Sexta-feira, 16 Março, 2018

CARLOS MARIA TRINDADE / NUNO CANAVARRO Mr. Wollogallu LP Urpa I Musell

€ 24,95 LP (2018 reissue) Urpa I Musell

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Mr. Wollogallu

REPRESS EM BREVE (ABRIL/MAIO) / SOON (APRIL/MAY)

Em 2011 celebrou-se o magnífico “Far Side Virtual” de James Ferraro. Justificadamente. Abriu portas neste século para uma redescoberta e reconstrução da metodologia em volta da música electrónica/ambiente. Sem Ferraro e o seu “Far Side Virtual” teríamos mais dificuldade em entender certos discos que nos aparecem pela frente, desde a música de Caretaker, passando por Kaitlyn Aurelia Smith ou a liberdade sentida em “Mono No Aware”. Na altura Ferraro fazia com os menus da loja online da Nintendo Wii o que o que Brian Eno (responsável pelo genérico de arranque do Windows 95) trouxe à música décadas antes com “Music For Airports” e recontextualizou o som digital ao presente. A virtualidade da música de Ferraro tocou no presente com uma ideia de futuro que já se estava a viver. A importância de “Far Side Virtual” é actualmente mais sentida do que em 2011 e isso acontece, curiosamente, não com discos do presente, mas através de reedições de discos das décadas de 1980 e 1990. Seja o quarto mundo de Jon Hassell, a obra de Hiroshi Yoshimura que descobrimos recentemente, as recentes reedições de música japonesa ligada à anime e videojogos, o catálogo mais baleárico/ambiente da Music From Memory e agora este “Mr. Wollogallu” de Carlos Maria Trindade e Nuno Canavarro, finalmente reeditado em vinil pela catalã Urpa I Musell (a primeira edição, que iremos receber, já esgotou na fonte). Talvez o álbum mais Penguin Cafe Orchestra editado em território nacional, “Mr. Wollogallu” é uma belíssima peça do puzzle que encaixa na onda de nostalgia por uma música que explorava ambientes entre o digital e o analógico, em que a imagem que se instala é de um futuro irreal, virtual, desapegado da materialidade das coisas e fascinado consigo. É um disco-viagem (“Guiar”, “Em Bou-saada” ou “Blu Terra” asseguram isso) que nos diz mais a nós do que à história da música universal: a ideia de relíquia/preciosidade é um pouco exagerada, mas o exagero não deve prejudicar as imensas qualidades de “Mr. Wollogallu”. Situa a sua música nos anos 1990 (foi originalmente editado em 1991) e está preso nesse momento com uma boa estrutura: voltar a esta música, em 2018, enriquece qualquer contexto e sente-se uma maior exaltação nas composições de Carlos Maria Trindade e Nuno Canavarro. Por vezes é bom reviver certos discos livres do seu contexto original. É música virtual, conhecedora dos quatro cantos do mundo e do quarto mundo, e viva em 2018.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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