Terça-feira, 31 Julho, 2018

DRINKS Hippo Lite CD

€ 12,95 CD Drag City

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Cada vez mais sabido, hoje em dia, que não é fácil estar desligado, mas Drinks (Cate Le Bon e Tim Presley) procuraram fazê-lo ao retirarem-se para Saint-Hippolyte-du-Fort, no sul de França, para as gravações. O álbum soa de facto muito desviado deste tempo e talvez a referência cronologicamente mais próxima até esteja na vizinhança da pop britãnica livre dos Family Fodder, Flying Lizards e bandas análogas, naquela encruzilhada entre 70s e 80s. “Corner Shops” e “Ducks” são bins exemplos, e talvez sejam até referências físicas à vida em Saint-Hippolyte-du-Fort. Muitas experiências, também, em torno de uma ideia de folk, com elementos dissonantes e nada tradicionais assimilados no todo, fazendo com que “Hippo Lite” seja um processo constante de aventura pop no âmbito de uma experiência freak partilhada connosco, os ouvintes.

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Segunda-feira, 30 Julho, 2018

JAY GLASS DUBS The Safest Dub 12″

€ 11,95 12″ Berceuse Heroique

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Após uma retrospectiva de trabalhos mais antigos e uma colaboração com Leslie Winer, eis Jay Glass Dubs em modo mais reduzido, enviando três transmissões dub bem repetitivas, fechando o groove no ponto de máximo apelo para deixar que a passagem sucessive pelos mesmos tons opere a sua magia transformadora na mente de quem escuta. “The Safest Dub”, em particular, soa suspenso como uma locked groove em estado de graça, nada a mexer nesta produção. “The Sweetest Dub” quase implica uma versão de Sade (“The Sweetest Taboo”) mas a semelhança fica na marcha preguiçosa, sensual, conduzida pela batida e completa com as harmonias de Verão colocadas por cima. Bonito.

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Segunda-feira, 30 Julho, 2018

DUCKETT Emperor´s New Clothes Part 1 12″

€ 12,50 12″ Berceuse Heroique

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Segunda-feira, 30 Julho, 2018

DJ RESIDUE 211 Circles Of Rushing Water MLP

€ 14,50 MLP The Trilogy Tapes

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Kassem Mosse inaugura DJ Residue com oito faixas breves mas ambiciosas, rodeando formatos e cruzando as ondas com facilidade e seriedade. Sombrio e agitado, “211 Circles Of Rushing Water” exercita a característica granulada de um som electrónico mais antigo ainda antes sequer de se falar em techno. No entanto, é nesta família que mais facilmente se enquadra este disco que puxa a palavra industrial para a frente e joga nela toda a espécie de confusão. Como se entende, andamos em círculos para qualificar o que não merece ser qualificado. Liberdade, entenda-se, presa com correntes muito longas. Óptimo passo na Trilogy Tapes..

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Segunda-feira, 30 Julho, 2018

LAUREL HALO Raw Silk Uncut Wood LP

€ 19,50 LP Latency

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Disco talvez menos típico de Laurel Halo, na força de trabalho recente na banda sonora para Possessed”, do atelier de design Metahaven, e da assimilação da tradução de Ursula Le Guin para o clássico Tao Te Ching. “Mercury” coloca o piano em jogo com apontamentos discretos de percussão, num contexto jazz muito atmosférico, mas o álbum não se define, de todo, assim. O piano volta a estar na frente em “Quietude”, num contexto que parece em igual medida de improvisação e de arrojo vanguardista na música “clássica” do princípio do século XX. “The Sick Mind” prolonga a permanência nesse último cenário, enquanto “Supine” avança algumas décadas para a experimentação electro-acústica próxima das vanguardas dos 60s e 70s. “Raw Silk Uncut Wood” termina mergulhado em cordas (“Nahbarkeit”), por vezes com um alcance épico que reconhecemos de nomes como Wolfgang Voigt / Gas. Não é com certeza justo falar em afirmação de maturidade, essa expressão surge apenas pela característica mais solene da música que Laurel Halo aqui apresenta. No nosso painel, ela tem pouco ou nada a provar.

