (Stones Throw), Devendra Banhart «Smokey Rolls Down Thunder Canyon» (XL), Common «Finding Forever» (Universal), Prefuse 73 «Preparations» (Warp), Sharon Jones «100 Days, 100 Nights» (Daptone), Map Of Africa «Map Of Africa» (Whatever We Want), Young Marble Giants «Colossal Youth» (Domino)
 
+ Canções:
Rihanna «Umbrella», Dee Edwards «Can't There Be Love (Pilooski re-edit)», Timbaland feat. Nelly Furtado & Justin Timberlake «Give It To Me», Justice «Tthee Ppaarrttyy» + «D.A.N.C.E.», Frankie Valli «Beggin' (Pilooski re-edit)», Kanye West feat. T-Pain «The Good Life», The Bug feat. Warrior Queen «Poison Dart (Skream rmx)», M.I.A «Paper Planes», Fam-Lay «Da Beeper Record», Snoop Dogg «Sexual Eruption», Beyoncé feat Jay-Z «Upgrade U», Fat Freddy's Drop «Cay's Crays (Digital Mystikz rmx)», Kelly Rowland feat. Eve «Like This», Alicia Keys «No One», Bonde do Rolê «Gasolina (Buraka Som Sistema rmx)»
 
+ Outros formatos:
Beastie Boys na Aula Magna, Kurt Wagner no Santiago Alquimista, Skream no Lux, noites Darkswing no Mini-Mercado, 50 cent + Busta Rhymes no estádio do Restelo, Hanne Hukkelberg no Lux, Matthew Shipp + William Parker + Guillermo E. Brown no Lux, Master Musicians Of Joujouka no CCB, Beyoncé experience no Pavilhão Atlântico, Vieux Farka Touré e Tinariwen no CCB, Keita Mayanda, Ikonoklasta, Nástio Mosquito no S. Jorge, Stereotyp e Al-Haca no Music Box, Op. Team Mystic no Lux, a.m.o.r. nas ruas e rádios, «Control», «Ratatouille», «The Bee Movie», «Paranoid Park», «Little Children», exposição «Zoollywod» de Pedro Zamith, pessoas + discos da Flur, pessoas + páginas da Op., Mushug + Unidade sonora + Halloween + DJ Núcleo + DJ Ride + Norberto Lobo + Nerve = Portugal 2007 at its best.
 
 
JOSÉ MOURA:
38 discos de 2007
Abicah Soul Project «Nimba Groove» (Symple) 12"; Arp «In Light» (Smalltown Supersound) CD; Battles «Mirrored» (Warp) CD/LP; Binary Chaffinch «False Energy» (Dissident) 12"; Bjorn Torske «Kokt Kveite» (Smalltown Supersound) 12"; Charles Cohen/Ed Wilcox «Those Are Pearls That Were His Eyes» (Ruby Red) CD; Farah «Law Of Life» (Italians Do It Better) 12"; Hieroglyphic Being «Guidance/Direction» (Apnea) 12"; José Manuel «Il Giardino Dei Terrocchio» (Kill The DJ) 12"; Justice «Cross» CD/LP; Keith Worthy «Shelovesmenot» (Aesthetic Audio) 12"; Kiki «Joko Tai» (Bpitch Control) 12"; LCD Soundsystem «45:33» (DFA) CD/LP; Lee Douglas «Oursong 99» (Rong) 12"; Lindstrom & Prins Thomas «Nummer Fire» (Eskimo) 12"; M. Pittman «The Midwest Advocates EP» (Unirhythm) 12"; Magik Markers «Boss» (Ecstatic Peace) CD; Magik Markers «Voldoror Dance» (Latitudes) CD; Map Of Africa «Map Of Africa» (Whatever We Want) CD/LP; Mapstation «In The Loss Of Clarity» (Scape) 7"; Mujaba «Noemi/Malibu Stacey» (Four Roses) 12"; Om «Conference Of The Birds» (Holy Mountain) CD;  Prinzhorn Dance School «You Are The Space Invader» (DFA) 7"; Professor Genius «La Grotta» (Italians Do It Better) 12"; R/Swift «Instruments of Science & Technology» (Secretly Canadian) CD; Ra.H «Fall Of Justice» (Morphine) 12"; Redshape «Unfinished Symmetry» (Present) 12"; STL «Night Grooves» (Something) LP; Studio «West Coast» (Information) CD; Theo Parrish «Sound Sculptures Vol.1» (Sound Signature) LP; Urban Tribe «Zombie Assault» (Rephlex) 7"; Vladislav Delay «Whistle Blower» (Huume); V/A «Back To Mine - Röyksopp» (DMC); V/A «Dirty Space Disco» (Tigersushi) CD; V/A «FabricLive 36 - James Murphy & Pat Mahoney» (Fabric) CD; V/A «House Of Muzique» (Muzique) CD; V/A «Late Night Tales - Lindstrom» (Azuli) CD + V/A compilação Flur/Filho Único (FFU!) CD-R.
 
+ 15 reedições:
A Number Of Names «Sharevari» 12"; African Suite «African Suite» LP; Bobb Trimble «Iron Curtain Innocence» CD; Code 718 «Equinox» 12" ; GNR «Independança» 2CD; In Sync «Storm» 12"; Joy Division «Closer» 2CD; ManFriday feat. Larry Levan «Real Love» 12"; Manuel Göttsching «E2-E4» CD; Pop Dell'Arte «Querelle» 12"; The Pop Group «Y» CD; Strafe «Set It Off» 12"; Takeshi Terauchi & "Blue Jeans" «Let's Go Eleki-Bushi» CD; Underground Sound Of Lisbon «So Get Up» 12"; Young Marble Giants «Colossal Youth» 3CD.
 
