Quinta-feira, 24 Maio, 2018

SIMON REYNOLDS Shock and Awe: Glam Rock and Its Legacy LIVRO

€ 11,50 LIVRO Faber & Faber

hardcover, 704 páginas, 16.2 x 24.2 cm

Vaidade, presunção, auto-mitificação. Características do Mundo Glam, na sua rejeição do “natural”, despojado, caminho traçado pela contracultura (hippie e não só) nos 60s. Com alcance bem mais atrás, ainda, até aos Românticos, aos dandys que viviam para a roupa e o aspecto, no século XIX e ainda, com o devido contexto histórico (que Simon Reynolds providencia para nossa educação), antes ainda. A demarcação dos códigos sociais vigentes, neste sentido estético, e em tempos actuais mas nem só, implica uma adopção voraz do capitalismo, do consumo do supérfluo e do vistoso. Ainda adolescente, enquanto jovem mod em 1962, Marc Bolan enumera para uma revista o número de calças, camisas, sapatos, etc, que tem no guarda-roupa. Como se liga tudo isto (e muitíssimo mais) com a música? Na aparência, tudo parece resumir-se à encenação natural de um concerto de rock, às poses, à adopção de “personas”, à promoção de um estilo de vida flashante, apelativo, sexy. A outros níveis, são vastas as implicações filosóficas do rock n roll e da cena Glam em particular, não apenas no que toca ao indivíduo e à sua psique, mas tocando em movimentos de massas, consciência de grupo, imitação de códigos de comportamento, desejos aspiracionais e, óbvio, desejos carnais.
Eminentemente retro, o estilo de rock associado ao Glam mais puro retira-se para os anos 50 do século XX e congela os riffs e as fórmulas até à exaustão – o próprio autor do livro reconhece a repetição nas canções de T. Rex: os mesmos elementos reproduzidos em canções diferentes. Visualmente, no entanto, e apesar de, à distância, parecer existir um padrão Glam, a verdade é que não existiam regras. Como o manager de Bolan afirma, a certa altura, o carisma pessoal (associado ao visual) não é fácil de inventar. Ou se tem ou não. A música, sim, é fácil de imitar. Mas mesmo isso, de acordo com Simon Reynolds, não é bem assim: ele defende que nenhuma versão de canções dos T. Rex teve grande impacto porque não eram cantadas por Marc Bolan. Era ele que fazia toda a diferença do mundo. Prosseguindo com Bowie, sobre quem também já se escreveu muito, o livro percorre sobretudo a década de 70, com ampla interpretação do que foi, pode ser, é ainda Glam, referindo por exemplo “Hall Of Mirrors” dos Kraftwerk como uma das canções que melhor reflectiram a importância do espelho nas personalidades (mais ou menos) inventadas de muitas estrelas rock: “Even the greatest stars discover themselves in the looking glass” (“Hall Of Mirrors”). Basta. Leiam. Está a um terço do preço de capa original. Capa dura. Com um flash vistoso.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

PLEASE NOTE: Item always subject to stock and price confirmation


/ / Etiquetas: , , , / / Comentar: aqui »