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Segunda-feira, 30 Julho, 2018

DON’T DJ All Love Affairs Fail But They Never End 2×12″

€ 18,50 2×12″ Berceuse Heroique

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Inesgotavelmente fascinante, a grelha exótica de percussão desenvolvida por Don’t DJ por cima de um padrão que, apesar de tudo, pode ser traçado até ao esqueleto rítmico do techno. A remistura de Newworldaquarium para “Veles” vai mais além, carregando a batida de atmosfera e, no processo, conseguindo recriar peça a peça a personalidade da faixa original, a primeira deste disco. “Reapercussion” joga com o tom sombrio da batida, próxima de um batimento cardíaco menos constante, e com o título que inclui a palavra “reaper”, geralmente associada à imagem da ceifeira de vidas. “Two of Pentacles” mantém-se na sombra, e também pela via dupla do tom da música e do título que sugere um talismã ocultista. As subidas de graves, semelhantes ao som de um saxofone baixo, saem de um universo de comunicação alienígena em “Encontros Imediatos do 3º Grau” (a trovoada melódica da nave-mãe) e Autechre em pausa.

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Segunda-feira, 30 Julho, 2018

JOHN MAUS We Must Become The Pitiless Censors of Ourselves LP

€ 26,95 LP (2018 reissue) Ribbon Music

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Anterior membro da trupe de Ariel Pink (chegou a tocar com os Animal Collective, também), John Maus conseguiu estabelecer-se a solo como uma das personagens mais características do cenário pop actual. Se nunca ouviram falar dele, não há problema. É normal. É uma espécie de subnome do contexto pop actual e isso faz parte do seu charme. A sua música não poderia viver noutro tempo que não este, contudo, ela é um conjunto de referências dos anos 60, 70 e 80, mas elas não surgem tanto como um dado óbvio, antes como ponto cardeal para toda a ironia de Maus. Repare-se, por exemplo, como partilha o nome com um dos Walker Brothers, sendo eles uma das suas referências (mais especificamente Scott Walker). Um crooner dos tempos modernos, negligenciado pela sua própria “esquisitice”. Uma presença infernal ao vivo, inesquecível o concerto que deu na ZDB há uns anos, numa noite que os Wavves cancelaram e que a maior parte das pessoas não ficou para o ver. Quem lá esteve não se arrependeu.
Ao terceiro disco, pouco mudou. Não é que precise de mudar e é esse um dos fascínios de John Maus. O lado falso-gótico continua lá, o pesar pós-punk com um rasgo irónico de choro eterno está ainda mais presente. E se há algo que muda, é isso, as canções de Maus ficam cada vez mais presentes, mais depuradas, sem perderem aquele lado lo-fi karaoke rasca que tanto encanto transmitem. Sempre batida acelerada, coração quase a romper a pele, porque a dor, ou a preocupação, de Maus é muita e ele não gosta que isso fique por clarificar. Contudo, há uma camada menos negra em “We Must Become The Pitless Censors Of Ourselves”, um lado clássico que parece emergir e o que aproxima mais de um David Bowie do que uma caricatura de Ian Curtis evidenciada nos seus dois primeiros álbuns. O que é fantástico nisto tudo é que Maus consegue definir bem a linha entre o sério, o pesar, e o humor. São canções divertidas, mas não para nos rirmos. São canções tristes, mas não para chorarmos. É a pop a gozar com ela própria, por alguém que dificilmente será maior do que os seus pares ou devidamente reconhecido na sua época. Isto não é dito com tristeza, porque é também parte do encanto de Maus. Um génio do lo-fi, o crooner que todos queríamos ser na adolescência. Um dos últimos valentes.

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Segunda-feira, 30 Julho, 2018

JOHN MAUS Love Is Real LP

€ 26,95 LP (2018 reissue) Ribbon Music

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“Love Is Real” é uma espécie de continuação de “Songs”. Quase como um conjunto de canções que ficaram de fora do primeiro álbum – mas não são – tal a linearidade das temáticas e do som rude que define ambos os álbuns. E é, tal como “Songs”, o disco cheio de canções enormes, hit singles que seriam a melhor coisa do mundo se este fosse justo: “Do Your Best”, “Rights For Gays” ou “Old Town”. Este é talvez o disco mais melancólico de Maus. Depressivo por salvação, um hino da realidade distorcida.