+ 26 discos anteriores a 2007:
Birthday Party «Release The Bats» 7"; Cabaret Voltaire «Keep On» 12"; Chrisma «Black Silk Stockings» 7"; Dogs Of War «Dogs Of War» LP; Doctor Dark «Red Hot Passion» 7"; Hot Blood «Disco Dracula» LP; Karen Silver «Fake» 12"; Liz Torres «A Touch Of Love» 12"; Liz Torres «Queen B****» 12"; Love Craft «I Feel Better» 7"; Macho «I'm A Man» LP; Mantus «(Dance It Freestyle Rhythm» 12”; Maximus Three «Maximus Party» 12"; Moonbase «Waiting For A Train» 12"; Mr. & Mrs. Dale «It's You» 12"; RAH Band «Messages From The Stars» 7"; Ralph Lundsten «Discophrenia» LP; Rolf Trostel «Der Prophet» LP; SPK «Dekompositiones» 12"; Test Dept. «Compulsion» 12"; Tones On Tail «A Bigger Splash» 12"; Toto Coelo «Milk From The Coconut» 12"; The Troggs «Summertime» 7"; Vangelis «Invisible Connection» LP; V/A «Rob Olson's Chicago Jack Beat» LP; Zzzzzzzzzzzzzzzzzp! «Ficta 003» MCD.
 
+ 66 pessoas, sons, imagens e objectos
André o Salvador (um ano de balcão), Aquaparque ao vivo no 211 da Av. da Liberdade, Aquaparque «Siga Para Bingo», Avalon Hill 1970s, B77, Blah Blah Blah (Lux), Bobb Trimble «Glass Menagerie Fantasies», cena de porrada indoors em «Bourne Ultimatum» (Paul Greengrass), «C'etait Un Rendezvous» (Claude Lelouch), Câmera/2m no Lux, Charlie 1970s, Chris Moss Acid «Niacin's Touch», Crème Jak, «The Day Of The Locust» (John Schlesinger); Digitalism no Lux, Dissident, «Electroma» (Daft Punk), Emphasis, Faze Action, filhounico.com e festa Filho Único no 211 da Av. da Liberdade, posters Flashdance desenhados por Dinis, flur.pt caminha para qq coisa mais, Four Roses, Future Beat Alliance «Reverse The Negative», Greg Wilson no Lux, «Inland Empire» (David Lynch), Jack Kirby, Jak, João Urbano, fim de semana inteiro a ouvir Joy Division e New Order até 1982, Kimi Raikkonen, «Klute» (Alan J Pakula), mixtape de Kyle Hall, László Moholy-Nagy, Matchbox Superfast 1970s, «Metal - A Headbanger's Journey» (Sam Dunn), mixtapes Major Eléctrico, posters Museu Cósmico desenhados por Márcio Matos, Metro Area «Erodyne», Muzique, Nation, Nicolas Provost, Omar-S, os textos bons do Pedro Gomes - leiam e aprendam como se escreve!, as páginas Flur do Pedro Lourenço, a carga e recarga do Pedro Santos, Photonz, Príncipe (principeprincipe.blogspot.com), Prins Thomas, re-edits Major Eléctrico; Reggie Dokes, «Rocky Balboa» (Sylvester Stallone), Róisín Murphy/Richard X «Parallel Lives», Serge (Clone), STL, «The Swan» (Charles Vidor), Theo Parrish, Timbaland «The Way I Are (instrumental)», Tiombe Lockhart «O'Bloody Days, O'Starry Nights On The Bowery», Tokyo Black Star, «Torre Bela» (Thomas Harlan), Turzi, Unirhythm, White Stripes no Oeiras Alive! mas na TV.
 
 
MANUEL MOTA:
Blues Control «Blues Control» (Holy Mountain), Charles Cohen & Ed Wilcox «Those Are Pearls That Were His Eyes» (Ruby Red), Miles Davis «The Complete On The Corner Sessions»  (Columbia Legacy), Jandek «Manhattan Tuesday» (Corkwood), Loren Connors «The Hymn Of The North Star» (Family Vineyard), MV/EE with The Golden Road «Gettin' Gone» (Ecstatic Peace), No Neck Blues Band «Live At Ken's Electric Lake» (Locust), Sun Ra «Disco 3000» (Art Yard), Sun Ra «The Night Of The Purple Moon» (Atavistic), Paul Rutherford «Berlin Solos 1975» (Emanem).
 
+ Concertos:
White Magic (Maxime), Henry Grimes (ZDB), Aki Onda (Outfest), Aki Onda (ZDB), Rafael Toral (Avenida).
 
+ Não são discos nem concertos (mas mais):
Filho Único, Zeca (dos discos), Nélson Gomes, Afonso Simões, David Maranha, Pedro Gomes, Margarida Garcia (welcome back), Manuel Poças, Nuno Moita, Grain Of Sound, Sirr, Guilherme Gonçalves, Tropa Macaca, Flur, Outfest/Searching Records, Vítor Lopes e Rui Dâmaso, Manuel Pereira (Josué), Maxime Guitton (Ali Fib), Luca e Vasco Viviani, Riccardo Wanke, Michal Libera, Noël Akchoté, Okkyung Lee, Chris Corsano, Barry Weisblat, ZDB e Ana Teresa.
 
 
MÁRCIO MATOS:
Newworldaquarium «The Dead Bears» LP, Gladio «Hadrian's Wall» 12", Unit Black Flight «Where Is Carlos» 12", African Suite «African Suite» LP, SUDDEN INFANT «Demons & Ghosts / Memories From A Dark Nursery» (Noisendo003), Africans With Mainframes «Rock The World», Vincent Koreman «Angst» MLP, Redshape «Unfinished Symmetry» 12", Obsolete Music Technology «My Neurosis» 12", Grackle «Genres» 12”, Hieroglyphic Being «Guidance/Direction» 12", Theo Parrish «Sound Sculptures Volume 1» LP.
 
+ Pessoas:
P, P&M, Z, PL, Pedro Mau, André, Dexter, Pedro da Trema, RMA, Filho Único (Nélson & Pedro).
 
+ Mais:
Nation, Crème Jak Series, 1+1=1, Noisendo Records, Principe, exposição na Trema.
 
