Segunda-feira, 30 Julho, 2018

JOHN MAUS We Must Become The Pitiless Censors of Ourselves LP

€ 26,95 LP (2018 reissue) Ribbon Music

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Anterior membro da trupe de Ariel Pink (chegou a tocar com os Animal Collective, também), John Maus conseguiu estabelecer-se a solo como uma das personagens mais características do cenário pop actual. Se nunca ouviram falar dele, não há problema. É normal. É uma espécie de subnome do contexto pop actual e isso faz parte do seu charme. A sua música não poderia viver noutro tempo que não este, contudo, ela é um conjunto de referências dos anos 60, 70 e 80, mas elas não surgem tanto como um dado óbvio, antes como ponto cardeal para toda a ironia de Maus. Repare-se, por exemplo, como partilha o nome com um dos Walker Brothers, sendo eles uma das suas referências (mais especificamente Scott Walker). Um crooner dos tempos modernos, negligenciado pela sua própria “esquisitice”. Uma presença infernal ao vivo, inesquecível o concerto que deu na ZDB há uns anos, numa noite que os Wavves cancelaram e que a maior parte das pessoas não ficou para o ver. Quem lá esteve não se arrependeu.
Ao terceiro disco, pouco mudou. Não é que precise de mudar e é esse um dos fascínios de John Maus. O lado falso-gótico continua lá, o pesar pós-punk com um rasgo irónico de choro eterno está ainda mais presente. E se há algo que muda, é isso, as canções de Maus ficam cada vez mais presentes, mais depuradas, sem perderem aquele lado lo-fi karaoke rasca que tanto encanto transmitem. Sempre batida acelerada, coração quase a romper a pele, porque a dor, ou a preocupação, de Maus é muita e ele não gosta que isso fique por clarificar. Contudo, há uma camada menos negra em “We Must Become The Pitless Censors Of Ourselves”, um lado clássico que parece emergir e o que aproxima mais de um David Bowie do que uma caricatura de Ian Curtis evidenciada nos seus dois primeiros álbuns. O que é fantástico nisto tudo é que Maus consegue definir bem a linha entre o sério, o pesar, e o humor. São canções divertidas, mas não para nos rirmos. São canções tristes, mas não para chorarmos. É a pop a gozar com ela própria, por alguém que dificilmente será maior do que os seus pares ou devidamente reconhecido na sua época. Isto não é dito com tristeza, porque é também parte do encanto de Maus. Um génio do lo-fi, o crooner que todos queríamos ser na adolescência. Um dos últimos valentes.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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