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Segunda-feira, 30 Julho, 2018

JOHN MAUS Songs LP

 € 26,95 LP (2018 reissue) Ribbon Music

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Se há canção que se precise de ouvir para compreender bem todo o universo de John Maus, essa é “Time To Die”. Proclamação quase dictatorial, violência imposta como forma de marcar a sua presença para os anos futuros: isto é tudo sério, mas não para levar muito a sério. Disco estranhamente romântico, um óptimo pontapé de saída na carreira de Maus e, também, óptimo para quem queira entrar neste universo maravilhoso e único. A reter, além de “Time To Die”: “Don’t Be A Body”, “Less Talk More Action”, “Maniac” e “I’m Only Human”.


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Segunda-feira, 30 Julho, 2018

RP BOO I’ll Tell You What CD / 2LP

€ 12,50 CD Planet Mu

€ 20,50 2LP Planet Mu

Desde que o descobrimos via “Legacy” (2013) na Planet Mu; melhor, em “Bangs & Works Vol. 1”, compilação da mesma editora que lançou o roteiro do footwork e de Chicago para as “massas”, que RP Boo anda no radar e que há muito se esperava um disco de material novo. Até este “I’ll Tell You What!” que o que temos ouvido de RP Boo tem sido material de arquivo, já com algum tempo, reunido para compor uma espécie de álbum e continuar a dar a conhecer ao mundo esta música muito particular feita em Chicago. Juntamente com DJ Rashad e, noutro universo, Jlin, RP Boo é um dos nomes mais inspirados e influentes do footwork. Por isso, era vital que – finalmente – editasse algo de música presente, que efectivamente solidificasse a sua presença com um álbum realmente feito com esse propósito e não uma espécie de compilação com material de arquivo. A espera foi longa e aqui está “I’ll Tell You What!”, uma espécie de primeiro álbum na carreira de RP Boo, que reforça a vitalidade da sua música, bem como a importância para a métrica da dança do presente. Com o desaparecimento de DJ Rashad, o gospel está agora nas mãos de RP Boo, em transe-visionário, abstração e músculo. A ligação com o futuro está aqui.

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Segunda-feira, 30 Julho, 2018

ANGELO IOAKIMOGLU The Nireus Years (1995-1997) LP

€ 17,50 LP Into The Light

Tentando criar ou repor uma história em volta de música feita na Grécia que passou despercebida ao exterior nas últimas décadas, a Into The Light tem reposto a sua verdade com recorrência e estabilidade. E isto quer dizer que, sem desconsideração pela qualidade, entra-se no território do previsível. E eis que acontece um álbum como este “The Nireus Years”, música gravada por Angelo Ioakimoglu em meados de 1995 e 1997. O factor choque? Gravou-a entre os 14 e os 16 anos. Isso, nasceu em 1981. E antes que entre o texto de menino prodígio, ou da inocência, ou de como a sua música já estava evoluída, vale a pena referir que “The Nireus Years” é superior a tudo isso. Ao longo de oito temas, trinta e cinco minutos, o que se ouve é uma espécie de new age jazz de componentes imprevisíveis que têm tanto de suave como de destemido. Como quando o saxofone aparece em “U220sax2” (sim, o nome denuncia) numa ambiência género Twin Peaks balnear e esfrega na cara o lado robusto composicional que reveste estas canções cheias de sonhos adolescentes, no melhor dos sentidos: a possibilidade de tudo, ultrapassar a insegurança com risco, adormecer um canção pela inexperiência. É uma solidão de outros mundos convencida de música luminosa. Apaixonada e apaixonante, convencional mas com belos momentos de escape. Música de fuga do quarto cheia de belos excessos.

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Quinta-feira, 26 Julho, 2018

BOARDS OF CANADA Hi Scores MCD / MLP

€ 7,50 MCD digipak (2018 repress) Skam

€ 11,50 MLP (2018 repress) Skam

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Em “Hi Scores”, de 1996, o som dos Boards Of Canada já estava perfeitamente formado. “Turquoise Hexagon Sun” é um dos melhores exemplos de como no Norte de Inglaterra se transformava o som já em cruzeiro da cena trip hop em algo ainda mais alienígena, juntando-lhe camadas ambientais que tanto evocavam música cósmica das décadas de 70 e 80 como música composta para programas infantis. As memórias, o sentimento de nostalgia, sempre estiveram muito presentes em Boards Of Canada (o seu próprio nome referencia o National Film Board Of Canada, estúdios de produção ligados a animação clássica e experimental como a de Norman McLaren). Em 6 faixas percorremos um caminho que regressa ao seu início de forma pacífica, como um passeio por uma zona já conhecida mas que nos deslumbra sempre. O que foi aqui inventado perdura num patamar próprio, apenas “June 9th” parece desviar um pouco para Autechre e “Niogax” para Egyptian Lover em velocidade reduzida. “Hi Scores”, em cima de “Play By Numbers” e “Twoism”, avança para a sua obra-prima que é “Music Has The Right To Children” (1998). O impulso não voltou a perder-se.