 
PEDRO LOURENÇO:
«Space, Garden And Beyond» em Berlim e Aalst, Bonnie 'Prince' Billy no Maxime, Burning Star Core «Blood Lightning 2007» (No Fun), Charles Cohen & Ed Wilcox «Those Are Pearls That Were His Eyes» (Ruby Red), Earth «Hibernaculum» (Southern Lord), Faesthetic, Filho Único, Flur, Flyer do Lux, Harmonia «Live 1974» (Grönland), Imprensa Canalha, Island Folds, Jorge Ben «Força Bruta» (Dusty Groove), LCD Soundsystem «Sound Of Silver» (DFA/EMI), Magik Markers «Boss» (Ecstatic Peace!), Murcof «Cosmos» (Leaf), Nieves, Om «Pilgrimage» (Southern Lord), Pandit Pran Nath «Raga Cycle» (Sri Moonshine Music), Príncipe, Rafael Toral «Space Solo» (Quecksilber), Robert Wyatt «Comicopera» (Domino), Rql & Ig, Sei Miguel, Fala Mariam & César Burago, Sonic Scope Quarterly, Sun Ra «Night Of The Purple Moon» (Atavistic),Terry Riley «Music For The Gift» (Elision Fields), Tiago Albuquerque, Tombow vs Faber Castle, Vários «David Shrigley: Worried Noodles» (Tomlab), Who.


 
PEDRO SANTOS:
Burial «Untrue» (Hyperdub), Robert Wyatt «Comicopera» (Domino), Blonde Redhead «23» (4AD), Panda Bear «Person Pitch» (Paw Tracks), Map Of Africa «Map Of Africa» (Whatever We Want), Dirty Projectors «Rise Above» (Rough Trade), Pole «Steingarten» (Scape), Devendra Banhart «Smokey Rolls Down Thunder Canyon» (XL), LCD Soundsystem «Sound Of Silver» (DFA/EMI), Magik Markers «Boss» (Ecstatic Peace), Murcof «Cosmos» (Leaf), Alex Beaupain «Les Chansons D'Amour» (Naïve), Jens Lekman «Night Falls Over Kortedala» (Secretly Canadian), XXL «Spicchiology?» (Important), Hilary Duff «Dignity» (Hollywood), Elvis Perkins «Ash Wednesday» (XL), The Eternals «Heavy International» (Aesthetics), Yacht «I Believe In You, Your Magic Is Real» (Err), Tom Brosseau «Cavalier» (Fat Cat), Richard Hawley «Lady's Bridge» (Mute), Excepter «Streams 01» (Fusetron), Róisín Murphy «Overpowered» (EMI), Matthew Dear «Asa Breed» (Ghostly), Portable «Powers Of Ten» (Süd Electronic), Stars Of The Lid «And Their Refinement Of The Decline» (Kranky), Deerhoof «Friend Opportunity» (Tomlab), Konono No1 «Live At Couleur Café» (Crammed), Apparat «Walls» (Shitkatapult), Kapital Band 1 «Playing By Numbers» (Mosz), Talib Kweli «Eardrum» (Warner), Grouper «Cover The Windows And The Walls» (Root Strata), Tinariwen «Aman Iman» (Independiente), Bonnie "Prince" Billy «Ask Forgiveness» (Domino), Tuxedomonn «77o7 tm» (Crammed), Andrew Peckler «Cue» (Kranky), Jay-Z «American Gangster» (Def Jam), No Age «Weirdo Rippers» (Fat Cat), Animal Collective «Strawberry Jam» (Domino), David Maranha «Marches Of The New World» (Grain Of Sound), Otomo Yoshihide «The Multiple Otomo Project» (Asphodel)
 
+ Coisas:
Canções de Bill Callahan, Richard Swift, Duran Duran, Rihanna, Feist, Britney Spears, Andrew Bird, Kanye West, Girls Aloud, Katharine McPhee, Jennifer Lopez, Interpol, Siobhan Donaghy, Battles, CocoRosie, Wilco, Amerie, Suzanne Vega, PJ Harvey, Timbaland, The Fiery Furnaces, Patrick Wolf, The Sea And Cake, Lupe Fiasco, Angels Of Light, etc... Reedições de Young Marble Giants «Colossal Youth» (Domino), Laurie Anderson «Big Science» (Nonesuch), Prefab Sprout «Steve McQueen» (Legacy), Sonic Youth «Daydream Nation» (Geffen), Vashti Bunyan «Some Things Just Stick In Your Mind» (Fat Cat), Bobb Trimble «Iron Curtain Innocence» (Secretly Canadian), Vladislav Delay «Multila» (Huume) e J Dilla «Ruff Draft» (Stones Throw). Concertos de Hanne Hukkelberg no Lux, Curia na ZDB, Beastie Boys no Alive! e Aula Magna.
 
 
 
 
 
ARTUR PEIXOTO:
 
Blonde Redhead «23» (4AD)
The White Stripes «Icky Thump» (XL)
LCD Soundsystem «Sound Of Silver» (DFA/EMI)
Klaxons «Myths Of The Near Future» (Universal)
Kanye West «Graduation» (Def Jam)
 
+ 5 canções:
Gossip «Standing In The Way Of Control»
Amy Winehouse «Rehab»
Kylie Minogue «Like a Drug»
Pearl Jam «Alive»
Mika «Relax (Take It Easy)»
 
2007:
Festival Alive! 07 (Oeiras)
Dance Station (Estação Do Rossio e Coliseu Dos Recreios)
Nine Inch Nails (Coliseu de Lisboa e Reading Festival)
Beastie Boys (Aula Magna)
Cirque Du Soleil «Delirium» (Pavilhão Atlântico)
 
2008:
Que nasçam mais salas de espectáculos em Lisboa para que possa ainda fazer mais espectáculos.
Que a Flur venda muitos discos…
 
(promotora Everything Is New)
 
 
 
ARTUR SOARES DA SILVA:
 
Burial «Untrue» (Hyperdub)
Panda Bear «Person Pitch» (Paw Tracks)
Studio «West Coast» (Information)
LCD Soundsystem «Sound Of Silver» (DFA/EMI)
Tcheka «Lonji» (Lusáfrica)
 
2007:
Bom: Aparecimento de DJ Ride.
Mau: Escândalo da pobreza dos festivais de verão. Existem pela música? Pelo público? Ou para serem uma feira de sponsors? Parece ser a última.
Mau: Encerramento do B.Leza - como é possível deixarem fechar um símbolo cultural de Lisboa?
Bom: Sucesso internacional dos Buraka Som Sistema.
'Bau': Apanhei um vírus no meu Mac - e assim morreu um mito!
 
