Quarta-feira, 26 Setembro, 2018

THE CARETAKER Everywhere At The End Of Time – Stage 5 2LP

€ 32,50 2LP HAFTW

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Everywhere At The End Of Time – Stage 5

É impossível perceber o que está a acontecer em “Everywhere At The End Of Time” sem entender o desenvolvimento deste projecto nas mãos de Leyland Kirby / Caretaker. Fazemos o que podemos aqui. A obra de arte não precisa de ser explicada, mas “Everywhere At The End Of Time” precisa de ser experienciado num todo para ser compreendido. Sim, coloca o ouvinte, principalmente o que chegou atrasado, numa situação complicada. Mas não impossível. Cada “Stage” tem as suas qualidades, mas no todo, na sequência, na forma como se vive a música, no compasso de espera entre cada álbum, é que está a real obra-prima. “Everywhere At The End Of Time” evolui para uma daquelas ideias que só existem uma vez nada vida de um artista; enquanto se mostra como uma das obras da electrónica contemporânea mais importantes. Por várias razões, mas vale a pena realçar duas: reinventa a possibilidade de se poder contar uma história/narrativa através do som e de como ele se constrói/desconstrói; só pode ser realmente apreciada se for ouvida, insistentemente, e perceber os seus pequenos deslizes, nuances. Exige muito do ouvinte? Claro. Caso contrário seria uma chatice. Só que essa exigência é recompensada, o ouvinte sente-se parte de “Everywhere At The End Of Time” e em nenhum momento se sente enganado: o que foi prometido é entregue e cada “Stage” supera as expectativas. Talvez por isso o corte entre o terceiro e o quarto tenha sido tão marcante, disfuncional e incomodativo; mas é também por isso que entre o primeiro e o terceiro há uma espécie de fascínio pelo que vai acontecendo por causa das pequenas nuances: os nossos ouvidos lidam bem com pequenas nuances, julgamo-nos inteligentes quando as percebemos. Mas chegamos ao quarto e, agora, ao quinto estágio, onde Kirby nos deixa ao abandono, entregues a resquícios das memórias dos primeiros três álbuns. No quarto ouvia-se um edifício – a memória da música passada – a desabar, no quinto é só poeira, uma tempestade de areia que arrasta as memórias, com violência e falta de misericórdia. Percebe-se, até aqui Kirby tinha sido piedoso, tinha jogado com o fascínio das pessoas pela sua música (especialmente enquanto The Caretaker, quarto de memórias e de melodias que encantam); aqui estende-nos para o silêncio que o ruido causa, para a ausência de melodias, de vida. Não há nada a desabar, ou a ser desconstruído, como no estágio anterior, aqui está tudo no chão, a ser levado, já destruído, a caminho do esquecimento. “Stage 5” é o grande dilúvio da música do secúlo XXI. Uma obra-prima dentro de uma obra-prima. 

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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