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Quinta-feira, 26 Julho, 2018

TIM HECKER Haunt Me, Haunt Me Do It Again CD

€ 14,50 CD (2018 reissue) Kranky

OUVIR ÁLBUM COMPLETO / LISTEN TO FULL ALBUM:
Haunt Me, Haunt Me Do It Again

Tim Hecker inaugurava aqui o impressionante catálogo de edições que conhecemos hoje. Depois de gravar dois álbuns como Jetone, próximo da cena minimal de techno ainda em ascenção, editou “Haunt Me…” em 2001. O título do disco sugere uma urgência que a música não replica necessariamente. Hecker entra solidamente na cultura laptop de corte, erro e atmosferas residuais, por vezes a ditar subrepticiamente o tom de cada faixa. “The Work Of Art In The Age Of Cultural Overproduction” está em linha com experiências de Fennesz na mesma época e revela uma auto-consciência artística muito própria do século XXI, quando é difícil o artista escudar-se à total percepção do seu meio estético mas também do mercado em que se insere. Enquanto título, essa faixa destaca-se do registo paisagístico / etéreo das restantes (“Music For Tundra”, “October”, “Ghost Writing”, “Boreal Kiss”, etc, todas com mais de uma parte) mas parece unificar teoricamente o que Tim Hecker colocava em som. Poderoso arranque numa zona musical em que rapidamente o músico canadiano se tornou incontornável.

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Quinta-feira, 26 Julho, 2018

TIM HECKER Radio Amor CD

€ 14,50 CD (2018 reissue) Kranky

Segundo álbum de Tim Hecker a ser reeditado em 2018 pela Kranky. Se em “Haunt Me, Haunt Me Do It Again” parecia ter estendido o tapete para testar confortavelmente algumas soluções, em “Radio Amor” soa já perfeitamente rotinado na complexa organização de erros, filtros e camadas ambientais que escutamos. Lançado em 2003 pela Mille Plateaux, o álbum reforçava os créditos desta editora que assumiu a viragem do milénio e o reprocessamento de ideias como programa para acção. “Radio Amor” é um portentoso documento de uma época em que se assumiram definitivamente uma série de conceitos estéticos baseados no que antes se considerava mero ruído, como um rádio sintonizado entre estações. “I’m Transmitting Tonight” parece congelar o som de um piano numa nota incompleta e jogá-lo contra si próprio em sucessivas notas diferentes, construindo pacientemente uma melodia que, na prática, é um autêntico veículo de emoção. E é essa a conclusão: por muito artificial / digital que possa ser o processo de composição, também artificial pelo facto de se valer de supostos desperdícios sonoros, é impossível não registar o impacto emocional, esse sim indubitavelmente humano.

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Segunda-feira, 23 Julho, 2018

LOLINA The Smoke LP

€ 17,95 LP Ed. Autor

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Os discos de Lolina (Inga Copeland) trazem sempre uma aura de mistério, desde logo por serem edições privadas e também porque a conceptualização pop da artista cai entre a ultra-modernidade (beats pós-géneros) e ecos de uma tradição performativa de outras décadas. Entre Cyrnai (atenção à retrospectiva da Dark Entries), Leslie Winer, Laurel Halo e Laurie Anderson, mas tudo isto vagamente, só para primeira orientação, Lolina – também a introduzir confusão estética com a troca fácil do nome por Lolita – vai sempre conseguindo atingir o ponto certo numa evolução pessoal bastante sui generis, ao lado de tendências mais faladas. A forma por vezes displicente como coloca as suas histórias e voz no meio dos outros sons torna especialmente fantástica a experiência de “The Smoke”, um LP imaculado que parece cristalizar numa redoma perfeita uma ideia de pop sarcástica, melódica mas ameaçadora por ser arrojada. Por definição, a pop raras vezes vai tão longe. 100% brilhante.