Há uma nova geração a ganhar voz: o Ride, aos 22 anos, lançou um álbum entusiasmante, distribuiu talento por onde passou e ainda foi ao mundial ITF arrancar um 3º lugar entre os melhores turntablists do mundo – nada mau… Os Buraka entraram em festivais como Roskilde e Glastonbury, assinaram pela trendy Modular, primeiras partes de M.I.A., e um retumbante sucesso em casa. O mundo é deles. Bastou terem visão e não copiarem modelos estrangeiros...
Quem não tem modelo interessante são os promotores dos festivais e os media. Já não basta os festivais não darem a mínima condição para as pessoas (não há preocupação ecológica, não há atractivos interessantes para além da música que não se assemelhem a uma feira popular), os media ainda alinham num jogo de cumplicidade escandalosa. O Creamfields foi uma tragédia. Mas passou nos media como algo inovador. Promotores e media têm um jogo viciado que nos lesa enquanto público; e as pessoas e a criatividade estão fora do modelo de festivais em Portugal, salvo raras excepções – demonizadas, obviamente, pelos media mainstream.
Por falar em criatividade, os álbuns do ano parece que foram feitos numa viagem sideral. Burial, Panda Bear e Tcheka – cada um no seu hemisfério – deixaram-nos discos etéreos; LCD Soundsystem e Studio deram ao rock dançante um semblante positivo. E talvez o que haja a reter sejam mesmo os atributos emocionais - com os gestos geniais bloqueados, o mundo em apocalipse e o tempo a voar, talvez tenhamos de ser mais viscerais para uma mudança..
 
2008:
Gostava que nascesse uma frente de cultura independente em Portugal. O país precisa de cultura para sair do buraco e abrir horizontes mentais: ZDB, Plataforma Revólver, Contagiarte, Boom, Sonic, Bacalhoeiros, Maus Hábitos, Providers, Musidanças, editoras e lojas independentes (ou o que resta delas), enfim, o tecido cultural deveria criar sinergias e ganhar estatuto interventivo na sociedade. Portugal está a mirrar e a cultura é uma salvação.
Seria bom que 2008 desse às ruas de Lisboa mais arte pública. Praças, miradouros, avenidas, ruas, becos, com tantas nuances de luz e perspectivas sobre o rio é inexplicável a falta de peças e projectos artísticos para embelezar e dinamizar o espaço público da cidade. Ainda se vive no paradigma da estátua! Esta “Love and Numbers” deu uma aragem nova à urbe, mas é preciso mais, necessitamos de muito mais!
 
(revista NEO2; revista Dance Club)
 
 
 
 
BRUNO BÈNARD-GUEDES:
 
4 Corners «4 Corners» (Clean Feed) + concerto
Beastie Boys «The Mix-Up» (Capitol) + os dois concertos
Common «Finding Forever» (Universal) + Kanye West «Graduation»
(Def Jam)
Dawn McCarthy & Bonny Billy «Wai Notes» (Drag City) + Bonnie Prince
Billy «Ask Forgiveness» (Domino)
Exploding Star Orchestra «We Are All From Somewhere Else» (Thrill
Jockey)
The Fiery Furnaces «Widow City» (Thrill Jockey)
Jill Scott «The Real Thing - Words And Sounds Vol. 3» (Hidden Beach)
Joyce & Tutti Moreno «Samba Jazz & Outras Bossas» (Far Out) + Clara
Moreno «Meu Samba Torto» (Far Out) + Clara Moreno
Karlheinz Stockhausen, R.I.P.
LCD Soundsystem «Sound Of Silver» (DFA/EMI) + «45:33» (DFA(EMI) + concerto
Os Mutantes, concerto
Neil Young «Live At Massey Hall 1971» (Reprise)
Robert Wyatt «Comicopera» (Domino)
Sharon Jones & The Dap-Kings «100 Days, 100 Nights» (Daptone)
Tom Brosseau «Cavalier» (Fat Cat)
 
(revista Op.)
 
 
 
 
CARLA ISIDORO:
 
Da Weasel «Amor, Escárnio e Maldizer» (EMI)
SIA «Lady Croissant» (EMI)
Sa-Ra «Hollywood Recordings» (Babygrande)
Jill Scott «The Real Thing Vol.3» (Hidden Beach)
Tcheka «Lonji» (Lusáfrica)
 
2007:
Documentário «Mãe Ju» de Kiluange Liberdade.
Os ‘manos’ Gomes criaram a Filho Único e fizeram uma das mais importantes noites do ano: Kotalume, Os N’Gapas, Ritchaz e Kéke.
As Lux Jazz Sessions, temporada do melhor jazz na melhor discoteca da cidade.
O concerto de Tinariwen no cinema S. Jorge.
Nástio Mosquito instala-se em Lisboa e começa a chocalhar o inchocalhável.
 
2008:
Enquanto Al Gore recebe o Nobel da Paz, nós achamos boa ideia investir os dinheiros públicos em mais 10 (?!?!) barragens hidroeléctricas até 2020. Aqui, no Planeta Tuga, o trabalho do senhor Gore é visto como gore, produção caseira, Nobel de terceira. Nós é que sabemos.
Era simpático que as pessoas do Planeta Tuga fossem mais sensuais em 2008, alegres e vivas, e que Lisboa tivesse uma cena clubbing como encontramos aqui ao lado em Madrid e noutras capitais. Já fomos mais festivos e atrevidos. Exuberantes e desbocados nunca fomos, mas já que a frontalidade não é uma característica nossa pelo menos poderíamos libertar-nos melhor pela noite dentro, copos dentro, corpos dentro. Não da forma seca, descontrolada e amorfa que tem marcado os últimos anos, mas com qualidade e sorrisos verdadeiros. No drugs, just natural.
 
