Terça-feira, 22 Março, 2016

SALLIM Isula CD

€ 16,50 CD Cafetra

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Olhamos para Portugal e para as diferentes gerações das últimas décadas (esqueçamos, por momentos, que uma geração tem 25 anos, mais coisa menos coisa) e há algo que aconteceu com a Cafetra, pelo menos em Lisboa (é aquilo que presenciamos e vivemos) que é uma raridade em Portugal. Sim, sempre existiram miúdos (agora os Cafetra já não são assim tão miúdos) a fazerem música. Esses também falavam sobre os questões da idade e essas coisas. Mas na Cafetra sempre existiu um lado não romântico, um contornar das questões pop nucleares, de fazer como manda o livro, e criar a sua própria cena. E conseguiram. E já andam por aqui há muitos anos. E é natural que ao fazerem isso chamem a atenção de outras pessoas, de pessoas que se reconhecem naquilo que fazem e, assim, criaram um espaço para descobrir uma quantidade de talento, para inspirar pessoas a explorarem isso e, melhor, a perderem a timidez de não existir um lugar para si. Isto a propósito de Sallim, um nome que não estava presente no boom da Cafetra, mas que nos últimos tempos se tem feito ouvir. Depois de edições em CD-R, “Antes Que Se Vá Embora” e “Sallim” (ambos também disponíveis), apresenta agora o seu primeiro álbum dito a sério. Gravado e misturado por Leonardo Bindilatti, que faz parte do gangue (e já havia feito o mesmo com “Alfarroba” das Pega Monstro), “Isula” é um disco que não só vem preencher um vazio que existe no mercado editorial português, mas que é um fresco no modo de apresentar canções, lá está, cantadas em português. A escrita de Sallim é límpida e clara, a sua voz é calma e às vezes é qualquer coisa de anjo. Guitarra e voz essencialmente, é escusado dizer que há lugares comuns com outros singers-songwriters da actualidade e não só, mas tal como grande parte dos lançamentos da Cafetra – só para não se arriscar a dizer todos – é algo indiferente a essa ideia de influência. É conteúdo próprio, sem uma natural preocupação de se parecer qualquer coisa e, sim, soar a essa coisa estranha de se ter pouco mais de vinte anos e falar sobre os seus problemas. De forma presente, vivida, imaginada – quando Sallim entra num mundo de fantasia é maravilhoso e a sua escrita é um roteiro perfeito para esses lugares -, sem os lugares comuns do romantismo importado. E essa coisa das canções reflectirem experiências que estão desassociadas de referências é algo que também expõe o seu talento, a sua diferença – e indiferença – em relação ao resto. Faz uma coisa só sua. E faz muito bem. E é um disco lindíssimo, do início ao fim, nas suas onze canções, que ficam logo no ouvido – não é exagero – à primeira audição. Não se pode passar ao lado de uma voz assim, de uma atitude tão inocente e transparente. E, claro, de um álbum que a qualquer momento coloca o ouvinte noutro lado, num lado bonito, do qual não se quer voltar.

NOTA: Artigo sempre sujeito a confirmação de stock e preço

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