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Sábado, 21 Julho, 2018

MOTOHIKO HAMASE Intaglio CD / LP

€ 12,50 CD (2018 reissue) Studio Mule

€ 21,50 LP (2018 reissue) Studio Mule

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Intaglio

O disco é tido como incursão na new Age japonesa por parte de Motohiko Hamase, que à data deste álbum (1986) já tinha extenso curriculum como músico de estúdio e parte da formação de palco de alguns ensembles de jazz, como baixista. “Intaglio”, sobretudo pela dinâmica abordagem ao baixo, é ainda um disco de jazz mas, como tantos outros músicos fascinados pela autonomia digital que a evolução tecnológica oferecia nos 80s, Hamase tinha agora à sua disposição uma liberdade criativa até aí logisticamente muito complicada de concretizar. Em baixo, sintetizador e computador, o músico exerce a sua visão do jazz sobre paisagens cristalinas de ambiência oriental, com foco no som de marimba e outras percussões que vamos apontando como sinais de alguma música japonesa dos 80s e 90s (Midori Takada, por exemplo) a que temos tido acesso recentemente por via das reedições no mercado. “Intaglio” não cruza apenas dois mundos, cruza também épocas num período já de indefinição sobre onde terminava o Presente e se iniciava o Futuro.

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Sábado, 21 Julho, 2018

V/A Midnight In Tokyo Vol. 2 CD / 2LP

€ 12,50 CD Studio Mule

€ 23,95 2LP Studio Mule

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Sábado, 21 Julho, 2018

APHEX TWIN Selected Ambient Works 85-92 2LP R&S

€ 26,50 2LP (2018 reissue) R & S

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Aphex Twin fundou tantos sons mais tarde recorrentes, formou tanta gente na maneira punk como criou música, comparável, em outra escala, à influência dos Sex Pistols na formação de bandas. Aphex mostrou a muita gente que se podia fazer o que se quisesse, como se quisesse, sem sair do quarto. De um lado ao outro do espectro, sentimental e aéreo em “Ageispolis”, aquático em “Schottkey 7th Path”, Ácido Maior, breakbeat já na antecipação de uma escola IDM e – atrevemo-nos – trip hop; futurista e easy listening. “Actium” poderia ter sido gravado hoje e ia directo para um disco da L.I.E.S., com “Green Calx”. “Hedphelym” desce do futuro, daquela cidade nas nuvens que às vezes imaginamos, apresenta a tradicional ambiência pacífica de Aphex e, inevitavelmente, remete para os videos digitais da era rave. Demasiado importante para não ser lembrado em qualquer altura, não precisa de pretexto.

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Sábado, 21 Julho, 2018

DIRTY PROJECTORS Lamp Lit Prose CD / LP

€ 15,50 CD Domino

€ 26,95 LP Domino

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A carreira dos Dirty Projectors começou no início dos 2000s mas só demos por eles, não há vergonha em dizê-lo, em finais da primeira década deste século. “Rise Above” (2007) foi o motivo – também uma chegada já tardia – e depois a aventura continuou com “Bitte Orca” (2009) e “Swing Lo Magellan” (2012) e seguiu-se um período de silêncio que terminou com “Dirty Projectors” (2017), um registo que precisa daquele tempo para assentar. Esse tempo é uma exigência injusta nos dias que correm e para apagar a memória surge este “Lamp It Prose”, que vive da melhor memória que há dos Dirty Projectors (o período de “Rise Above” e “Bitte Orca”). Dave Longstreth está de novo no caminho das melodias perfeitas, imprevisíveis, das vozes secundárias que insistem em iluminar o percurso das canções. Brincamos com o tempo, esquecemos bandas, música, mas é sempre bom relembrar que “Bitte Orca” aconteceu há quase uma década. E entre lá e cá, sem se dar por isso, o tempo a passar e essas coisas, acontece este “Lamp It Prose”, translúcido e perfeito.

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Sábado, 21 Julho, 2018

MIKE LOVE Good Vibrations: My Life As A Beach Boy LIVRO

€ 11,50 LIVRO Faber & Faber

hard cover, 436 páginas, 16 x 24 cm.

“Mike Love is a founding member of the Beach Boys and the lead singer and lyricist of their biggest hits. With their lush vocals and endlessly inventive arrangements, the band forged art from songs about cars, surfing and first love. But beneath the Beach Boys’ wholesome appearance lurked darker truths: drugs and dissent, deceit and betrayal, illness and infidelity, line-up changes and litigation. In Good Vibrations, Mike Love tells the unvarnished story of his five-decade tenure as frontman of the quintessential American band, whose music continues to reverberate today.”


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