(revista DIF)
 
 
 
 
CARLOS MONTEIRO:
 
Klaxons «Myths Of The Near Future» (Universal)
LCD Soundsystem «Sound of Silver» (DFA/EMI)
The Sunshine Underground «Raise The Alarm» (Sony BMG)
Radiohead «In Rainbows» (XL)
Arctic Monkeys «Favourite Worst Nightmare» (Domino)
 
2007:
O primeiro evento foi o Super Bock Super Rock. Conseguiu reunir o melhor da alternativa num segundo acto que foi um dos melhores de toda a Europa.
O segundo, o palco 2 do Oeiras Alive!, um manancial de boa música desde The Go! Team passando por The Rakes, os portugueses Dapunksportiv, Nigga Poison, os fantásticos e surpreendentes Wraygunn, Tora Tora, The Sounds e a melhor exportação que temos neste momento, Buraka Som Sistema…
Terceiro Lugar para Paredes de Coura, que já nos habituou à vanguarda do alternativo, muita banda que vai dar que falar no ano de 2008, caso dos Spoon (já com data para Lisboa), New Young Pony Club que já tiveram ainda este ano uma fugaz passagem pelo Porto, em DJ set, M.I.A., Boys Noize, Babyshambles em Janeiro de 2008, entre outros…
O quarto: concerto dos Interpol. Pode não ter sido bem recebido pela crítica, mas nem todos os músicos têm que ter uma postura de interacção com o público que compra/faz download dos discos deles, nem sempre todas as peças de teatro merecem aplausos de pé. Há músicos que têm a sua própria maneira de partilhar a sua obra de arte e Interpol, ou a sua composição, tem a sua. Ao contrário da crítica achei um dos melhores concertos do ano…
Por último, Rufus Wainwright no Coliseu. A verdadeira essência do entretenimento esteve presente neste concerto. Este sim, teve um público ávido de interacção e ao seu nível - um verdadeiro show que compensou com músicas menos boas mas com uma Banda muito orgânica e “ joyful”.
Outros artistas que vale a pena mencionar: Vampire Weekend, Hot Club de Paris, Animal Collective, Mark Ronson, Bat For Lashes (passou ao lado da editora cá em Portugal, mas vale a pena descobrir) e
White Stripes com «Icky Thump».
 
(SIC Radical)
 
 
 
 
CLÁUDIA MARQUES SANTOS:
 
Jamie T. «Panic Prevention» (Virgin)
The Hives «The Black and White Album» (Polydor)
The National «Boxer» (Beggars Banquet)
Blonde Redhead «23» (4AD)
Interpol «Our Love To Admire» (EMI)
 
2007:
Marky Ramone (Santiago Alquimista)
Mudhoney (Culto Bar, Cacilhas)
Sex Pistols (Brixton Academy)
«Control» de Anton Corbijn
Exposição «Panic Attack! Art In The Punk Years» (Barbican Centre)
 
2008:
Produtividade.
Optimismo.
O Estado assumir-se como o primeiro a dar o exemplo em termos de cumprimento e justiça fiscais.
 
(Sub Filmes - programa «Fuzz»)
 
 
 
 
DAVIDE PINHEIRO:
 
Burial «Untrue» (Hyperdub)
Amy Winehouse «Back Bo Black» (Universal)
Bruce Springsteen «Magic» (Sony BMG)
Panda Bear «Person Pitch» (Paw Tracks)
Robert Wyatt «Comicopera» (Domino)
 
2007:
Jorge Palma de volta ao metro.
Abertura da Livraria Byblos.
Britney Spears nos MTV Video Music Awards.
Reunião dos Led Zeppelin.
Metro até Santa Apolónia.
 
Todos os anos temos tendência a dizer que a vida está difícil, o dinheiro escasseia, os discos não vendem, a música não tem espaço nos media, o semblante das pessoas anda carregado, etc... mas... há esperança. Há uma série de novos criadores sintonizados com os tempos modernos, nas tintas para a intelligentsia, para as ditaduras da moda, seja a elite da Bica ou as Magnums do 50 Cent. Vivemos num tempo em que todas as referências se cruzam, em que o passado deixou de pertencer a quem o viveu, em que os Abba são ouvidos por adolescentes e as tias dançam ao som dos Buraka. Dificuldades? Todos temos. Mas há um sol que brilha todo o ano e um sem número de esplanadas à beira-mar onde (não) apetece ouvir o Jack Johnson. Há uma blogosfera cada vez mais criativa onde já despontam carreiras. Há um MySpace com uma geração de músicos pouco preocupados com suportes físicos ou barreiras fronteiriças. Há uma Time Out que abre alas ao Noddy e a toda a cultura sem soar pretensiosa e, ao mesmo tempo, sem excluir nichos. Há um Call Girl que reflecte um cinema acessível e bem feito. Os exemplos sucedem-se, cabe-nos o papel de valorizar o que se faz e não cairmos no choradinho habitual.
 
2008:
Gostava que houvesse um Starbucks em Lisboa (e tudo aponta para que isso aconteça);
Gostava que os Pontos Negros se afirmassem como a nova força do rock em Portugal.
 
(website Diário Digital)
 
 
 
FERNANDO FADIGAS:
 
Thurston Moore «Trees Outside the Academy» (Ecstatic Peace)
Coh «Strings» (raster-noton)
Frank Bretschneider «Rhythm» (raster-noton)
Portable «Powers of Ten» (Süd Electronic)
Ricardo Villalobos «Fabric36» (Fabric)

2007:
Numero-Projecta Lisboa 2007;
Ikue Mori vs Maya Deren Films, live;
Frank Bretschneider, live;
Cluster, live;
Avenida - Filho Único, Tudo.
 
(O Século, Centro de Arte Avançada)
 
 
 
 
FERNANDO NUNES:
 
Matthew Dear «Asa Breed» (Ghostly International)
Panda Bear «Person Pitch» (Paw Tracks)
Justice «"Cross"» (Ed Banger/Because)
LCD Soundsystem «Sound Of Silver» (DFA/EMI)
The National «Boxer» (Beggars Banquet)
Digitalism «Idealism» (EMI)
Chromatics «Night Drive» (Italians Do It Better)
Map of Africa «Map Of Africa» (Whatever We Want)
Glass Candy «B/E/A/T/B/O/X» ((Italians Do It Better)
 
2007:
TODAS as remisturas de Ricardo Villalobos;
«My Piano» e as remisturas dos Hot Chip;
As canções de Róisín Murphy;
Os vídeos da Feist. E a remistura de Boys Noize para «My Man My Moon» também.
+
Conversa com Laurent Garnier do Sheraton até ao Lux na madrugada de 14 de Junho.
+
2m, 2manydjs, Abake, Adriana Molder, Agoria, Alcides, Alex Ridha, Alexandra Moura, Alexandre Camarão, Alexandre Farto, Alexandre Melo, Alx, Amandine Romero, Ame, Ana Borralho e João Galante, Ana Jota, Ana Sousa, Ana Vidigal, André, André Guedes, Anísio Franco, Anja Schneider, Antónia Oliveira, António Alves, António Néu, António Sérgio, Artur Soares da Silva, Banks Violette, Bárbara Coutinho, Bart Cruz, Benjamin Matias, Bica do Sapato, Black Devil Disco Club, Bomba Suicida, Booka Shade, Boys Noize, Buraka Som Sistema, Busy P, Carlão, Carlos Almeida, Cassy, Catarina Botelho, Catarina Portas, CAVEIRA, Chloé, Christophe Honoré, CIMENTO., Cláudia Efe, Cobblestone Jazz, CSS, Damian Lazarus, Daniel W. Best, David Shrigley, Dead Combo, Deli Delux, Dezperados, Digitalism, Dinis, Dino Alves, Diogo Loreto, Diogo Potes, Dirty Three, Disorder, Dixon, DJ Food, DJ Garth, DJ Glue, DJ Kitten, DJ Manaia, DJ Ride, DJ T, Double D Force, DOVE, Eduarda Abbondanza, Ellen Allien, Eric Duncan, Expander, Extrawelt, Fact, Facto, Fernanda Fragateiro, Fernando Brízio, Fernando Fernandes, Fernando Pinto do Amaral, Filho Único, Filipe Faísca, Filipe Vargas, Finger, Flur, Francisco Camacho, Francisco Vaz Fernandes, Fujiya & Miyagi, Gabriel Ananda, Gabriel Rodriguez, Geiser, Ghost, Gildas & Masaya, Glam Slam Dance, Glimmers, Gonçalo Siopa, Gonçalo Tocha, Greg Wilson, Gui Boratto, Guida, Guido Schneider, Hanne Hukkelberg, Hans Peter Lindstrom, Hatcha & Crazy D, Headman, Heartbreakerz, Hedi Slimane, Heidi, Hugo Santana, IAMX, Igor, In Flagranti, Inês Gonçalves, Inês Menezes, Inês Pedrosa, Isilda Sanches, Ivan Smagghe, Ivo Martins, James Holden, Jamie Jones, Javenger Dourado, Jay Brannan, Jennifer Cardini, Jeremy Deller, Joakim, Joana Tordo, Joana Vasconcelos, João Grosso, João Louro, João Maria, João Onofre, João Pedro Rodrigues, João Pedro Vale, João Peste, João Tordo, Jon Kennedy, José Maria Vieira Mendes, José Marmeleira, Julião Sarmento, Junior Boys, Justice, Kalaf, Kaos, Kaspar, Killuange Liberdade, Kiran Sande, Kristian Beyer, Laurent Garnier, Leonaldo de Almeida, Lil’John, Loco Dice, Loco Dice, Lúcia, Ludivine Sagnier, Luís Cruz, Luís Franjoso, Luís Graça, Luís Pereira, Luísa Ferreira, M.A.N.D.Y., Magazino, Manel Reis, Márcio Matos, Maria João Sopa, Mario Matos Ribeiro, Mário Valente, Marta Fradique, Mathew Jonson, Matthew Dear, MC Tekilla, Micro Audio Waves, Miguel Allen, Miguel Bonneville, Miguel Costa, Miguel Gonçalves Mendes, Miguel Maurício, Miguel Soares, Ming, Miss Macau, Moulinex, Mr. Cheeks, Mr. Mitsuriato, Mr_Mute, Music Mob DJs, Nadine, Nel Assassin, Nelson Flip, Nelson Gomes, Nelson Guerreiro, Nuno, Nuno Branco, Nuno Cera, Nuno Di Rosso, Nuno Rosa, O Peru, Pacman, Pan Sorbe, Parkinson, Patrick Daughters, Patrick Wolf, Paula Moura Pinheiro, Paulo Furtado, Paulo Nupi, Pedro Cabrita Reis, Pedro Casqueiro, Pedro Cláudio, Pedro Fradique ,Pedro Gomes, Pedro Lourenço, Pedro Ramos, Pedro Ricciardi, Pedro Santos, Pedro Tenreiro, Pete Herbert, Peter Kruder, Phonica, Photonz, Piccadilly, Pilooski, Pogo, Prins Thomas, Prudo, Ricardo Preto, Ricardo Quaresma Vieira, Ricardo Saló, Ricardo Villalobos, Richard Sen, Rita Blanco, Rita Moreira, Rita Rolex, Rita Só, Riton, Rogério Samora, Rub'n'Tug, Rui Alexandre, Rui Chafes, Rui Miguel Abreu, Rui Murka, Rui Vargas, Sara e André, Sara Vaz, Sebastão Bizarro, SebastiAn, Sebo K, Segre from Clone, Señor Pelota, Simon Lee, Skream, Slater Bradley, Sonic, Sophie Heawood, Stereo MCs, Sue Ellen, Superpitcher, Susana Pomba, Swayzak, Tânia Carvalho, Tha Bloody Bastards, Thierry Dias Coelho, Thomas Andersson, Tiago Guedes, Tiago Manaia, Tiago Miranda, Tiago Santos, Tiefschwarz, Tiga, Tim Sweeney, Tó Pereira, Todd Terje, TomBoy, Trash Converters, Trevor Jackson, Trojan Soundsystem, Vahagn, Vanessa Rato, Vasco Araújo, Vasco Câmara, Vitor Belanciano, Vitor Calderone, WhoMadeWho, Wighnomy Bros, Wraygunn, Xinobi, Yen Sung, Zé Belo, Zé Miranda, Zé Moura, Zé Pedro, Zé Pedro Moura.
 
(Lux/Flyer; Lux)
 
 
 
 
FILIPE PEDRO:
 
Discos Portugueses (a lista internacional seria muito grande):
The Allstar Project «Your Reward... A Bullet» (Rastilho)
Sanryse «Vivendo Iludidos Diariamente Ainda» (Footmovin')
Mazgani «Song Of The New Heart» (Naked/Independent)
Micro Audio Waves «Odd Size Baggage» (Magic Music)
Paula Oliveira «Fado Roubado» (Universal)
 
+ DVD's Musicais:
Sigur Rós «Heima» (EMI)
Paul McCartney «The McCartney Years» (Warner)
R.E.M. «Live» (Warner)
Scissor Sisters «Hurrah, A Year of Ta-Dah» (Universal)
Rufus Wainwright «Judy! Judy! Judy!» (Universal)
 
+ Festivais de cinema:
A meu ver, 2007 foi um ano menor ao nível dos festivais de cinema nacionais. Muita oferta, pouca qualidade. Ainda assim, os aplausos vão para os suspeitos do costume - Fantasporto, Curtas de Vila do Conde, Imago, DocLisboa - e, ainda, para o benjamim Festival de Cinema Europeu do Estoril, que fica na história pelos nomes que trouxe a Portugal - Almodóvar, Lynch e Corbijn. Mais do que qualquer outro, o Indie Lisboa merece o "prémio" «Don't Believe The Hype/Tantas Salas Simultâneas e Nada de Jeito Para Ver». Também foi muito feia a manobra de diversão que encenaram a meio do Festival de Cinema Europeu do Estoril para lançarem uma... reformulação gráfica.
 
+ Filmes & séries de TV:
Além das doses cavalares de filmes orientais (entre os quais os belíssimos «Paprika» e «Stranger Of Mine»), 2007 foi o ano de «Sicko», «Death Proof», «Planet Terror», «Jellyfish», «C.R.A.Z.Y.», «California Dreamin' (Endless)», «Bal-Can-Can» ou «Wristcutters: A Love Story».
E de muitas e boas séries (umas melhores, outras piores) como «Dexter» (temporadas 1 e 2), «October Road» (1 e 2), «Californication», «The Shield», «House», «Sopranos», «Arrested Development», «The Simpsons», «South Park», «Bionic Woman», «Pushing Daisies», «Ugly Betty», «L Word», «Heroes» ou «Prison Break».
 
+ Livros:
Infelizmente não tenho muito tempo para ler, mas para além dos óbvios Peixoto e Lobo Antunes, li com muito agrado «O Homem Que Queria Ser Lindbergh» de João Lopes Marques - uma obra muito actual sobre a Nova Europa, viagens, companhias low-cost, infidelidades e "esqueletos nos armários" - e «As Lendas do Quarteto 1111» de António Pires - fascinante viagem no tempo contada pelas memórias dos protagonistas na primeira pessoa (fazem falta biografias como esta; António Pires, Nuno Galopim, João Carlos Callixto ou Vítor Junqueira: prossigam com mais edições, por favor).
 
+ Concertos & festivais de música:
Apesar de o som ter estado muito abaixo da média, o Primavera Sound, em Barcelona, continua a ser um grande festival para quem gosta de música independente (rock/electrónica). Este ano foi possível ver por lá belos concertos como os de Comets On Fire («Blue Cathedral»), Fujiya & Miyagi, Blonde Redhead, Band Of Horses (apesar das dificuldades técnicas), Beirut, Hot Chip, Black Mountain, DJ Yoda, Sonic Youth («Daydream Nation»), The Long Blondes, Battles, Grizzly Bear, Shitdisco, Nathan Fake, Erol Alkan ou Of Montreal, e ainda showcases organizados pelo MySpace com alguns dos artistas agendados para os diversos palcos, como o caso dos Maxïmo Park e Grizzly Bear a actuarem em formato acústico. Uma excelente ideia que alguém devia "plagiar" para Portugal.
Glastonbury... Foram tantas e tão diversas as emoções e sensações ao longo daqueles 4 dias que é difícil verbalizar - Björk inovadora na multimédia, Iggy Pop com invasão de palco de 300 pessoas, Killers com fogo de artificio e Gossip na tenda John Peel foram os highlights mas, por exemplo, gostei muito do Patrick Wolf e do Mika - choque; o álbum não vale um chavo, mas ao vivo o gajo rodeia-se de excelentes músicos e não haja dúvidas de que sabe bem o que está a fazer; ver a relva bem verdinha, o pôr-do-sol na "mini-Stonehenge" do recinto, antes da chuva e do incrível lamaçal que se formou em três tempos; o filme fabuloso que é «This Is England»...
Em Portugal, depois do Creamfields (também conhecido como Rock In Rio dos pobrezinhos), o Alive! trouxe finalmente White Stripes e Beastie Boys a Portugal (além de outras bandas mais pequenas). Se os White Stripes já viveram melhores dias (Primavera Sound 2003 foi fabuloso e Glastonbury 2005 foi muito bom), o mesmo não poderei dizer dos Beastie Boys (Trans Musicales 2004 não foi tão bom), que deram um espectáculo interessante no Alive! e outro memorável na Aula Magna (capazes de improvisar contra a vontade do Tour Manager, chateado pela oferta não programada de «3 MC's And One DJ»). Do SBSR safaram-se os Gossip, Scissor Sisters, Arcade Fire e LCD Soundsystem (o resto foi um lodo previsível com o pior som de sempre; excepção para Clap Your Hands, Klaxons, The Jesus And Mary Chain e Interpol que foram péssimos). Com Vilar de Mouros em off inventa-se um festival em três tempos com bons artistas mas pouca promoção. O Dance Station - mesmo assim, festival electrónico do ano, a anos-luz do Creamfields - teria corrido melhor em dois dias, com as actuações a começarem depois das 22h (evitando que Erol Alkan e Chk Chk Chk tocassem para meia dúzia de pessoas) e palcos simultâneos a menos de 2 km com obstáculos pelo meio. E que dizer do FMM Sines? Ao nono ano continua fresco em propostas, com excelentes concertos e grandes condições de visualização/acústicas. Gogol Bordello foi, sem dúvida, senão o concerto, um dos melhores concertos do ano. E Paredes de Coura, claramente em ano menor, que os teve logo a seguir, coloca-os a meio da tarde. Claro que dão o melhor concerto do festival, mas bolas, teria sido muito melhor (re)vê-los a fechar um dos dias. Antes disso, a sudoeste algo de novo. Três palcos a sério com concertos concorridos e interessantes. Destaque para The National, Of Montreal, Datarock, Patrick Wolf, Vanessa da Mata, I'm From Barcelona e para os sempre dinâmicos Babylon Circus. Entretanto, na ilha de Santa Maria, no festival Maré De Agosto, um encontro informal entre o brasileiro Marcelo D2 e o português Sam The Kid causava sensação. Uma colaboração que resulta em pleno. Na recta final do ano Portugal assiste aos belos concertos de Seu Jorge, Xutos multimédia no Campo Pequeno e reuniões históricas do Quarteto 1111 no Campo Pequeno e no MusicBox. Para o ano há mais.
 
2008:
Bilhetes para os concertos mais baratos e com as condições acústicas, sobretudo dos festivais, melhoradas.
Mais e melhores documentários musicais feitos em Portugal.
 
(Destak)
 
 
 
 
GONÇALO FROTA:
 
Discos (aldrabice incluída):
Tinariwen «Aman Iman» (Independiente)
Panda Bear «Person Pitch» (Paw Tracks)
M.I.A «Kala» (XL)
WrayGunn «Shangri-La» (NorteSul)
Ana Moura/Grinderman «Para Além da Saudade»/«Grinderman» (Universal/Mute)
 
2007:
Passar três semanas na Índia a concluir que o mundo é uma aldeia, menos naquele magnífico (embora dolorosamente pobre) país que, por acaso, até é um mundo que não é uma aldeia.
Estar fechado numa igreja durante hora e meia a assistir ao mais belo espectáculo deste ano, pela mais bela voz da pop desta década: Camille e companhia às voltas com composições de Benjamin Britten e canções religiosas de todo o mundo.
Sorver sofregamente aquilo que os corpos de Paulo Ribeiro e Leonor Keil disseram sobre a intimidade em «Malgré Nous, Nous Étions Là»; perceber que poucos como Paulo Ribeiro (na coreografia «Masculine») e Meg Stuart (ciclo na Culturgest e no CCB) continuarão a ser verdadeiramente estimulantes e desviantes no contexto da dança contemporânea.
Pasmar (e babar com envergonhados pedidos de desculpas a quem estava ao lado) com a forma inebriante e vertiginosa com que Uri Caine insiste em fazer descer as suas mãos sobre o teclado de um piano (Dias da Música, CCB). Ao longe parecem ‘sapatadas’, quase aleatórias, que, no entanto, produzem o som mais harmonioso e perfeito deste mundo.
Atirar foguetes e subir o volume (da aparelhagem, da televisão, do discman – sim, o mp3 nunca saiu da gaveta – e não, não é orgulho, é falta de paciência) sempre que, com ou sem surpresa, a «Umbrella» da Rihanna entra em órbita.
 
2008:
Que cada vez mais nos vejamos ‘obrigados’ a fugir de Lisboa para ver certos espectáculos. Que Mão Morta no Theatro Circo de Braga ou Rui Horta n’O Espaço do Tempo, em Montemor-O-Novo, passem de excepção a (no mínimo) uma aproximação de regra.
Que «Persepolis», o filme de animação que parte da obra-prima da BD homónima da autora iraniana Marjane Satrapi, se estreie finalmente em Portugal.
 
(semanário Sol)
 
 
 
 
GONÇALO SÁ:
 
Alex Beaupain «Les Chansons d'Amour» (Naïve)
New Young Pony Club «Fantastic Playroom» (Modular)
The Chemical Brothers «We Are the Night» (Virgin)
Bat For Lashes «Fur and Gold» (EMI)
Gui Boratto «Chromophobia» (Kompakt)
 
2007:
Entre a nu rave (o que quer que isso seja), o techno minimal, o regresso do french touch, algum dubstep, novos nomes do shoegaze e três ou quatro singer-songwriters, deixo 2007 com memórias de muitos bons discos mas poucos que de facto me arrebataram.
Por isso, os cinco acima bem podiam ser substituídos pelos de Maps, Au Revoir Simone, Pantha du Prince, Modeselektor ou Laura Veirs. Ou pelos de Patrick Wolf, Asobi Seksu ou PJ Harvey, já para não falar dos que ficaram por ouvir e que, como muitas vezes acontece, podem levar a que a lista seja alterada daqui a uns meses.
Nos concertos - e este ano foram muitos - houve surpresas maiores, caso dos Chemical Brothers no Dance Station (com a estação do Rossio a funcionar enquanto excelente palco para a dupla), os Bloc Party no Coliseu (que obrigaram a reavaliar o novo álbum), ou os Interpol no mesmo espaço (idem).
Mais marcante ainda, a inesquecível estreia dos The Go! Team, ou outra aguardada há mais anos e compensada com uma dose tripla - os Nine Inch Nails, que ao vivo mostraram a energia que faltou em «Year Zero». Enérgicos, e muito concorridos, foram também os Cansei de Ser Sexy no Lux, e os Soulwax obrigaram à dança no Creamfields. Dos nomes nacionais, Da Weasel e os Clã demonstraram a habitual mestria ao vivo, e os U-Clic e sobretudo os Micro Audio Waves confirmaram que merecem mais palcos.
 
2008:
A música na rádio e na televisão: programas de autor precisam-se.
 
(website SAPO)
 
 
 
 
ISILDA SANCHES: